Detido em Cabo Verde suposto testa de ferro de Nicolás Maduro

PorExpresso das Ilhas,14 jun 2020 12:36

O empresário colombiano Alex Saab beneficiou-se com grandes contratos do chavismo e é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro na Colômbia e nos Estados Unidos

O empresário colombiano Alex Naím Saab Morán foi detido na noite de sexta-feira no Aeroporto Internacional do Sal. Segundo a agência Lusa, Saab foi detido quando o seu avião fazia uma paragem para reabastecimento, no voo de regresso para o Irão, após uma viagem à Venezuela.

A Justiça da Colômbia e dos Estados Unidos, de acordo com o El País, investigava o empresário por lavagem de dinheiro. De origem libanesa, Saab é conhecido por ser o principal operador financeiro do presidente venezuelano.

Saab é alvo de sanções de Washington desde Junho de 2019, após por sido acusado de servir de testa de ferro do líder chavista. A detenção do empresário de 49 anos foi divulgada pela imprensa colombiana e pela agência americana Associated Press, que citou a um porta-voz do Departamento de Justiça.

As versões da imprensa afirmam que Saab Morán viajava em um avião privado de pequeno porte com matrícula venezuelana, que teria decolado do aeroporto de Maiquetía, perto de Caracas. O empresário foi capturado durante uma paragem de reabastecimento em Cabo Verde, numa viagem que tinha como destino o Irão. Segundo a mesma fonte, Saab é procurado pela Justiça americana, mas Cabo Verde não tem acordo de extradição com Washington.

Saab Morán tinha uma grande rede de contactos fornecidos pelo chavismo. Estes multiplicaram-se durante o mandato de Maduro. Durante os anos de controlo cambial na Venezuela, tornou-se fornecedor de kits de construção de casas pré-fabricadas através de um acordo de 685 milhões de dólares  com sua empresa Fundo Global de Construção. O contrato foi assinado com a presença dos então presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Juan Manuel Santos, da Colômbia.

Com Maduro no poder, Saab transformou-se numa figura-chave, chegando a ser o principal fornecedor do programa de alimentos subsidiados dos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que fornecia caixas e sacos de comida de baixa qualidade importada com superfacturamento e vendida mensalmente aos venezuelanos. Essa relação começou com um contrato de 340 milhões de dólares, que se estendeu a outras negociações de alimentos e remédios, das quais também participaram parentes de Maduro, e à abertura de empresas no México, Emirados Árabes, Turquia e Panamá.

A Justiça internacional vinha fechando o cerco ao poderoso empresário. Além de ser procurado pela Justiça dos Estados Unidos e da Colômbia, que o considerava foragido desde 2018, foram abertas investigações sobre suas empresas no México, onde a Procuradoria também congelou bens de Saab Morán. Na semana passada, a Justiça colombiana anunciou o embargo de oito propriedades na cidade de Barranquilla que estavam em nome de uma sociedade “que teria servido de fachada para ocultar dinheiro obtido por Alex Saab” por meio de uma empresa com a qual fez “importações e exportações fictícias que representaram perdas para o Estado colombiano”, afirma um comunicado judicial, citado pelo El País. 

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Autoria:Expresso das Ilhas,14 jun 2020 12:36

Editado porAntónio Monteiro  em  15 jun 2020 7:57

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