Politécnico de Bragança denuncia «recusa» de vistos a estudantes cabo-verdianos

PorExpresso das Ilhas,11 out 2017 9:57

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O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, denunciou terça-feira um número anormal de recusas de vistos a estudantes cabo-verdianos e reclamou uma intervenção ao mais alto nível do Governo português.

O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, denunciou terça-feira um número anormal de recusas de vistos a estudantes cabo-verdianos e reclamou uma intervenção ao mais alto nível do Governo português.

 

O politécnico de Bragança recebeu, segundo o presidente, “cerca de 1.100 candidaturas” de estudantes cabo-verdianos e tem, até ao momento, apenas “cerca de 30 vistos atribuídos. Embora alguns processos ainda estejam em análise ou em recurso, Sobrinho Teixeira, afiança que “globalmente já quase 80% dos vistos foram recusados e isto não é normal face à realidade do ano passado”.

“Como é que no ano passado nós tivemos quase 40% dos vistos aprovados e o rendimento das famílias é o mesmo, não mudou, portanto há algo na aplicação dos critérios este ano que está a errar e que está a falhar e eu acho que isto tem de ser visto ao mais alto nível”, afirmou, à margem da sessão de boas vindas aos novos estudantes.

O politécnico de Bragança tem-se destacado a nível nacional pela comunidade internacional que a direcção esperava atingisse, este ano, os dois mil alunos.

Só de Cabo Verde, eram esperados cerca de 400 estudantes, porém, de acordo com o presidente do IPB está a haver, por parte de Portugal, uma recusa de vistos concretamente aos alunos deste país lusófono, “que vai muito para além do normal”.

O argumento da recusa de vistos aos estudantes cabo-verdianos assenta, segundo disse, nas condições económicas, o que Sobrinho Teixeira refuta, contra-argumentando que “o rendimento das famílias cabo-verdianas não diminui de um ano para o outro” e no anterior ano lectivo, o IPB recebeu mais de 200 estudantes das ilhas.

“Tive ocasião já de escrever a diversos ministérios, 550 euros por mês [valor cuja disponibilidade mensal deve ser provada no momento do pedido de visto] para um jovem em Bragança é dinheiro a mais, é um financiamento que não é bom porque os jovens ao ter dinheiro a mais também irão fazer coisas que não devem”, apontou.

O presidente do IPB defende que o valor de “550 euros poderá estar adequado para metrópoles como o Porto e Lisboa, (mas) está perfeitamente desadequado face àquilo que é o custo de vida para a realidade de Bragança”.

O responsável argumentou ainda que todas as candidaturas de Cabo Verde que o IPB recebeu “são institucionais, propostas pelas câmaras municipais, pelo Ministério da Educação, são candidaturas em que as próprias instituições apadrinham”.

O presidente do politécnico de Bragança lamenta “profundamente” e considera “impensável” o que está a acontecer com os estudantes cabo-verdianos.

“Eu acho lamentável que Portugal, o governo e as diversas instituições estejam a dificultar a vinda de pessoas que se vão qualificar, que vão representar um activo imenso para o nosso país e que hão de também ganhar essa cultura e essa capacidade de dizer que somos todos lusófonos, somos todos CPLP”, enfatizou.

 

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Autoria:Expresso das Ilhas,11 out 2017 9:57

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  12 out 2017 10:18

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