“Quando há vários navios, é impossível ir a todos e com esta ferramenta podemos ver muitos barcos num curto espaço de tempo e ter provas do que está a acontecer. É muito útil”, explica o capitão-de-corveta Ángel García Estrada, comandante do Furor.
Há dias, foi graças ao 'drone' (aeronave não tripulada) que o navio detetou barcos de pesca ilegal, quando passou perto do continente.
“Estavam a pescar sem transmissor [de identificação] ligado e, quando fomos ao navio, não tinham licença. Então, notificámos os países, Senegal e Mauritânia, do que se passava nas suas águas. Graças às imagens do 'drone'”, exemplificou.
As câmaras de alta definição e o modo silencioso permitem ver que tipo de peixe estão a apanhar – num caso era tubarão, cuja pesca é proibida –, quantas pessoas estão a bordo, com que redes e equipamentos, sem que ninguém dê conta de que estão a ser observados.
Noutra situação, ao largo da Guiné-Conacri, foi identificado um problema de poluição marítima.
O combate ao narcotráfico, tráfico de pessoas e pirataria também estão nos objetivos destas vigilâncias coordenadas.
O comandante falava a bordo do navio espanhol que hoje recebeu autoridades militares e de segurança cabo-verdianas, além de representantes de outros países, para uma viagem de quatro horas em que foi demonstrado o 'drone' M5D Airfox, com 2,4 metros de largura de asas e pouco mais de um metro de profundidade.
As asas estão cobertas de painéis solares e, já com a hélice elétrica ligada, o aparelho foi lançado com uma catapulta do convés principal do navio, mas também pode ser lançado à mão e em terra.
Em segundos, desaparece no céu: é controlado por um comando como o de uma consola de jogos, através de dois ecrãs que mostram em tempo real a posição no mapa de um lado e a imagem ao vivo da câmara, do outro.
A capacidade de vigilância estende-se por um raio de 35 quilómetros e suporta ventos fortes.
Após uma passagem pela Cidade Velha, o 'drone' recebe ordem de regresso ao barco, onde é erguida uma rede contra o qual é atirado e guardado até uma nova missão.
“Pensamos que este equipamento se encaixa no perfil de países como Cabo Verde”, referiu Bruno Lima, diretor da área de 'drones' na Marine Instruments, empresa de Vigo que fabrica estes aparelhos elétricos ultraleves (4,5 quilogramas) e com autonomia para 10 horas num país soalheiro.
Usar helicópteros, avionetas, com toda a sua complexidade, manutenção e combustíveis, “são alternativas muito mais caras”, explicou Bruno Lima.
O conjunto Airfox apresentado, com três modelos e acessórios, tem um preço de 500 mil euros e pode ser controlado por dois operadores, aptos a utilizá-lo após formação de duas semanas.
“Cabo Verde já foi escolhido para uma medida de assistência do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (MEAP), decidiu-se comprar um navio, aquisição que está em em processo” e tudo se encaminha para um segundo apoio, referiu Ana Paredes Prieto, embaixadora de Espanha em Cabo Verde.
A diplomata acredita que nessa nova medida “haverá fundos suficientes para desenvolver a capacidade de vigilância de Cabo Verde através de 'drones'”.
“É melhor pensar em 'drones' do que helicópteros, porque economicamente é mais acessível. É o que estamos a fazer na Armada Espanhola e quisemos partilhar com Cabo Verde”, descreveu.
Elton Rocha, diretor nacional de Defesa de Cabo Verde, referiu à Lusa que, “por ser um meio acessível, é certamente uma nova realidade de aquisição para o Ministério da Defesa”.
As autoridades cabo-verdianas estão a trabalhar “para conseguir mais uma medida [de assistência] e propor a aquisição de 'drones'”, por terem perfil para “concretizar as missões que são destinadas às Forças Armadas”, concluiu.
Entretanto, o Airfox continuará a fazer vigilância e um dos próximos passos será adicionar câmaras de infravermelhos para poder fazer missões noturnas.
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