E não é para menos, dado o inusitado da ocorrência, em matéria de grosseria e falta de modos diplomáticos, num país com a tradição liberal, a cultura democrática e as responsabilidades políticas dos EE.UU. Um espectáculo arrasador e sem precedentes, desde que os países convencionaram a troca de representantes e o estabelecimento de conversações, a qualquer nível, nas relações internacionais.
É um sinal que relembra, porém, outras ocasiões na história dos povos ditos civilizados e preanuncia o descalabro das instituições padronizadas e o afundamento da Humanidade a níveis de insanidade, terror e aniquilamento, de todo insuportáveis.
Aqui, pelas nossas bandas, de forma não tão brusca e evidente, diria mesmo, com pezinhos de lã, as forças políticas vão se digladiando, umas contra as outras e intramuros, com laivos de populismo e autocracia que começam, no entanto, a ser preocupantes, para quem queira observar, com olhos de ver.
E, de facto, já é assustador a maneira como uma simples disputa à liderança de uma força política começa a revelar contornos e similitudes com movimentos totalitários ocorridos, outrora, na Europa, dos anos trinta do século vinte, na Alemanha ou na então União Soviética, por exemplo.
A gente vai tomando as coisas de ânimo leve e, quando menos cuida, se nos depara o Urso, escarrapachado no sofá da sala-de-estar.
E logo Cabo Verde que gosta tanto de estar na moda e de ser citado como exemplo de pioneirismo, naquilo que alguém chamou, há tempos, com graça, complexo de virgindade.
Porque, não é só aos outros que as coisas acontecem. Aliás, há realidades bem próximas.
No entanto, sabe-se que a técnica é o fazer de conta. Ou seja, por um lado, afirmar que é tudo ficção e que a realidade não existe e, por outro, prometer estabilidade, de modo a esconder a intenção de criar um estado de instabilidade permanente.
Claro que não temos terras nem metais raros, o que é uma pena, sinceramente. Porque precisados estamos, para, como soe dizer-se, “tirar boca” do Turismo.
Ontem, vendo pela televisão, a inauguração de uma joint-venture, no Mindelo, lembrei-me de uma história da Boa Vista, que se contava, nos anos 50/60, do século passado:
Um transeunte imprudente e ainda por cima de sapatos, chutou o tornozelo de um pacato espectador do movimento de ponte, no cais de Sal-Rei. A vítima lançou um grito de dor, mas não conseguiu lembrar o nome esquisito, dessa junta óssea dos pés. Na sua queixa, porém, foi dizendo:
- Ó môçe, odjâ um pancada q djâ bô dó-me na clavícula!
Perante a galhofa geral dos assistentes, justificou -se:
- ´Mó!... Tem tcheu qualidade d´clavícula!
Isto é, o importante é que, tanto o tornozelo como a clavícula são estruturas ósseas, e uma pancada dada ou sofrida em qualquer delas dói.
Pois é, por cá, o comboio do populismo vai já em andamento e, na carruagem, vão comodamente sentados o povão, veteranos, gente da alta fidalguia, representantes de confissões religiosas, desportistas e ainda há gente nas bilheteiras, para adquirir o passe.
Não sei se o actual Gengis Khan das estepes tem condições objectivas para alcandorar-se à reencarnação do Ditador de Gori.
Sei, no entanto, que um novo Führer está à porta da mansão global, a bater, com estrondo.
Olhem que essas modas pegam e garanto-vos que não é piada de Carnaval.