A presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada disse que a “elevadíssima” taxa de abstenção corresponde a um total de 118 mil cabo-verdianos e a não satisfação de algumas expectativas dos cabo-verdianos estão na base da derrota do seu partido nas eleições de 20 de Março.
Janira Hopffer Almada fez este reconhecimento esta tarde na Cidade da Praia à margem da primeira reunião do partido que vai decorrer durante este fim-de-semana, na Assembleia Nacional.
O primeiro encontro depois da derrota nas eleições legislativas, tem por objectivo a análise dos resultados dos escrutínios de 20 de Março e o dossiê sobre as eleições autárquicas que deverão acontecer no segundo semestre de 2016.
De acordo com a líder do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV) a “elevadíssima” taxa de abstenção registada nas eleições de 20 de Março contribui para a derrota do seu parido, que, ao seu ver, deve interpelar a classe política, tendo em conta que 118 mil cabo-verdianos não se reviram em nenhuma das propostas e nem se identificaram com nenhuma força política, considerando a situação de um “grande desafio” para a classe política.
Apontou ainda como outro motivo da derrota a não satisfação de muitas expectativas dos cabo-verdianos por parte do seu partido que esteve governo nos últimos 15 anos, com ênfase no último mandato, justificando que “as ambições são cada vez maior, os sonhos são hoje mais profundos” decorrentes do próprio desenvolvimento do país.
Para a candidata derrotada do PAICV, apesar desta “não satisfação” da população, é de reconhecer que, com “toda humildade”, Cabo Verde mudou muito de 2001 a esta parte.
Destacou que os cabo-verdianos também reconhecem “as obras, os ganhos da governação do PAICV.
Em relação a esta “elevadíssima” taxa de abstenção, que considerou como um “desafio”, assumiu iniciar-se uma nova fase “de proximidade, de um grande diálogo" com o eleitorado e sociedade cabo-verdiana em geral, para que se possa “ter menos abstenção e mais participação cívica e para que todos possam se identificar com alguma proposta ou se rever com alguma força política”.
“O PAICV sempre teve muita responsabilidade, nós não podemos esquecer que, apesar da derrota, 86 mil cabo-verdianos acreditaram no projecto do PAICV, valorizaram as ideias que foram apresentadas e as propostas que foram socializadas”, sublinhou, informando que estão a analisar quais foram as “forças e fraquezas” do partido para as corrigir, mas sobretudo preconizando o caminho do futuro.
De momento avançou que o seu partido está concentrado na construção dos caminhos do futuro e assumir o papel da oposição com “toda dignidade e responsabilidade”, reafirmando que enquanto líder do PAICV vai fazer de tudo para propiciar uma oposição “construtiva” e, sobretudo, “colocar Cabo Verde em primeiro lugar”.
“Eu não pretendo liderar uma oposição que tenha por missão vetar as propostas da maioria. Nós queremos criar as condições para que absolutamente todas as promessas ou compromissos sejam efectivamente realizados”, garantiu.
Acrescentou que entendem que os cabo-verdianos quiseram votar no projecto apresentado pelo partido que é “maior adversário” do PAICV em Cabo Verde, afiançando que estarão no Parlamento para fiscalizarem o cumprimento das promessas e compromissos.
A fiscalização, observou, vai ter como foco alguns dos compromissos que, segundo disse, já foram assumidos pelo primeiro-ministro indigitado.
Em relação ao novo Governo disse que a avaliação não cabe ao seu partido, mas ao povo que, conforme sublinhou, “é soberano”.
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