A sessão teve a duração de três horas, contando com a presença de todos os candidatos. São eles: Maria de Lourdes Gonçalves, Odair Varela, João Cardoso, Crisanto Barros, Jorge Tavares, Felisberto Mendes e Astrigilda Silveira.
Astrigilda Silveira defendeu uma gestão mais participativa e descentralizada do poder do reitor. A candidata salientou que não faz sentido algumas unidades estarem subordinadas à Reitoria e anunciou a criação de um gabinete de apoio à investigação, com técnicos especializados na captação de fundos nacionais e internacionais, garantindo financiamento estável à investigação.
Referiu, ainda, a negociação com o Governo para a criação de um Fundo Nacional de Investigação, de onde emergirá o Estatuto do Investigador. Astrigilda comprometeu-se também com a transição energética, destacando que a Universidade de Cabo Verde deve liderar esforços para apoiar o Governo nessa área. Além disso, prometeu criar, até 2030, dez empregos sustentáveis na Uni-CV.
Crisanto Barros criticou o modelo de financiamento adotado pelo Estado, considerando-o insustentável, pois o Governo contribui apenas parcialmente, enquanto os estudantes recebem bolsas precárias.
“Não existe, em lugar nenhum, que a Universidade Pública não tenha o financiamento das despesas com pessoal, infraestrutura e equipamentos assegurado pelo Estado. Essa negociação é imprescindível”, afirmou.
Defendeu que a qualidade do ensino depende do financiamento e da instalação de unidades orgânicas com capacidade científica e pedagógica, sublinhando a ligação direta entre a gestão institucional e a excelência académica.
Jorge Tavares salientou que a Universidade precisa resolver os seus problemas internos, melhorando os serviços de atendimento para motivar e reter os estudantes. Destacou a importância de reduzir filas de espera, através de sistemas informáticos inteligentes, especialmente na emissão e licenciamento de documentos.
“Todos nós somos responsáveis pela sustentabilidade da Universidade. Quando um professor leciona com qualidade, um aluno permanece na sala, paga as propinas e atrai novos estudantes”, observou.
Odair Varela alertou que os recursos atuais da Universidade são insuficientes, e que esta questão deve ser solucionada. Ressaltou a necessidade de modernizar os serviços da instituição e enfatizou que o planeamento e a gestão devem priorizar a captação ativa de financiamentos, criando um ecossistema interno capaz de assegurar serviços de qualidade.
João Cardoso destacou que a governança ocupa papel central na administração da Universidade e que a sustentabilidade constitui um desafio fundamental, refletido até no nome da sua candidatura.
Salientou a importância de integrar eficiência, práticas institucionais sólidas e valorização dos recursos humanos para promover uma gestão equilibrada e duradoura.
Maria de Lourdes explicou que o financiamento da Universidade provém de três fontes: subvenção do Estado, receita das propinas e prestação de serviços, sendo esta última atualmente carente de organização.
Para a candidata, é necessário um diálogo profundo com o Governo, garantindo cobertura das despesas e assegurando a sustentabilidade económica da instituição.
Propôs, ainda, um modelo de gestão que descentralize processos, agilize decisões e fortaleça a vivência universitária como experiência central para os alunos.
Felisberto Mendes enfatizou que a sustentabilidade financeira, económica e ambiental deve ser assegurada com os recursos atuais da Universidade, sem adiar negociações com o Governo, sob risco de comprometer atividades essenciais, como ensino, extensão e investigação. Destacou que a estabilidade financeira depende da consolidação do corpo docente, mas os recursos não devem provir apenas do ensino.
“A Universidade de Cabo Verde pode também obter recursos a partir da investigação e da extensão. No entanto, nesta área, temos avançado muito pouco”, concluiu.
As eleições para o cargo de Reitor da Uni-CV, já se aproximam, marcadas para dia 28 de janeiro, quarta-feira.
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