Projectar o Maio para o futuro! (I)

PorJosé Almada Dias,4 abr 2017 6:00

I had a dream...

Em 2030, os indicadores da ilha do Maio, da República de Cabo Verde, são os seguintes:

·    a ilha do Maio é uma ilha turística com cerca de 16 mil habitantes;

·    recebe por ano 64 mil turistas = 4 turistas/habitante;

·    o PIB per capita da região situa-se nos 10.000 USD;

·    o desemprego fixa-se nos 3%;

·    a cidade do Porto Inglês é geminada com 3 cidades do Reino Unido;

·    a ilha reverteu a situação de perda de população de 2017;

·    a cidade do Porto Inglês tornou-se uma cidade turística, que duplicou a sua população – 25% é constituída por reformados europeus;

·    as Zonas de DesenvolvimentoTurísitco Integado (ZDTI) da ilha estão preenchidas com resorts ancorados no turismo residencial e no golfe;

·    a Ribeira D. João foi transformada num resort de golfe de referência internacional.

O que aconteceu para que a ilha tenha chegado a este ponto?

A Câmara Municipal da ilha do Maio, em parceria com o Governo de Cabo Verde e com o alto patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, realiza uma reunião histórica a 20 e 21 de Abril de 2017 para debater a vocação e o futuro da ilha. São convidadas as suas forças vivas. Após intensos debates, chega-se a algumas conclusões:

i.    o futuro da ilha deve ser o turismo residencial e hoteleiro;

ii.  a ilha quer acolher um turismo de alto valor acrescentado em contraponto com o turismo de massas existente no Sal e na Boa Vista;

iii. a vocação da cidade do Porto Inglês passa de cidade-porto a cidade turística portuária;

iv. em termos de marketing, a ilha irá posicionar-se internacionalmente como a ilha do sol, do mar e do golfe, ou seja, the island of sun, sea and golf;

v.   a cidade do Porto Inglês deve ser tratada como uma cidade-museu.

Nessa histórica reunião de 2017, são apresentados como vectores do turismo da ilha, por ordem de importância:

1.   Turismo residencial;

2.   Turismo de saúde e bem-estar – clínicas, spas e talassoterapia;

3.   Turismo de golfe;

4.   Turismo de sol e praia;

5.   Turismo urbano e cultural – foco na história e património da ilha, na música, nas festas populares, etc.;

6.   Turismo náutico – pesca desportiva e restantes desportos náuticos;

7.   Turismo científico e ecoturismo – biodiversidade terrestre e marinha, observação de tartarugas, mergulho de observação, etc.

Ainda nesse encontro memorável de 2017, são tomadas algumas decisões estratégicas para o desenvolvimento do turismo da ilha, que deverão servir uma estratégia de diferenciação em relação às ilhas do Sal e da Boa Vista:

a)   é rejeitado o turismo de massas – o foco deve ser na qualidade, na atracção de um turismo de alto valor acrescentado virado para as classes alta e média-alta dos mercados emissores;

b)   é também rejeitada a modalidade hoteleira all-inclusive, que não rima com um turismo inclusivo e com as tradições de uma sociedade inclusiva e aberta ao mundo, fruto do contacto e mistura de povos;

c)   o vector principal do desenvolvimento turístico da ilha deve ser o turismo residencial, visando atrair as classes reformadas da Europa e outros continentes.

São escolhidos os seguintes destinos como exemplos a seguir:

·    Algarve – várias vezes considerado o melhor destino turístico de golfe da Europa e do mundo e um dos melhores destinos de turismo residencial do planeta;

·    Madeira – melhor destino insular do mundo nos últimos 2 anos;

·    Seychelles – melhor exemplo de turismo sustentável a nível mundial.

Ainda em 2017, os autarcas da ilha do Maio e de São Vicente, ambas ilhas com um passado histórico ligado a Inglaterra, convencem o Governo de Cabo Verde a fazer uma investida no Reino Unido, por forma a atrair investimento britânico para transformar as duas ilhas em resorts para os turistas e pensionistas britânicos, aproveitando o Brexit.

Será um projecto com possibilidade de expansão futura a outras ilhas de Cabo Verde.

