I had a dream...
Em 2030, os indicadores da ilha do Maio, da República de Cabo Verde, são os seguintes:
· a ilha do Maio é uma ilha turística com cerca de 16 mil habitantes;
· recebe por ano 64 mil turistas = 4 turistas/habitante;
· o PIB per capita da região situa-se nos 10.000 USD;
· o desemprego fixa-se nos 3%;
· a cidade do Porto Inglês é geminada com 3 cidades do Reino Unido;
· a ilha reverteu a situação de perda de população de 2017;
· a cidade do Porto Inglês tornou-se uma cidade turística, que duplicou a sua população – 25% é constituída por reformados europeus;
· as Zonas de DesenvolvimentoTurísitco Integado (ZDTI) da ilha estão preenchidas com resorts ancorados no turismo residencial e no golfe;
· a Ribeira D. João foi transformada num resort de golfe de referência internacional.
O que aconteceu para que a ilha tenha chegado a este ponto?
A Câmara Municipal da ilha do Maio, em parceria com o Governo de Cabo Verde e com o alto patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, realiza uma reunião histórica a 20 e 21 de Abril de 2017 para debater a vocação e o futuro da ilha. São convidadas as suas forças vivas. Após intensos debates, chega-se a algumas conclusões:
i. o futuro da ilha deve ser o turismo residencial e hoteleiro;
ii. a ilha quer acolher um turismo de alto valor acrescentado em contraponto com o turismo de massas existente no Sal e na Boa Vista;
iii. a vocação da cidade do Porto Inglês passa de cidade-porto a cidade turística portuária;
iv. em termos de marketing, a ilha irá posicionar-se internacionalmente como a ilha do sol, do mar e do golfe, ou seja, the island of sun, sea and golf;
v. a cidade do Porto Inglês deve ser tratada como uma cidade-museu.
Nessa histórica reunião de 2017, são apresentados como vectores do turismo da ilha, por ordem de importância:
1. Turismo residencial;
2. Turismo de saúde e bem-estar – clínicas, spas e talassoterapia;
3. Turismo de golfe;
4. Turismo de sol e praia;
5. Turismo urbano e cultural – foco na história e património da ilha, na música, nas festas populares, etc.;
6. Turismo náutico – pesca desportiva e restantes desportos náuticos;
7. Turismo científico e ecoturismo – biodiversidade terrestre e marinha, observação de tartarugas, mergulho de observação, etc.
Ainda nesse encontro memorável de 2017, são tomadas algumas decisões estratégicas para o desenvolvimento do turismo da ilha, que deverão servir uma estratégia de diferenciação em relação às ilhas do Sal e da Boa Vista:
a) é rejeitado o turismo de massas – o foco deve ser na qualidade, na atracção de um turismo de alto valor acrescentado virado para as classes alta e média-alta dos mercados emissores;
b) é também rejeitada a modalidade hoteleira all-inclusive, que não rima com um turismo inclusivo e com as tradições de uma sociedade inclusiva e aberta ao mundo, fruto do contacto e mistura de povos;
c) o vector principal do desenvolvimento turístico da ilha deve ser o turismo residencial, visando atrair as classes reformadas da Europa e outros continentes.
São escolhidos os seguintes destinos como exemplos a seguir:
· Algarve – várias vezes considerado o melhor destino turístico de golfe da Europa e do mundo e um dos melhores destinos de turismo residencial do planeta;
· Madeira – melhor destino insular do mundo nos últimos 2 anos;
· Seychelles – melhor exemplo de turismo sustentável a nível mundial.
Ainda em 2017, os autarcas da ilha do Maio e de São Vicente, ambas ilhas com um passado histórico ligado a Inglaterra, convencem o Governo de Cabo Verde a fazer uma investida no Reino Unido, por forma a atrair investimento britânico para transformar as duas ilhas em resorts para os turistas e pensionistas britânicos, aproveitando o Brexit.
Será um projecto com possibilidade de expansão futura a outras ilhas de Cabo Verde.
