British International School Cabo Verde abre portas com 52 alunos

PorAndré Amaral,20 set 2026 13:28

A British International School Cabo Verde foi inaugurada esta terça-feira, na Praia, com 52 alunos e uma proposta educativa baseada no currículo Cambridge International, leccionado integralmente em inglês. A nova escola privada pretende oferecer uma formação de padrão internacional e começa por receber crianças dos três aos 11 anos, estando prevista para o próximo ano a expansão da oferta até aos 15 anos.

A escola inicia a actividade com 52 estudantes e uma equipa docente internacional. Dois ou três professores são cabo-verdianos, enquanto os restantes foram recrutados no estrangeiro. As turmas terão uma dimensão reduzida: no grupo dos três e quatro anos serão admitidos no máximo 12 alunos, enquanto nas restantes classes o limite é de 16 estudantes.

O currículo adoptado é o Cambridge International Curriculum, utilizado, segundo William Arthur, fundador e director executivo da escola, por mais de 10 mil escolas em 162 países. Os alunos estudam cerca de 11 disciplinas, todas em inglês, incluindo Matemática, Inglês, TIC, literacia digital e bem-estar. Além disso “há aulas de português três vezes por semana”.

A aposta passa também pelo desenvolvimento de competências como curiosidade e pensamento crítico. Para o fundador, uma das principais vantagens do currículo internacional é permitir uma transição mais simples para estudantes que, no futuro, mudem de país.

“Se uma criança passar daqui para a Noruega, Inglaterra, Brasil ou Boston, e for para uma escola Cambridge, não existe uma verdadeira transição no currículo. É exactamente o mesmo”, explicou.

A escola integra ainda a comunidade do Council of British International Schools e, segundo Arthur, está sujeita a padrões específicos de ensino, saúde e segurança e protecção das crianças.

“Não podemos comprometer essas coisas”, sublinhou.

A criação da instituição resulta de conversações que, segundo o fundador, decorreram durante vários anos sobre a possibilidade de instalar em Cabo Verde uma escola britânica. O processo ganhou novo impulso com a intervenção da Embaixada do Reino Unido.

“Eu acredito que havia uma necessidade”, afirmou William Arthur, explicando que a embaixadora britânica em Cabo Verde, Lisa Bandari, decidiu assumir o projecto como uma prioridade e procurou um parceiro para o concretizar.

Bandari considera a abertura da escola uma “grande conquista” e enquadra a iniciativa no reforço da cooperação entre Cabo Verde e Reino Unido.

“Era a visão do Governo para trazer para aqui a educação inglesa, a britânica”, afirmou a diplomata, destacando a reputação internacional do sistema educativo britânico e a oportunidade de proporcionar às crianças cabo-verdianas acesso a esse modelo.

A embaixadora salientou também a importância da língua inglesa na ciência, diplomacia e negócios internacionais. “Sabemos a importância da língua inglesa. Abre portas”, afirmou.

Segundo Lisa Bandari, a abertura da escola constitui mais um passo numa relação bilateral que já conta com uma forte componente educativa, nomeadamente através de bolsas para mestrados em universidades britânicas.

“Queremos também aprofundar esta parceria na educação”, afirmou.

A diplomata esclareceu, contudo, que a British International School Cabo Verde é uma iniciativa privada e não está ligada ao Ministério da Educação. O Governo cabo-verdiano, explicou, apoiou e facilitou o processo de instalação da escola, permitindo que o projecto fosse concretizado em cerca de um ano.

O apoio britânico poderá, no entanto, estender-se para além da escola privada. Bandari afirmou existir interesse em apoiar o ensino da língua inglesa de forma mais abrangente em Cabo Verde, incluindo nas escolas públicas.

Para William Arthur, a nova escola pretende afirmar-se como uma instituição verdadeiramente internacional, tanto pelo currículo como pelo corpo docente e pelos padrões de funcionamento.

As propinas para os cidadãos cabo-verdianos começam nos 300 euros mensais, o valor mais baixo da estrutura definida pela escola. Os estudantes estrangeiros pagam valores superiores e existem ainda tarifas diferenciadas para empresas, instituições, patrocinadores e embaixadas. Segundo o fundador, esta estrutura pretende permitir que os cabo-verdianos beneficiem de um custo mais baixo.

Com 52 alunos no arranque e planos para ampliar a oferta educativa no próximo ano, a British International School Cabo Verde inicia assim uma nova etapa no ensino privado do país. Ao mesmo tempo, a questão do abastecimento de água surge como o primeiro desafio concreto colocado pelo fundador de uma instituição que pretende cumprir padrões internacionais de ensino, saúde e segurança.

Dificuldades

Mas, no arranque da instituição, uma dificuldade de infraestrutura chamou a atenção: o acesso à água. O fundador e director executivo da escola, William Arthur, revelou que, nos cerca de dois meses em que se encontra em Cabo Verde, as instalações tiveram água corrente apenas em duas ocasiões.

“Tenho estado aqui há dois meses e só vi a água correr duas vezes”, afirmou. Segundo explicou, numa das ocasiões o abastecimento durou cerca de uma hora e, na outra, uma noite.

A situação, segundo o responsável, constitui uma preocupação particular para uma escola, onde as condições de higiene e segurança são essenciais.

“Para uma escola, é um pouco desafiante. A higiene é importante, a saúde e a segurança são importantes”, afirmou William Arthur.

O fundador disse ainda não compreender a diferença entre a situação da escola e a de zonas próximas, onde, segundo relatou, o abastecimento acontece duas ou três vezes por semana. “De alguma forma, por alguma razão, a água não chega aqui”, afirmou, deixando um apelo directo à empresa responsável pelo abastecimento: “Se alguém da empresa de água estiver a ouvir, por favor, venha dar-nos água”.

Apesar deste constrangimento, Arthur garantiu que a falta de água é, até ao momento, a principal dificuldade encontrada na instalação da escola. “Além disso, não tivemos desafios. Tudo o resto é brilhante”, afirmou.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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Autoria:André Amaral,20 set 2026 13:28

Editado porAnilza Rocha  em  20 set 2026 17:19

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