Agradecimento

PorMaria Odette Pinheiro,12 mai 2020 7:26

Muito obrigada! Agradeço penhoradamente o artigo publicado no Expresso das Ilhas do dia 8 de Janeiro, em resposta ao meu do número anterior, não só porque me arrancou muitas gargalhadas, mas porque, também, pelas palavras do próprio autor, ficaram comprovados plenamente todos os reparos que eu lhe fizera.

Demonstrados à saciedade estão o estilo cáustico, os epítetos e outras designações pejorativas para apodar os que têm ideias diferentes; os impropérios e as desconsiderações do outro; as suspeições, dúvidas e acusações não fundamentadas contra aqueles que não pensam segundo os seus guiões.

Senão, vejamos algumas das farpas desferidas contra mim: … as raposas limitam-se a rosnar, e a lançar impropérios ao desbarato. / A impotência gera fantasias. E, claro, desatinos. / Não argumenta. Esperneia. / … limita-se a reproduzir falácias, cacoetes e absurdos. / E perfídia.

A minha prosa é apodada de lengalenga, pura riola, e fingimento. / … “arte” falaciosa de argumentar, em que algumas criaturas, no cume da esperteza saloia, tentam demonstrar … que um triângulo tem, afinal, 4 lados e não 3, ou que 12 + 7 = 20. A Doutora … usa vários desses estratagemas ao mesmo tempo, com o seu caudal de inconsistência e truculência…

Eu havia também mencionado a impressão que deixa nos leitores de se considerar detentor da verdade absoluta e de que o resto do mundo, ou pelo menos todos que consigo não concordam, são ignorantérrimos que não percebem nada de nada.... E que parece crer no dogma da sua infalibilidade pessoal quando fala ex cathedra.

Prova:Se a Doutora MOP tivesse, por exemplo, lido John Milton, teria certamente compreendido o significado da liberdade de pensamento e a expressão na construção de uma sociedade moderna, próspera e desenvolvida. /Se calhar… julga que vivemos, ainda, “no socialismo real”… ou, talvez até, que estamos mentalmente na Idade Média... / Enche cinco colunas inteiras de jornal como quem enche diligentemente chouriços. / Lança mão de artifícios miudinhos, ancorada sempre … num provincianismo bacoco, feito de brejeirice, trocadilhos ocos ... recadinhos e estórias de [sic] carochinha, que fazem a glória das velhas desocupadas.

Gente, como se consegue destilar – isto, sim, é pura destilação, e em concentração bem elevada – essa profusão de insultos gratuitos, esse desprezo pelas produções do semelhante,essa tentativa de deitar abaixo quem simplesmente discordou e chamou a atenção para algo que pensa ser reprovável?

Qual a dimensão da insegurança que leva alguém a tentar achincalhar, diminuir, vilipendiar – sem qualquer base objectiva, até muitas vezes sem lógica – pessoas que nem conhece pessoalmente, mas que mostram discordância ou fazem reparos? Quão baixa deve ser a auto-estima de alguém que para se sentir superior tem de tanto apoucar os outros – não só os que se atrevem a cruzar o seu caminho, mas todos que publicamente expressam opiniões divergentes – como vem fazendo há anos! Autênticos casos de bullying!

Apontei, também,que o articulista se arvora em Deus, que é o único que pode saber as intenções alheias. Demonstração: Ficou furiosa / Tanta raiva e mal-estar causou. /A peça vazia e atabalhoada é o retrato perfeito da alma dessa Senhora. / … uma das características centrais do totalitarismo é a manipulação dos sentimentos e o eclipse da razão. É este, precisamente o jogo favorito da bem-educada MOP. Manipular incautos. / Fingimento. / Perfídia. / Truculência /… alegre destilação “de complexos profundos de uma certa e decadente elite crioula”. O autor dessas linhas supõe conhecer tão bem a minha alma, que até lhe reconhece o retrato perfeito; e os jogos favoritos da minha mente! Tal e qual só Deus!

Contudo, não digere adequadamente o que lê, antes de contra-atacar. No meu escrito mostrei claramente que não era meu objectivo entrar na controvérsia da substituição da Constituição, por não ser jurista. Escrevi em defesa da honra do meu marido; não para rebater argumentos. Resposta: A Doutora Odette Pinheiro não argumenta. Esperneia. Desvia a atenção do essencial. Auto-engana-se [sic]. Encheu cinco colunas inteiras do jornal, como quem enche diligentemente chouriços, e não conseguiu, mesmo assim, rebater uma única passagem do meu texto de reflexão. É obra… Obra seria se eu tivesse conseguido o que manifestei duas vezes não ser meu objectivo, dando de barato a questão da Constituição.

