A informação é avançada à Rádio Morabeza pelo presidente do conselho de administração da empresa de transportes públicos de São Vicente, Transcor, Luís Gonzaga.
“Estamos numa situação extremamente complicada. Neste momento, só para se ter uma ideia, para completarmos a nossa programação necessitamos de 18 condutores, e não há condutores disponíveis para trabalhar. Há turnos de trabalho em que não há autocarros e outros em que os condutores vêm fechar os autocarros na empresa porque têm de descansar para iniciar o segundo e o terceiro turnos logo a seguir. Portanto, é um problema que eu não sei como é que vamos ultrapassar esta questão. O Governo e o Centro de Emprego resolveram fazer um curso a custo zero e, mesmo assim, não conseguiram encher a turma com 30 pessoas. Estão lá apenas 18”, refere.
A escassez de condutores está a provocar a diminuição do número de autocarros em circulação, atrasos nos horários e o aumento do tempo de espera dos passageiros. Uma situação que, segundo Luís Gonzaga, é agravada pela actual condição de trânsito na ilha.
“Já falei com os nossos colegas de que devemos programar o serviço de acordo com a mão-de-obra que temos. À medida que forem aparecendo mais condutores, vamos adaptando aos horários antigos. Neste momento, a espera nas paragens está a aumentar. Há ainda outro factor em São Vicente, que contribui para essa espera e que, muitas vezes, obriga um ou outro autocarro a circular um atrás do outro: a circulação na ilha está caótica, sobretudo quando fecham a artéria da Rua de Lisboa. É um caos. Dou apenas o exemplo da linha 12, que tem três autocarros, com um intervalo previsto de 12 minutos entre eles. Há dias, um autocarro saiu do Liceu Velho e levou 15 minutos a chegar à Torre de Belém. Como é que se consegue, com este esquema, cumprir os horários previstos? É por isso que recebemos muitas queixas de atrasos, de autocarros a circularem um atrás dos outros, porque a circulação simplesmente não permite fazer melhor”, assegura.
Sobre a relação entre salários e a saída de profissionais à procura de melhores condições, o PCA da Transcor garante que a empresa oferece as melhores condições do sector.
“A Transcor compara-se, em termos salariais, com empresas do mesmo ramo. Não posso comparar com empresas que não são do sector dos transportes públicos. Comparamos com a Amizade, a Transmelo e a Sol Atlântico, na Praia, e a Transcor é a que oferece melhores condições. Mesmo assim, as pessoas continuam a sair. Estamos, neste momento, numa fase de negociação entre os sindicatos e a própria ARME. Já enviámos uma nota à ARME no sentido de chamar a atenção para a necessidade de actualizar a tabela salarial, de a melhorar. Estamos à espera que haja, de facto, essa actualização, para podermos proceder aos ajustamentos e, pelo menos, reter os trabalhadores que ainda estão connosco”, afirma.
O responsável da Transcor aponta ainda que uma possível solução para colmatar a escassez de trabalhadores poderá passar pelo recurso a mão-de-obra estrangeira, à semelhança do que Portugal faz em Cabo Verde, alertando, no entanto, que tal medida terá de ser negociada entre os governos.
Luís Gonzaga adverte que a falta de trabalhadores é, neste momento, um problema transversal a praticamente todas as profissões.
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