PJ investiga esquema de burlas através de páginas falsas de vendas nas redes sociais

PorEdisângela Tavares,19 mai 2026 12:34

A Polícia Judiciária (PJ) alertou hoje para o aumento da prática do crime de burla através de plataformas digitais, mediante a criação de páginas falsas de venda online nas redes sociais, como Facebook e Instagram.

Segundo a PJ, a prática criminosa está a ser investigada pela Brigada Central de Investigação e Combate ao Cibercrime e Terrorismo (BCICCT), na sequência de várias denúncias e do número crescente de vítimas registadas em diferentes ilhas do país.

De acordo com as autoridades, algumas das páginas já identificadas no âmbito deste esquema fraudulento utilizam designações como “Móveis Krioulo” e “Móveis de Nós Terra”, entre outras.

Num comunicado , a PJ explicou que os burladores criam páginas falsas de vendas online, onde anunciam viaturas, móveis, electrodomésticos, telemóveis, computadores, tablets e outros produtos a preços considerados extremamente atractivos, com o objectivo de captar compradores.

Após o primeiro contacto, os suspeitos fornecem informações detalhadas sobre os produtos, transmitindo uma aparência de profissionalismo e credibilidade para conquistar a confiança das vítimas.

Numa segunda fase do esquema, segundo a PJ, os burladores exigem o pagamento antecipado de 50 por cento do valor do produto, alegando tratar-se de uma garantia de reserva, ficando o restante montante para ser pago no acto da entrega.

Depois de efectuadas as transferências bancárias, os suspeitos começam a apresentar sucessivos adiamentos e justificações relacionadas com alegados problemas de transporte inter-ilhas, documentação de embarque ou outros constrangimentos logísticos, acabando posteriormente por deixar de responder às vítimas e bloquear todos os canais de contacto.

A PJ indicou que muitas vítimas só se apercebem da burla depois de perderem o dinheiro transferido sem receberem os produtos adquiridos.

O comunicado alerta ainda para outra vertente do esquema, relacionada com falsas ofertas de emprego na “área financeira”, divulgadas através destas páginas fraudulentas. Segundo a investigação, os criminosos recrutam pessoas para supostas funções financeiras associadas às falsas empresas de venda online, pedindo-lhes que disponibilizem dados bancários e recebam transferências nas suas contas para posterior reenvio através de serviços como Western Union ou MoneyGram.

A PJ explicou que estas pessoas acabam igualmente por ser vítimas do esquema, sendo utilizadas pelos burladores para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas burlas.

A instituição revelou também que os autores destas práticas têm recorrido à clonagem de páginas legítimas de venda online, utilizando imagens, nomes e conteúdos semelhantes aos das empresas verdadeiras, aumentando assim a aparência de autenticidade das páginas fraudulentas.

Perante o aumento deste tipo de criminalidade, a Polícia Judiciária de Cabo Verde recomendou à população que desconfie de preços excessivamente baixos, evite pagamentos antecipados sem garantias seguras, confirme a autenticidade das páginas e vendedores e não disponibilize contas bancárias a terceiros para movimentação de dinheiro.

A PJ apelou ainda à denúncia imediata de situações suspeitas através da linha gratuita 134 e garantiu que continua a trabalhar activamente na investigação destes casos, reforçando o apelo à prudência e vigilância nas compras realizadas através das plataformas digitais.

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Autoria:Edisângela Tavares,19 mai 2026 12:34

Editado porEdisângela Tavares  em  19 mai 2026 14:57

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