A primeira visita ao Reino Unido acontece no primeiro trimestre de 2018, através de uma importante delegação presidida pelo Presidente da República de Cabo Verde e que inclui membros do Governo de Cabo Verde e empresários nacionais e estrangeiros com interesses nessas duas ilhas.
Em visitas subsequentes, são assinados com o Governo do Reino Unido e investidores desse país uma série de acordos que visam a transformação das duas ilhas em destinos de acolhimento dos pensionistas britânicos, com a construção de:
· resorts turísticos virados para o turismo residencial;
· habitação social;
· hospitais e clínicas especializados em lidar com pessoas seniores.
No último trimestre de 2017, a Câmara Municipal do Maio, em parceria com o Governo, adjudica a realização de um master plan turístico a uma empresa de consultoria internacional especialista em desenvolvimento turístico. Os principais objectivos dessa consultoria são:
1. Realização de um novo plano de desenvolvimento turístico que reflicta a nova visão para o turismo do Maio, saída do encontro de Abril desse ano.
2. Escolher os parceiros de desenvolvimento do município:
a) marcas hoteleiras;
b) operadores turísticos especializados em turismo residencial, turismo de saúde e bem-estar, turismo de golfe, turismo náutico e ecoturismo;
c) instituições financeiras nacionais e internacionais e investidores institucionais.
Realiza-se, no primeiro semestre de 2018, a 1ª Mesa-Redonda dos Parceiros de Desenvolvimento da Ilha do Maio. Estão presentes, para além das autoridades locais, regionais e nacionais, empresários locais e as câmaras de comércio:
· bancos, fundos de investimento, fundos soberanos, instituições financeiras internacionais e investidores institucionais;
· marcas hoteleiras de renome – Hilton, Starwood/Marriott, Hyatt, IHG, Accor, etc.;
· marcas hoteleiras especializadas em boutique hotéis, hotéis de charme e design hotéis;
· operadores turísticos especializados em turismo residencial, turismo de saúde e bem-estar, turismo de golfe, turismo náutico e ecoturismo;
· autarcas de 3 cidades do Reino Unido, futuras irmãs gémeas da cidade do Porto Inglês, para além de outros autarcas nacionais e estrangeiros.
São apresentadas as oportunidades de investimento na ilha.
Fruto dessa mesa-redonda, em 2019, arrancam as obras do empreendimento Ribeira Dom João Resort, um resort promovido por empresários nacionais e estrangeiros, que se estende por uma área de 300 hectares e possui:
· 2 hotéis de 5 estrelas de 150 quartos cada;
· 2 campos de golfe;
· cerca de 2000 residências turísticas;
· 1 clínica de saúde;
· 1 spa de luxo;
· 1 marina e um cais para os pescadores.
Trata-se de um resort com total integração da população local, sendo a povoação da Ribeira Dom João o centro do mesmo.
No período que se segue, entre os anos de 2019 e 2025, arrancam as obras de vários empreendimentos turísticos na ilha, designadamente resorts incluindo hotéis, residências e campos de golfe.
Estudantes das ilhas do Maio e de São Vicente passam a ir estudar em universidades e escolas profissionais britânicas, seguindo-se os estudantes de outras ilhas.
Em 2021, são inaugurados os 2 campos de golfe do empreendimento Ribeira Dom João Resort, os 2 hotéis do empreendimento, a clínica, o spa e a marina. Em 2022/23, entram em funcionamento uma rede de boutique hotéis e hotéis de charme na cidade do Porto Inglês e noutros povoados da ilha. Em 2023/24, são inaugurados mais 2 campos de golfe e mais hotéis na ilha, transformando a ilha do Maio num destino de referência mundial no turismo de golfe. Em 2025, fruto das geminações das cidades do Mindelo e do Porto Inglês com várias cidades britânicas, da cooperação existente entre essas cidades dos dois países e do grande número de pensionistas britânicos a viverem no país, Cabo Verde torna-se membro da Commonwealth, seguindo o exemplo de Moçambique e do Ruanda, ocupando um lugar que lhe pertence devido à história da presença britânica no Mindelo e no Porto Inglês.
To be continued...
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 804 de 26 de Abril de 2017.
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