A primeira visita ao Reino Unido acontece no primeiro trimestre de 2018, através de uma importante delegação presidida pelo Presidente da República de Cabo Verde e que inclui membros do Governo de Cabo Verde e empresários nacionais e estrangeiros com interesses nessas duas ilhas.

Em visitas subsequentes, são assinados com o Governo do Reino Unido e investidores desse país uma série de acordos que visam a transformação das duas ilhas em destinos de acolhimento dos pensionistas britânicos, com a construção de:

·    resorts turísticos virados para o turismo residencial;

·    habitação social;

·    hospitais e clínicas especializados em lidar com pessoas seniores.

No último trimestre de 2017, a Câmara Municipal do Maio, em parceria com o Governo, adjudica a realização de um master plan turístico a uma empresa de consultoria internacional especialista em desenvolvimento turístico. Os principais objectivos dessa consultoria são:

1.   Realização de um novo plano de desenvolvimento turístico que reflicta a nova visão para o turismo do Maio, saída do encontro de Abril desse ano.

2.   Escolher os parceiros de desenvolvimento do município:

a)   marcas hoteleiras;

b)   operadores turísticos especializados em turismo residencial, turismo de saúde e bem-estar, turismo de golfe, turismo náutico e ecoturismo;

c)    instituições financeiras nacionais e internacionais e investidores institucionais.

Realiza-se, no primeiro semestre de 2018, a 1ª Mesa-Redonda dos Parceiros de Desenvolvimento da Ilha do Maio. Estão presentes, para além das autoridades locais, regionais e nacionais, empresários locais e as câmaras de comércio:

·    bancos, fundos de investimento, fundos soberanos, instituições financeiras internacionais e investidores institucionais;

·    marcas hoteleiras de renome – Hilton, Starwood/Marriott, Hyatt, IHG, Accor, etc.;

·    marcas hoteleiras especializadas em boutique hotéis, hotéis de charme e design hotéis;

·    operadores turísticos especializados em turismo residencial, turismo de saúde e bem-estar, turismo de golfe, turismo náutico e ecoturismo;

·    autarcas de 3 cidades do Reino Unido, futuras irmãs gémeas da cidade do Porto Inglês, para além de outros autarcas nacionais e estrangeiros.

São apresentadas as oportunidades de investimento na ilha.

Fruto dessa mesa-redonda, em 2019, arrancam as obras do empreendimento Ribeira Dom João Resort, um resort promovido por empresários nacionais e estrangeiros, que se estende por uma área de 300 hectares e possui:

·    2 hotéis de 5 estrelas de 150 quartos cada;

·    2 campos de golfe;

·    cerca de 2000 residências turísticas;

·    1 clínica de saúde;

·    1 spa de luxo;

·    1 marina e um cais para os pescadores.

Trata-se de um resort com total integração da população local, sendo a povoação da Ribeira Dom João o centro do mesmo.

No período que se segue, entre os anos de 2019 e 2025, arrancam as obras de vários empreendimentos turísticos na ilha, designadamente resorts incluindo hotéis, residências e campos de golfe.

Estudantes das ilhas do Maio e de São Vicente passam a ir estudar em universidades e escolas profissionais britânicas, seguindo-se os estudantes de outras ilhas.

Em 2021, são inaugurados os 2 campos de golfe do empreendimento Ribeira Dom João Resort, os 2 hotéis do empreendimento, a clínica, o spa e a marina. Em 2022/23, entram em funcionamento uma rede de boutique hotéis e hotéis de charme na cidade do Porto Inglês e noutros povoados da ilha. Em 2023/24, são inaugurados mais 2 campos de golfe e mais hotéis na ilha, transformando a ilha do Maio num destino de referência mundial no turismo de golfe. Em 2025, fruto das geminações das cidades do Mindelo e do Porto Inglês com várias cidades britânicas, da cooperação existente entre essas cidades dos dois países e do grande número de pensionistas britânicos a viverem no país, Cabo Verde torna-se membro da Commonwealth, seguindo o exemplo de Moçambique e do Ruanda, ocupando um lugar que lhe pertence devido à história da presença britânica no Mindelo e no Porto Inglês.

To be continued...  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 804 de 26 de Abril de 2017.

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Autoria:José Almada Dias,4 abr 2017 6:00

Editado porExpresso das Ilhas  em  31 dez 1969 23:00

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