Governo anuncia reestruturação da imprensa nacional para produzir documentos oficias

PorExpresso das Ilhas,16 nov 2017 16:52

A Imprensa Nacional de Cabo Verde vai ser reestruturada e dotada de uma gráfica de segurança, que lhe permitirá passar a produzir localmente passaportes e outros documentos oficiais até agora feitos em Portugal, anunciou hoje fonte oficial.

 

O anúncio foi feito na abertura do XII Fórum das Imprensas Oficiais de Língua Portuguesa pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire.

O encontro junta até sábado, na cidade da Praia, representantes de imprensas de Cabo Verde, Portugal, Angola, Moçambique e Brasil e realiza-se pela primeira vez num país africano.

"A imprensa nacional deve ser o órgão produtor dos documentos oficiais da República, passaportes, bilhetes de identidade e outros documentos oficiais e transformar-se numa referência regional na produção segura de documentos oficiais", defendeu Fernando Elísio Freire.

O Governo definiu, por isso, segundo Fernando Elísio Freire, "até ao final do ano para completar a reestruturação dos recursos humanos e iniciar imediatamente o processo de reestruturação da imprensa nacional", onde trabalham 60 pessoas.

A reestruturação implicará investimentos em infraestruturas, tecnologias e recursos humanos, de acordo com o ministro.

"O nosso objectivo é uma imprensa que seja uma gráfica de segurança, com recursos humanos altamente qualificados e que forneça o jornal oficial de forma gratuita e universal. Deve focar-se na edição e publicação do boletim oficial, na gráfica de segurança, na edição de obras de interesse público, científico e cultural e retira-se do mercado da gráfica tradicional", acrescentou.

Clotilde Monteiro, presidente do Conselho de Administração da Imprensa Nacional de Cabo Verde, sublinhou, na sua intervenção, "os investimentos avultados" necessários para a criação da gráfica de segurança e para avançar com a produção interna de documentos.

Cabo Verde imprime actualmente os seus passaportes, bilhetes de identidade e outros documentos de segurança em Portugal.

Duarte Azinheira, da Imprensa Nacional - Casa da Moeda de Portugal (INCM) destacou a importância da cooperação técnica entre as várias imprensas dos países lusófonos proporcionada pelo fórum, que se vem realizado desde 2000 alternadamente em Portugal e no Brasil.

"Este fórum é sobretudo de cooperação técnica, onde os países que têm a questão dos jornais oficiais mais desenvolvida e avançada podem transmitir exemplos e formas de resolver os problemas", disse.

O responsável pela área de publicações da INCM sublinhou também a importância da cooperação cultural e no domínio editorial, dando como exemplo a criação recente do prémio literário Arnaldo França em parceria com a Imprensa Nacional de Cabo Verde.

"Em Portugal, a INCM tem funções também de editora pública de preservação da língua e da cultura portuguesas. Algumas imprensas brasileiras têm essas funções também e Cabo Verde quer assumir essas funções. Esta área cultural e de edição de livros vai ter um grande reforço no futuro", disse.

Adiantando que todos os documentos de segurança em Portugal são feitos pela INCM, Duarte Azinheira explicou que, em Portugal, são também impressos os documentos de outros países lusófonos, nomeadamente Cabo Verde.

"Cerca de 10% das receitas da INCM vêm da exportação e é uma área que vai ser muito desenvolvida no futuro. A INCM tem competências muito importantes e produz documentos ao nível do melhor que há no mundo. É uma área que tem grande margem para exportação e os primeiros mercados são sempre os de língua portuguesa", disse.

Organizado pela Imprensa Nacional de Cabo Verde, o Fórum pretende promover uma reflexão sobre os desafios que se colocam às imprensas oficiais, bem como discutir as melhores práticas em matéria de disponibilização aos cidadãos de conteúdos legislativos, jurisprudenciais e doutrinários.

A Imprensa Nacional de Cabo Verde (INCV) foi criada há 175 anos com a instalação de uma tipografia na ilha da Boavista, onde funcionava então a sede do Governo.

Passou depois pela ilha Brava até se instalar definitivamente na cidade da Praia.

O primeiro Boletim Oficial do Governo foi publicado a 24 de agosto de 1842.

Desde 2008, o boletim oficial tem uma versão electrónica e está disponível gratuitamente.

 

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Autoria:Expresso das Ilhas,16 nov 2017 16:52

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 nov 2017 16:47

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