Governo reconhece “fragilidades” do sector pesqueiro nacional

PorInforpress, Inforpress,5 fev 2018 6:42

Paulo Veiga, secretário de Estado da Economia Marítima
Paulo Veiga, secretário de Estado da Economia Marítima

​O secretário de Estado da Economia Marítima reconheceu este domingo que ainda existem algumas “fragilidades” no sector das pescas, mas asseverou que constam do programa do Governo uma política de exploração sustentável dos recursos que potenciem os ganhos económicos.

Paulo Veiga fez estas considerações hoje, em São Miguel (interior de Santiago), quando discursava na abertura do VII Encontro das Associações de Pescadores e Peixeiras de Santiago, no âmbito das comemorações do Dia do Pescador Cabo-verdiano, assinalado este ano sob o lema “Por uma pesca sustentável, protege o ambiente marinho”, a ser celebrado esta segunda-feira, 05.

De entre as “fragilidades”, o governante apontou a fraca rede do frio e congelação, deficiente organização e representatividade das estruturas associativas, elevados custos operacionais de produção e que torna pouco rentável a actividade.

O ministro apontou ainda como constrangimentos do sector o facto da frota estar “envelhecida” e a navegar em condições de operação deficientes, para além da limitação de stocks, da capacidade de armazenagem e do baixo nível de escolaridade e formação dos profissionais do sector.

“As particulares dificuldades que o país atravessa recomenda que se aproveite , plenamente, as reconhecidas potencialidades do sector, resolvendo os problemas que, continuamente , vêm afligindo todos os intervenientes, reorganizando com soluções concretas e sustentáveis para os pescadores, peixeiras e empresas e armadores”, evidenciou o responsável pelo sector das pescas, no seu discurso.

Entretanto, por outro lado, afirmou que é preciso renovar muitas vertentes do sector, promovendo estudo das potencialidades de captura que melhorem a eficiência da actividade, sobre o período da defesa das espécies críticas, instalar o Centro Oceanográfica, e impulsionar o Instituto Nacional do Desenvolvimento das Pescas (INDP).

Ou seja, ajuntou, que no âmbito das políticas do executivo constam definir um plano de fiscalização e vigilância do mar, avançar para informatização e partilha de dado nos registos de inflações, promover um programa específico destinado à pequena pesca e impulsionar a valorização da mão-de-obra , capacitando tecnicamente os pescadores.

Tendo em conta que a evolução mais recente do sector mostra uma tendência de crescimento e desenvolvimento na exportação, Paulo Veiga disse que este facto exige a promoção de competitividade do sector.

Para atingir este objectivo, indicou a necessidade de se apostar na qualidade, formação e em novas formas de colocar o produto no mercado, para garantir a sustentabilidade dos recursos e assegurar a coesão económica e social das comunidades mais dependentes do sector da pescas.

A propósito, o secretário de Estado da Economia Marítima defendeu que é necessário, também , apostar na promoção e na competitividade do sector das pescas, incrementar e diversificar a captura nacional num quadro de garantia da sustentabilidade.

O responsável sublinhou, igualmente, a urgência de promover a transformação e agregação de valores através de certificação, assegurar o desenvolvimento integrado das comunidades fortemente dependentes das pescas e elevar as organizações dos operadores em associações comunitárias.

“No Dia Nacional do pescador, a nossa mais sincera homenagem, respeito e reconhecimento ao primeiro e ao mais importante elo da cadeia produtiva da pesca, reiterando todo o nosso apreço e compreensão pelas difíceis condições que se exerce a actividade, assinalando este marco com um forte comprometimento do Governo em tudo fazer para elevar os pescadores”, enfatizou.

De acordo com os dados, Cabo Verde tem mais 4600 pescadores, sendo 4000 artesanais, que operam em mais de 1600 botes, a partir de 97 pontos de desembarques espalhados por 73 comunidades piscatórias e 600 pescadores que operam em 117 navios de pescas industriais.

Existem 1500 peixeiras, dos quais 1425 são mulheres chefes de família. Na produção de conservas, estão registadas 1800 pessoas, sendo que 1650 são mulheres.

O sector da pesca representa a sobrevivência de aproximadamente 30 % da população de Cabo Verde e quase 80% de exportação dos produtos do arquipélago, numa média de 12 toneladas ao ano.

De acordo com os dados estatísticos, o sector emprega 5% da população activa e tem um grande impacto na segurança alimentar.

O encontro, organizado pela Câmara Municipal de São Miguel, Comissão Regional de Parceiros de Santiago Norte, Cooperativa de Pescadores, Peixeiras e Armadores de Santiago e do Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, foi marcado por uma homenagem ao ex-presidente da Associação dos Pescadores e Peixeiras de Calheta, falecido recentemente e aos pescadores desaparecidos no mar.

Palestras, animação cultural e desportivas, foram outras actividades desenvolvidas para assinalar a data que teve como palco Calheta São Miguel.

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Autoria:Inforpress, Inforpress,5 fev 2018 6:42

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  13 dez 2018 3:22

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