Presidente da República pede às Forças Armadas que reforcem relações com a sociedade

PorExpresso das Ilhas,16 jan 2017 7:41

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, pediu domingo às Forças Armadas cabo-verdianas que adoptem uma "atitude e medidas" que reforcem as relações com a sociedade, numa "simbiose permanente" baseada no respeito e na confiança.

 

"Um importante aspecto a ter sempre em conta é o relacionamento que deve ser o mais cordial e respeitoso possível, com a sociedade", sustentou Jorge Carlos Fonseca, que discursava, na cidade da Praia, no ato comemorativo do 50º aniversário das Forças Armadas cabo-verdianas.

Segundo o chefe de Estado, as relações das Forças Aramadas com a sociedade devem ser reforçadas, nomeadamente com a realização de actividades militares e desportivas, com a participação da população e da sociedade civil.

Os 50 anos assinalam o dia em que, em 1967, em Cuba, os elementos do núcleo fundador das Forças Armadas de Cabo Verde prestaram juramento perante o líder histórico da Independência Amílcar Cabral.

Em 1988, o Governo fixou o dia 15 de Janeiro como Dia das Forças Armadas cabo-verdianas.

Para o Presidente da República, que é também Comandante Supremo das Forças Armadas, a instituição castrense tem "correspondido às obrigações", apesar de considerar que ainda existem "dificuldades e limitações".

Jorge Carlos Fonseca disse que vai continuar a empenhar-se para que sejam criadas condições que assegurem que o processo de reestruturação e modernização das Forças Armadas atinja os objectivos preconizados, bem como para a profissionalização de Praças, Sargentos e Oficiais.

"O objectivo desse processo é contribuir para que cada membro das Forças Armadas, mais do que um cidadão fardado, seja um verdadeiro profissional pronto a cumprir escrupulosamente a sua nobre missão", sublinhou.

O mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana pediu ainda que sejam adoptadas "medidas concretas" no sentido do cumprimento do Serviço Militar Obrigatório.

As Forças Armadas cabo-verdianas assinalam este ano o 50º aniversário após 2016 ter ficado marcado pela morte, em Abril, de oito militares e três civis, no posto de Monte Tchota, interior da ilha de Santiago, às mãos de um soldado do mesmo destacamento.

O incidente pôs a descoberto as fragilidades da instituição, nomeadamente ao nível das comunicações, dos critérios de recrutamento e das condições nos quartéis.

O Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA), Anildo Morais, que assumiu o comando da instituição após os acontecimentos de Monte Tchota, disse que as Forças Armadas enfrentaram e estão a ultrapassar essa situação.

"O ano de 2016 ficou marcado pelos acontecimentos de Monte Tchota que abalaram o país e as estruturas das Forças Armadas. Contudo, com a força anímica que caracteriza os militares, temos vindo a enfrentar esta situação e, hoje, sentimos que estamos a ultrapassar essa grande dor", sustentou.

Anildo Morais caracterizou os 50 anos das Forças Amadas cabo-verdianas como um "marco histórico" para a instituição e para o país e considerou que "se cumpriu" o juramento dos elementos do núcleo fundador.

Quanto aos desafios do futuro, apontou a nova reestruturação, com melhorias na gestão dos recursos humanos e revisão do Estatuto dos Militares, melhoria das condições de vida e de trabalho e dotar as Forças Armadas de maiores capacidades operacionais.

Afirmando que as Forças Armadas vão continuar a ser um instrumento do esforço colectivo e de reforço da unidade nacional e da democracia, o CEMFA disse, porém, que é preciso o "esforço activo e permanente de todos" para que o país seja cada vez mais seguro.

O ato central das comemorações do 50º aniversário das Forças Armadas cabo-verdianas foi realizado na Avenida Cidade de Lisboa, a maior da cidade da Praia, e na presença das mais altas entidades do Estado, corpo diplomático, militares na reserva e na reforma e muitos civis.

A cerimónia, em que o Presidente da República condecorou alguns militares, terminou com um desfile dos mais diversos ramos das Forças Armadas cabo-verdianas, acompanhados por um grupo da marinha brasileira, convidado especial nas comemorações.

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Autoria:Expresso das Ilhas,16 jan 2017 7:41

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 jan 2017 9:12

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