Segundo o investigador e docente da Uni-CV, Francisco Silva, a iniciativa abrange todo o ciclo da agricultura de precisão, desde a recolha de imagens por teledeteção até ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial capazes de identificar culturas e interpretar dados agrícolas.
“Este projecto envolve a recolha de um conjunto de dados e informações que, depois de trabalhados e processados, nos permitem tomar decisões mais informadas. Recolhemos informação no campo em tempo real, utilizando drones e também a observação directa. A análise desses dados ajuda-nos a decidir, por exemplo, que cultura deve ser cultivada num determinado local, tendo em conta fatores como a disponibilidade de água. Os dados recolhidos no terreno pelos drones, quando tratados com recurso à inteligência artificial, fornecem-nos elementos importantes para decidir o que fazer e como fazer, permitindo uma utilização mais eficiente da água”, explica.
Francisco Silva afirma que a tecnologia não resolve, por si só, todos os problemas da agricultura, mas pode ajudar a criar novas oportunidades para o desenvolvimento do setor.
“Nós nunca podemos dizer que é uma solução, mas é um caminho que nos abre a porta para diversas janelas de oportunidades. Conjugado com a inteligência artificial, podemos ter bons resultados que nos poderão dar uma orientação para onde podemos ir”, afirma.
O projeto está atualmente numa fase de testes no terreno, dando seguimento ao trabalho realizado em laboratório.
Nesta etapa, segundo o docente, os drones e os sistemas de inteligência artificial são utilizados para analisar dados antes da formulação de recomendações destinadas aos agricultores.
“Nós, primeiramente, antes de irmos diretamente ter com o agricultor e dizer que tem de fazer assim, assado ou frito, primeiro precisamos de ter os dados, precisamos de testar o sistema, a aplicação, para depois podermos dizer ao agricultor: este é o caminho ou aquele é o caminho. Só podemos avançar junto do agricultor depois de provarmos que é assim. Fazemos experiências, fazemos testes, ainda que seja na propriedade do agricultor, para depois podermos auxiliar na tomada de decisão”, realça.
A iniciativa integra o projeto AP-BYTE, um programa internacional que promove a agricultura de precisão e a resiliência às alterações climáticas.
O projeto é financiado pela União Europeia e envolve instituições de ensino superior de Cabo Verde e das Canárias.
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