Ministro da Saúde reage a acusações sobre alegadas infecções em turistas

PorAnilza Rocha,3 fev 2026 8:12

O Ministro da Saúde assegurou, esta segunda-feira, que não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem a existência de qualquer surto activo em Cabo Verde, considerando graves e desproporcionais as abordagens adoptadas por meios de comunicação internacionais sobre alegadas mortes de turistas britânicos por infecção pela bactéria Shigella contraída no país.

Conforme as notícias veiculadas, as famílias de quatro cidadãos britânicos que morreram nos últimos meses de infecções gastrointestinais agudas contraídas durante férias na ilha do Sal querem processar o operador de viagens TUI, por ter vendido pacotes turísticos para unidades hoteleiras cujas falhas de higiene estarão na origem das infecções.

Para Jorge Figueiredo, toda esta polémica trata-se de processos de natureza jurídica, direccionados a entidades privadas. Acrescentou que, sendo a acusação dirigida a uma cadeia hoteleira privada, esta encontra-se obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias nacionais.

“O Ministério da Saúde não aceita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou instrumentalizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a boa imagem do país”, frisou.

Conforme referiu, do ponto de vista epidemiológico, os dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas à Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade.

“Trata-se de evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica (UK Health Security Agency – UKHSA, 2024)”, salientou.

O responsável pela pasta da saúde afirmou que os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes, frisando que, do ponto de vista técnico, a “mera coincidência” temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade.

Para Jorge Figueiredo, a determinação de nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa — elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.

O governante explicou que, logo que foram detectadas alterações, ainda que não na ilha do Sal, mas na Boa Vista, foram imediatamente accionadas todas as instituições competentes para, em conjunto, acompanhar a situação.

Segundo disse, desde finais de 2025 têm sido realizados encontros semanais, tanto na Boa Vista como no Sal, com vista a monitorizar a evolução do processo e a recomendar a adopção de medidas por parte do sector privado.

“Nós temos um programa de vigilância sanitária que está em contacto com todo o Sistema Nacional de Saúde, com todas as delegacias, e, como sabe, todos os casos, incluindo os de diarreia, são notificados obrigatoriamente. Portanto, os delegados de saúde sabem, a cada momento, qual é a situação”, assegurou.

Jorge Figueiredo informou que o Ministério da Saúde vai exigir que alguns órgãos de comunicação social internacionais, publiquem informações completas e adicionais sobre as acções desenvolvidas, com o objectivo de repor, a verdade dos factos.

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Autoria:Anilza Rocha,3 fev 2026 8:12

Editado porAndre Amaral  em  3 fev 2026 16:40

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