Em declarações à imprensa, o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente, António Andrade, indicou que se trata de gafanhotos da espécie Oedaleus Senegalensis, e que a praga que eclodiu devido às recentes chuvas tem vindo a devastar pastagens e culturas.
Segundo o delegado, chuvas superiores a 20 milímetros foram suficientes para a eclosão dos ovos, que se mantinham dormentes em solos arenosos, desde o ano anterior, e segundo relatos dos locais e dos próprios técnicos, não tem memória de ter visto algo assim.
As áreas mais afectadas incluem a Zona Norte, nas localidades de Cabeça de Tarafes, Fundos das Figueiras e João Galego, onde a situação é mais grave, e as zonas de Bofareira e Povoação Velha também foram duramente atingidas.
António Andrade garantiu que o Ministério da Agricultura e Ambiente está preparado para o combate, contando com equipas munidas de pesticidas e materiais de protecção. Acrescentou que o foco está no tratamento da praga na fase larva, um período de 21 dias considerado ideal para a intervenção.
No entanto, aquele responsável considerou que o esforço do Governo, por si só, “não é suficiente”.
"A luta é de todos", reiterou Andrade, destacando que o envolvimento dos agricultores e criadores é crucial para o sucesso da operação, que apesar de não ser possível erradicar a totalidade, a contenção da praga evita danos económicos significativos.
O delegado realçou a ameaça que os gafanhotos representam para a segurança alimentar da ilha, uma vez que se alimentam de gramíneas, como milho, dje-dje, florinha, balanco, o que compromete as pastagens essenciais para o gado e, consequentemente, a produção de leite e queijo.
Apesar de a colaboração da população ter sido descrita como "irrisória" em muitas zonas, o delegado agradeceu o envolvimento demonstrado em Povoação Velha e Cabeça de Tarafes, onde a ajuda de técnicos e residentes tem sido “de grande valia”.