A garantia foi dada por Alexandre Monteiro durante a conferência de imprensa em que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, apresentou medidas para mitigar os impactos da subida internacional do petróleo na economia nacional. Segundo o governante, a situação do abastecimento de combustíveis no país é estável e não está condicionada pelos acontecimentos no Médio Oriente.
“Neste momento o país tem stock de todos os produtos em situação suficiente para o abastecimento e o processo de abastecimento decorre normalmente”, afirmou.
Alexandre Monteiro explicou que a logística de fornecimento de combustíveis a Cabo Verde não depende directamente da região onde se registam os actuais conflitos.
“A disponibilidade em termos de logística dos produtos comercializados e consumidos em Cabo Verde não é afectada pela logística do Médio Oriente, porque Cabo Verde importa da Europa do Norte, de África e da América Central”, disse.
Apesar disso, o ministro sublinhou que a crise internacional poderá ter impacto nos preços, uma vez que o mercado petrolífero funciona à escala global. De acordo com o governante, o conflito na região do Golfo afecta um dos principais corredores do comércio mundial de petróleo.
“O tráfego de produtos no estreito de Ormuz, que é um ponto sensível na zona do conflito, representa cerca de 20% a 25% do mercado global, daí a influência nos preços internacionais”, explicou.
O ministro apresentou também dados sobre a evolução recente do preço do petróleo, indicando que, após um período de relactiva estabilização no final de 2025 e início de 2026, os valores dispararam com o início da guerra.
Segundo explicou, o preço do barril passou rapidamente da ordem dos 70 dólares para mais de 80 dólares, tendo chegado a ultrapassar os 100 dólares antes de voltar a oscilar.
Estas variações, acrescentou, reflectem a incerteza nos mercados internacionais relactivamente à evolução do conflito e à possibilidade de interrupções no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz. Alexandre Monteiro recordou que os preços dos combustíveis em Cabo Verde são definidos mensalmente pela Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) com base na evolução dos preços internacionais.
Segundo explicou, a referência utilizada para o cálculo é a cotação do petróleo no mercado internacional, nomeadamente o índice Brent crude oil, que serve de base para a definição dos preços internos. Perante o actual cenário, o Governo criou uma equipa técnica para acompanhar permanentemente a evolução do mercado internacional de energia. Este grupo é coordenado pelo ministro da Indústria, Comércio e Energia e integra o secretário de Estado das Finanças, o diretor nacional de Energia, o administrador da ARME e especialistas nas áreas da energia e da fiscalidade. A missão da equipa é monitorizar diariamente o mercado internacional, avaliar os impactos potenciais nos preços internos e apresentar propostas de medidas de natureza regulatória, fiscal, económica ou administrativa para mitigar eventuais aumentos.
Segundo Alexandre Monteiro, a próxima atualização dos preços dos combustíveis ainda não foi definida, uma vez que o processo depende da evolução do mercado nas próximas semanas.
“O que vai acontecer no futuro será determinante para o preço que será fixado na próxima actualização”, explicou.
O governante recordou ainda que o país já enfrentou situações semelhantes, nomeadamente durante a crise energética associada à guerra na Ucrânia, quando o Governo adotou medidas para estabilizar os preços de alguns produtos. Entre os exemplos citados está o gás butano, considerado um produto essencial para o consumo doméstico.
“Na altura da crise da Ucrânia atuámos e estabilizámos o preço do gás num valor máximo suportável e não deixámos o preço aumentar para além desse limite”, afirmou.
Segundo o ministro, essa experiência demonstra que o país dispõe de instrumentos para reduzir o impacto de choques externos no mercado energético. Alexandre Monteiro indicou ainda que o gás continuará a merecer atenção especial por parte do governo devido ao seu peso no orçamento das famílias cabo-verdianas.
O governante acrescentou que, caso os aumentos internacionais se agravem, o Executivo poderá voltar a aplicar medidas semelhantes às utilizadas durante a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia. Entretanto, o acompanhamento do mercado continuará a ser feito de forma permanente e as eventuais medidas de mitigação serão anunciadas aquando da actualização dos preços dos combustíveis.
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