Em Cabo Verde há 22 anos, Andres Fidalgo considera que Fidel Castro foi um grande líder, que deixou um grande legado para o povo cubano e para o mundo. Contudo, este legado apresenta duas caras que fazem do líder histórico da revolução cubana uma personalidade controversa.
Convidado do programa Panorama 3.0, da última sexta-feira, o médico defende que apenas os cubanos podem explicar a situação do país.
“O legado que deixou é muito controverso, tem duas caras. Uma cara bonita, atractiva e admirada pelos africanos, latinos americanos e por alguns cubanos. Por outro lado, tem uma cara muito feia, sobre a qual somente nós, os cubanos, podemos opinar. Não acredito que haja analista político, estrangeiro, nem politólogo capaz de dar uma explicação acerca da situação de Cuba”, garante à Rádio Morabeza.
Andres Fidalgo sublinha que o processo revolucionário nunca teve como principio instalar o regime comunista no país.
“Isto estava fora de toda a questão do processo revolucionário, nunca se lutou para um comunismo em Cuba”, destaca.
Para o médico cubano, residente em Cabo Verde há 22 anos, a morte de Fidel Castro não representa o fim da ditadura. “A ditadura castrista não acabou, continua e continua com um cheiro a uma ditadura dinástica e isto é que é pior”, alerta.
Andres Fidalgo
Segundo Andres Fidalgo, Fidel Castro foi um homem que “mudou o destino de Cuba”.
“Só que ele não aceitou nunca uma crítica ou um diálogo com aqueles que pensavam diferente. Contrariamente repreendeu, encarcerou e fuzilou mais de dez mil pessoas no ano de 1961 até 63. Até hoje [o regime] está encarcerando e fuzilando pessoas, simplesmente porque pensam diferente”, lamenta.