Será simplesmente um erro de leitura, ou algo mais grave? Pois, semelhantemente, não compreendeu ou quis compreender, quando escrevi: “E se não entender que é … um insulto, o que escreveu – então tenho muita pena de si, Senhor Doutor. Precisa rever-se a si mesmo, ver-se ao espelho, descobrir se não falta algo muito importante na sua cultura humanística e geral, na sua formação pessoal – aquelas coisas que são aprendidas a partir do berço e se continua a aprender a vida toda...” A partir do berço – isto é, da infância (metonímia – uso de uma coisa para representar outra, por estarem estreitamente associadas).

A propósito disto, dispara: Fala, longamente, da minha “baixeza”, da minha (suposta) falta de educação, do carácter, da ausência de “berço”… A Doutora Maria Odette Pinheiro quererá dizer que as pessoas desprovidas de “berço” não podem exercer a cidadania, estudar, participar, ter discernimento e defender, enfim, o bem comum? Estarão condenadas a ser cidadãos de segunda…? Procurem no meu artigo e não encontrarão nada disto. Parece que há uma afasia emocional, em que as emoções sobem tão alto que obscurecem a compreensão do que foi dito, toldam a lógica e a racionalidade, lêem o que não está lá, na pressa de disparar o gatilho.

Mas o cúmulo do absurdo, e o que mais me fez rir, é trazer à colação o modo como o meu nome é escrito, com 2 tês – assim exarado no meu registo de nascimento, por originalmente ser um nome francês – para afirmar algo completamente infantil: Cidadania plena só para aqueles, dir-se-ia, cujo nome se escreve com 2 tês! Mesmo descontando o sarcasmo, isto é bem ilustrativo dos curto-circuitos que podem acontecer nas cabeças dos mais inteligentes e eruditos. Ups!

Para terminar, o culto de personalidade e a existência de intocáveis: Admiti que a pessoa que eu defendia, se estivesse viva e perante argumentos convincentes que derrubassem os seus, era Homem para admitir estar errado (caso realmente estivesse). A réplica: Se calhar a ilustre Doutora Odette Pinheiro julga que vivemos, ainda, nalgum país do “socialismo real”, onde há, por definição, culto de personalidade, nomenclaturas com poder divino, super-homens de recorte nietzschiano e respeitinho histérico pelos chefes do regime.

Admitir a possibilidade de erro numa pessoa, não será o oposto do culto de personalidade ou de a considerar intocável? Quando é que a defesa da honra se tornou culto de personalidade? Na verdade, só quem preza a honra, sua e dos demais, percebe quão ofensivo é dizer “tentou iludir a nação”! Os outros não conhecem a diferença entre dizer isto ou que “alguém estava errado”. Este é o cerne da questão, que o articulista não entendeu.

Haveria muito mais para comentar, mas o espaço disponível não me permite fazê-lo. Creio, contudo, ter já estabelecido a falta de credibilidade do que o autor escreve e das interpretações que oferece. Por isso, declaro que não responderei a qualquer escrito futuro, sobre mim, da mesma lavra, remetendo os leitores para este presente artigo. Não interpretem isso como “quem cala, consente”. É que agora entendo por que é que os nossos intelectuais não respondem aos insultos do articulista, aconselhando-me, até, a fazer o mesmo! Dizem que não vale a pena: “É dar demasiada importância ao que ele diz”. De modo que no futuro deixarei que as palavras sejam levadas pelo vento.

O que foi dito de mim em nada beliscou a minha pessoa. Sei quem e o que sou, pela graça de Deus. Sou suficientemente segura para não insultar, mesmo quando tenho de fazer reparos. E prova-se que os meus eram justificados.

Espero que o que ficou aqui demonstrado faça com que a mão vá à consciência: sirva um pouco de espelho, o que eu aconselhara no artigo anterior. Se assim for, valeu a pena. Não há maior investimento que contribuir para a melhoria de qualquer ser humano. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 962 de 6 de Maio de 2020. 

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Autoria:Maria Odette Pinheiro,12 mai 2020 7:26

Editado porSara Almeida  em  12 mai 2020 7:26

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