Conforme as notícias veiculadas, as famílias de quatro cidadãos britânicos que morreram nos últimos meses de infecções gastrointestinais agudas contraídas durante férias na ilha do Sal querem processar o operador de viagens TUI, por ter vendido pacotes turísticos para unidades hoteleiras cujas falhas de higiene estarão na origem das infecções.
Para Jorge Figueiredo, toda esta polémica trata-se de processos de natureza jurídica, direccionados a entidades privadas. Acrescentou que, sendo a acusação dirigida a uma cadeia hoteleira privada, esta encontra-se obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias nacionais.
“O Ministério da Saúde não aceita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou instrumentalizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a boa imagem do país”, frisou.
Conforme referiu, do ponto de vista epidemiológico, os dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas à Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade.
“Trata-se de evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica (UK Health Security Agency – UKHSA, 2024)”, salientou.
O responsável pela pasta da saúde afirmou que os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes, frisando que, do ponto de vista técnico, a “mera coincidência” temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade.
Para Jorge Figueiredo, a determinação de nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa — elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.
O governante explicou que, logo que foram detectadas alterações, ainda que não na ilha do Sal, mas na Boa Vista, foram imediatamente accionadas todas as instituições competentes para, em conjunto, acompanhar a situação.
Segundo disse, desde finais de 2025 têm sido realizados encontros semanais, tanto na Boa Vista como no Sal, com vista a monitorizar a evolução do processo e a recomendar a adopção de medidas por parte do sector privado.
“Nós temos um programa de vigilância sanitária que está em contacto com todo o Sistema Nacional de Saúde, com todas as delegacias, e, como sabe, todos os casos, incluindo os de diarreia, são notificados obrigatoriamente. Portanto, os delegados de saúde sabem, a cada momento, qual é a situação”, assegurou.
Jorge Figueiredo informou que o Ministério da Saúde vai exigir que alguns órgãos de comunicação social internacionais, publiquem informações completas e adicionais sobre as acções desenvolvidas, com o objectivo de repor, a verdade dos factos.
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