O 8 de Março, esse abraço do leste para o oeste, do norte para o sul, envolvendo os espaços ainda sem mapa, gentes esquecidas e marginalizadas, encarna neste século, aquilo que a sociedade no seu pleno tem de mais digno: a pessoa humana. Homem e Mulher, completos, que se complementam. Não me acusem de ingenuidade. Sei bem que é duro desalojar interesses instalados, ou abrir mão de comodidades e confortos aceites como dados adquiridos. E é duro porque, na maioria das vezes, exige que se faça tudo diferente do habitual, aos mais diferentes níveis. Que o homem trate a mulher não como a querida, muitas vezes, mal querida, metade; que não veja nela o prolongamento do fogão, apesar de tradicionalmente e cada vez mais, no nosso país, por exemplo, ela ser o garante ou parte do garante do sustento da família e, sobretudo, que ele siga continuando a pensar que o mundo é uma capoeira estúpida e suja. Se não, porque a violência doméstica, as feridas, as mortes, as incapacitadas, os órfãos? Se não, porque as descriminações laborais, salariais, políticas... o assédio? Se não, porque o desamor?
...”Sabes o que é desistir, mãe? Não sei filha...Somos mulheres”. Esta a legenda de mãe e filha caminhando sobre os carris de um caminho de ferro, numa caminhada que se adivinha dura, ameaçadora e longa.
Neste Março de todos os dias, com o espírito de um século diferente, não desistamos, mulheres, de lutar pela Liberdade, pela Justiça, pela Equidade e pela Ternura. Não desistamos, mulheres, de lutar para que os Homens, nossos companheiros, nossos filhos, nossos amigos, todos, trilhem esse duro caminho, apaixonadamente connosco.
Texto originalmente publicado na edição impressa doexpresso das ilhasnº 902 de 13 de Março de 2019.