O padre Boaventura Lopes considera que o acordo que hoje é assinado na Praia entre a Santa Sé e o Governo de Cabo Verde é um reconhecimento do papel da Igreja Católica na história do país.
Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), o pároco da Imaculada Conceição, que integrou à comissão que elaborou o citado acordo, esclareceu que o documento não atribui privilégios aos cristãos, mas sim reconhece o papel da Igreja Católica na história de Cabo Verde, no passado e no presente, assim como das várias congregações que trabalham há vários séculos no país, além de "confirmar" a liberdade religiosa que já existe.
Segundo o sacerdote, o acordo abre também possibilidades de a Igreja Católica ter mais escolas ou até universidades ou faculdades.
A cerimónia de assinatura deste acordo relativo ao estatuto jurídico da Igreja Católica no arquipélago, segundo o programa a que a Inforpress teve acesso está prevista para às 12:00, no Palácio do Governo, na presença do primeiro-ministro, José Maria Neves.
O chefe do executivo considera que a assinatura deste acordo com a Santa Sé representa um "óptimo momento" no relacionamento entre Cabo Verde e o Vaticano.
Da parte cabo-verdiana assina o documento o ministro das Relações Exteriores, Jorge Borges, enquanto pelo Vaticano rubrica o secretário para as Relações com os Estados, Monsenhor Dominique Mamberti.
A delegação da Igreja Católica cabo-verdiana é integrada pelos bispos Dom Arlindo Furtado e Dom Ildo Fortes, respectivamente das Dioceses de Santiago e do Mindelo, além do vigário geral da Diocese de Santiago, o padre João Augusto, e o padre Boaventura Lopes, na qualidade de integrante da comissão que elaborou o acordo.
Numa declaração que havia feito à Inforpress, o bispo de Santiago, Dom Arlindo Furtado, disse que, além de proporcionar respeito mútuo entre as partes, a Concordata assegura autonomia que é "muito importante", já que a igreja tem a garantia que o Estado não lhe vai deitar mão em cima das suas instituições, património e seu estilo de trabalho.
Recordou que no passado já houve situação de conflitos em que a Igreja esteve de mãos atadas porque não havia normas jurídicas que regulamentassem casos do género, garantindo direitos e ao mesmo tempo assegurando os deveres.