Na abertura do V Simpósio Científico-Cultural, o responsável afirmou que o país deve assumir uma cultura de maior exigência científica, institucional e profissional, sublinhando que o momento actual exige acção estruturada e visão estratégica.
“Medicina de qualidade exige ciência, ética e coragem institucional. Em contextos como o nosso, essa exigência é ainda mais relevante”, afirmou, destacando os desafios específicos de um país com limitações, mas com recursos humanos qualificados.
O bastonário considerou que a diáspora médica constitui uma das maiores reservas de conhecimento do país e deve ser integrada de forma prática e estratégica no sistema nacional de saúde.
“Não se trata apenas de reconhecer o mérito dos nossos profissionais no exterior. Trata-se de criar pontes efetivas para esse capital humano de grande importância que nós temos”, reiterou.
Ao longo da intervenção, Francisco Amado insistiu na necessidade de consolidar “uma verdadeira cultura de qualidade e segurança do doente”, baseada em protocolos, auditorias, formação contínua e responsabilização institucional.
“A qualidade não pode ser vista como um luxo reservado a sistemas mais ricos. Pelo contrário, em contextos de maior limitação, a qualidade é ainda mais necessária porque permite usar melhor os recursos, reduzir desperdícios e prevenir complicações”, afirmou.
O responsável defendeu ainda que o sistema de saúde deve apostar na melhoria contínua, sustentada por dados, investigação científica e avaliação rigorosa, alertando que não haverá progresso sem investimento consistente no conhecimento.
“Não haverá sistema de qualidade sem profissionais preparados. Não haverá melhoria sustentada sem dados, sem reflexão crítica e sem produção de conhecimento”, afirmou.
Na mesma linha, destacou que a valorização dos médicos é condição indispensável para garantir qualidade assistencial e inovação no sector, indo além da dimensão remuneratória.
“Não há qualidade assistencial sem médicos valorizados. Não há compromisso duradouro com a excelência se os profissionais não forem respeitados, apoiados e integrados num projeto institucional sério”, defendeu.
O bastonário apelou ainda à construção de uma cadeia coerente no sector da saúde, centrada na formação, investigação e melhoria dos cuidados prestados à população.
“Precisamos consolidar uma cadeia coerente: ensinar melhor, treinar melhor, investigar melhor, avaliar melhor e cuidar melhor”, afirmou.
Reconheceu por outro lado que o sector da saúde, a par da educação, é dos sectores que mais evoluíram nos 50 anos da independência de Cabo Verde.
O V Simpósio Científico-Cultural reúne profissionais de saúde nacionais e da diáspora para debater temas como integração no sistema de saúde, oncologia, segurança do doente, erros hospitalares e formação médica, com enfoque na qualidade e nos desafios do sector.
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