Carnaval 2026 enche Avenida Cidade de Lisboa de cor, tradição e mensagens de paz

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,18 fev 2026 10:34

Os grupos Amigos da Nenê, Mandingas da Ariah do Norte, Vindos d’África e Samba Jó desfilaram esta terça-feira no Carnaval Praia 2026, na Avenida Cidade de Lisboa, celebrando tradição, identidade e apelos à paz perante milhares de espectadores.

A folia instalou-se cedo, pois às 16:26 os Amigos da Nenê, grupo de animação proveniente dos Açores (Portugal), abriram o cortejo, aquecendo a avenida para uma noite de brilho e intensidade.

Logo depois, às 17:12, as Mandingas da Ariah do Norte tomaram conta do asfalto com tambores, tinta e simbolismo ancestral.

Marcando presença na avenida desde 2016, o grupo apresentou-se este ano com cerca de 50 elementos inscritos, embora apenas perto de 20 mandingas e batucadeiras tenham marcado presença devido a imprevistos.

O representante do grupo sublinhou que a mensagem que trouxeram à cidade é de paz.

“A mensagem é de paz, porque muitos jovens estão perdidos. Queremos paz na nossa cidade para brincarmos melhor”, ressaltou.

Em termos de concurso oficial, a energia cresceu com a entrada do grupo Vindos do Mar, representado por Amélia Monteiro, que levou para a avenida a lenda angolana da Quianda, divindade das águas venerada como sereia protetora de mares, rios e lagos.

Com 15 anos de presença no Carnaval, o grupo mobilizou cerca de 300 foliões, distribuídos por 10 alas e dois carros alegóricos repletos de cor.

O primeiro andor retratou uma aldeia onde um ancião interpretava sonhos ligados à Quianda, figura mítica associada à fé dos pescadores, e o segundo evocou a devoção à sereia, símbolo de proteção e esperança.

Apesar de um contratempo técnico com a porta-bandeira no início do desfile, Amélia Monteiro, responsável do grupo, mostrou-se confiante.

“O desfile não é só ganhar prémios, é divertir, sobretudo as crianças que sentem amor e folia por estarem na avenida”, disse.

O segundo grupo, os Vindos d’África, “incendiou” o ambiente com brilhos, luzes e aplausos entusiásticos do público.

A comissão de frente surpreendeu o júri com trocas de figurinos cheias de criatividade.

O grupo celebrou 40 anos de percurso, reuniu cerca de 400 participantes divididos em sete alas e exibiu um carro alegórico que homenageou a comunidade e o emblemático chafariz do Bairro Craveiro Lopes, inaugurado em 1954, marco do nascimento da localidade.

José Gomes, conhecido por “Breu”, responsável do grupo, fez um balanço confiante.

“O balanço é positivo. Chegámos, demos o nosso espetáculo habitual e estamos felizes”, afirmou o dirigente.

Sobre a pontualidade, frisou que “disciplina traz rigor”, valorizando a organização deste ano.

A noite culminou com a entrada “vibrante” do Samba Jó, sob o tema “África Minha, África Nossa”.

Fogos de artifício iluminaram a avenida enquanto mais de 400 integrantes desfilavam.

O grupo, com 12 anos de percurso, apresentou dois carros alegóricos dedicados à africanidade e à afirmação identitária.

O responsável do grupo, João Elias “Jó”, destacou a aceitação como principal mensagem levada ao público.

“Aceitação. Somos África, Cabo Verde é África”, realçou.

Apesar de um atraso provocado pelo rebentamento da roda do carro alegórico, o dirigente assegurou que o contratempo resultou do esforço do próprio grupo, que construiu o atrelado.

Entre tambores, aplausos e bandeiras erguidas, a avenida voltou a afirmar-se como palco maior da cultura popular, onde cada grupo desfilou com garra, orgulho e sentido de pertença, num Carnaval marcado por tradição, disciplina e forte apelo à paz.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,18 fev 2026 10:34

Editado porAntónio Monteiro  em  18 fev 2026 20:52

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