FICASE desafiada a trocar burocracia por resultados

PorAnilza Rocha,13 set 2026 9:15

A nova administração da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (FICASE) inicia funções com o desafio de tornar a instituição mais rápida, próxima e focada nos resultados. Na tomada de posse dos novos membros do Conselho Directivo, o presidente da instituição, José Carlos Brito, apresentou como prioridades o conhecimento da estrutura, a auscultação dos profissionais e parceiros e a avaliação dos programas, enquanto o ministro da Educação, Arnaldo Brito, pediu menos burocracia e mais respostas para alunos e famílias.

A cerimónia de tomada de posse, realizada esta sexta-feira, 4 de Setembro, contou com a presença do ministro da Educação, Formação Profissional, Ensino Superior, Ciência e Inovação.

José Carlos Brito assumiu a presidência da FICASE ressaltando que recebe a função com “honra e responsabilidade” e com o compromisso de servir. Para o novo responsável, a missão da instituição vai além da gestão de programas e recursos, devendo garantir que as condições sociais e económicas das famílias não impeçam uma criança ou jovem de estudar.

“A nossa missão deve estar cada vez mais próxima das crianças, dos jovens, das famílias, das escolas e das comunidades”, defendeu.

Nos primeiros tempos de gestão, o presidente do Conselho Directivo disse que pretende conhecer melhor a instituição, acompanhar as suas estruturas, ouvir os profissionais e parceiros e avaliar de forma rigorosa a execução dos programas. A prioridade imediata passa também por garantir a continuidade e a qualidade das respostas de acção social escolar, sobretudo no início do novo ano lectivo.

Entretanto, José Carlos Brito quer que a FICASE prepare também o futuro. Defendeu, por isso, uma instituição “mais moderna, mais eficiente, mais transparente, mais digitalizada e mais orientada para os resultados”.

Neste sentido, apontou a necessidade de melhorar o planeamento, acompanhar as acções no terreno, cumprir os prazos e prestar contas. Disse ainda que será necessário reforçar a capacidade da instituição e valorizar os seus trabalhadores.

O novo presidente destacou também a importância dos parceiros. Segundo explicou, a FICASE não consegue cumprir a sua missão sozinha, sendo necessária a colaboração entre o Estado, municípios, escolas, universidades, sociedade civil, sector privado e organismos internacionais.

A nova gestão pretende, por isso, reforçar as parcerias existentes e criar novas formas de cooperação que permitam mobilizar recursos, conhecimento, inovação e novas oportunidades para os beneficiários e as suas famílias.

Na mesma cerimónia, o ministro da Educação, Arnaldo Brito, deixou uma mensagem clara à nova administração: a FICASE deve mudar a forma como trabalha e colocar os resultados no centro da sua acção.

“Não queremos uma instituição burocrática. Queremos uma instituição que resolva. Não queremos processos que se eternizem. Queremos respostas que cheguem a tempo”, afirmou.

" Inicio de um novo ciclo"

O ministro disse que a entrada em funções dos novos responsáveis marca o início de um novo ciclo e pediu “ambição, liderança, rigor, transparência, inovação e resultados”. Na sua perspectiva, as decisões e os programas do Governo devem produzir mudanças concretas na vida das pessoas e não ficar apenas em documentos, procedimentos e reuniões.

Arnaldo Brito lembrou que a FICASE tem um papel importante na política de educação, por apoiar crianças e famílias e ajudar a garantir o direito à educação. Sublinhou que colocar uma criança na escola não basta. É preciso criar condições para que permaneça, aprenda, avance e conclua o seu percurso escolar.

Neste sentido, defendeu que a acção social escolar deve ser vista como parte da resposta aos problemas que podem levar ao abandono ou ao insucesso. A alimentação escolar, por exemplo, não deve ser vista apenas como fornecimento de refeições, mas como uma forma de criar melhores condições para a criança estar na escola e aprender.

O ministro quer também que a FICASE esteja mais perto das escolas e das famílias. “Proximidade” significa, segundo explicou, conhecer os problemas, perceber as necessidades, antecipar dificuldades e dar respostas eficazes.

Uma das principais mudanças defendidas por Arnaldo Brito é a passagem de uma “lógica do procedimento” para uma “lógica do resultado”. Para o ministro, a administração não deve limitar-se a saber se os processos foram cumpridos, mas deve perguntar que efeito tiveram na vida dos alunos.

“Que diferença fizemos na vida dos nossos alunos?”, questionou, apontando exemplos que devem orientar a avaliação da instituição: quantas crianças foram apoiadas, quantas conseguiram permanecer na escola, quantas famílias foram alcançadas e onde continuam a existir desigualdades.

O ministro defendeu ainda que a FICASE tenha mais autonomia, mas também mais responsabilidade. A autonomia, explicou, deve estar ligada a objectivos claros, recursos adequados, boa gestão, resultados e prestação de contas.

A nova administração terá espaço para “inovar, propor, experimentar”, mas, segundo Arnaldo Brito, terá de medir o que faz, perceber “o que funciona e o que não funciona”, corrigir e prestar contas dos resultados.

O ministro defendeu ainda uma mudança na forma de avaliar o trabalho da instituição.

“A pergunta que deve orientar a nova administração não pode ser apenas: cumprimos os procedimentos? Deve ser: que diferença fizemos na vida dos nossos alunos?”, destacou.

A nova administração da FICASE é composta, além de José Carlos Brito, por Celisa Eunice Pinto Semedo e Vasco Manuel Spínola, que assumem as funções de administradores executivos.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1293 de 09 de Setembro de 2026.

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Autoria:Anilza Rocha,13 set 2026 9:15

Editado porEdisângela Tavares  em  13 set 2026 13:32

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