Djarmai: Um tesouro por descobrir

PorDulcina Mendes,17 set 2014 16:04

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Dizer que o Maio é a jóia da coroa é mais do que uma metáfora. Vista do ar (e se nunca reparou, preste mais atenção da próxima vez que voar para lá) a ilha parece mesmo uma peça de ourivesaria, com as areias cor de ouro e o mar que varia de tonalidade, entre o verde-esmeralda e o azul safira. Em terra, todos estes matizes podem ser confirmados e explorados.

Dizer que o Maio é a jóia da coroa é mais do que uma metáfora. Vista do ar (e se nunca reparou, preste mais atenção da próxima vez que voar para lá) a ilha parece mesmo uma peça de ourivesaria, com as areias cor de ouro e o mar que varia de tonalidade, entre o verde-esmeralda e o azul safira. Em terra, todos estes matizes podem ser confirmados e explorados.

 

O compositor maiense, Adalberto Silva (Betú) cantou-a como mais ninguém: “Maio nha terra sabi, nha gente ca conche nenhum maldade”. O Maio, faz parte do conjunto das ilhas mais orientais do arquipélago, juntamente com o Sal e a Boa Vista, e, tal como as ‘irmãs’, foi amaciada pelos ventos alísios. Assim surgiram as paisagens que pintam o território, as areias brancas, as praias quase nunca frequentadas e a infinidade de lugares secretos que urge descobrir. 

A ilha do Maio é uma jóia, mas uma jóia ainda em bruto no espectro do turismo em Cabo Verde. Foram construídos alguns pequenos hotéis e, segundo as últimas informações, prepara-se para acolher e desenvolver alguns projectos hoteleiros ou de imobiliária turística.

Por outro lado, muito do charme do Maio está também nesta fase quase que inexplorada. Por isso vale mesmo a pena a viagem, mesmo que por alguns dias, para ficar a conhecer ao vivo a qualidade da paisagem, com as suas salinas, as pequenas mas deliciosas enseadas, a sua floresta de acácias, a mais compacta de todo o arquipélago e, naturalmente, as suas gentes, sempre animadas e acolhedoras.

O Maio tem cerca de sete mil habitantes, espalhados pelos seus 265 km2. Da Praia, chegamos a Porto Inglês em cerca de 10 minutos, de viajarmos de avião. De barco demora-se mais ou menos uma hora.

A Igreja de Nossa Senhora da Luz é o cartão-de-visita da ilha, que espelha a fé e devoção da sua gente à santa padroeira. Para além de cidade do Porto Inglês, a ilha é formada por vários povoados de Norte a Sul, cada um com as suas características próprias.

No passado, a ilha viveu da remessa dos imigrantes, que saíram à procura de vida melhor noutras latitudes. A pecuária foi outra fonte de renda de algumas famílias, hoje, tenta-se fazer do turismo um modo sustentável de obter rendimentos.

As extensas praias de areia branca oferecem excelentes condições para os turistas, mas também para as tartarugas durante a época de desova. Sendo uma espécie muito ameaçada, vários ambientalistas trabalham na sua protecção, sobretudo contra o seu maior predador, o homem. De igual modo vão sensibilizando as pessoas que a tartaruga viva vale mais do que a morta, é mais um atractivo para atrair visitantes.  

Uma visita ao Maio

Vamos lá à parte prática. Para se deslocar ou chegar à cidade do Porto Inglês, chegando de avião, o visitante tem à disposição as carrinhas de caixa aberta ou os ligeiros hiaces. Escusa de procurar táxis, não há. Aliás, tratando-se de uma das ilhas mais pequenas do arquipélago, o porto e o aeroporto não ficam muito longe da cidade. Já a distância do porto para as residenciais ou hotéis da cidade pode ser feita a pé, e aproveite para disfrutar a orla marítima da cidade, porque a avenida é sempre percorrida tendo o areal e o mar ao lado.

Maio guarda ainda a calma dos tempos antigos e por isso é a ilha ideal para quem queira tirar umas curtas férias para relaxar, disfrutar o sol e o mar na companhia de um bom livro, mas, de preferência, com o seu parceiro ou parceira: se é isso que procura, não vai arrepender-se de lá ter ido. A ilha tem a ‘habilidade’ de o fazer sentir-se único no mundo, pois quem por aqui passa vê-se rodeado, horas a fio, de tranquilidade e exclusividade nestas praias de excepcional beleza.

Na verdade, Maio ostenta uma beleza singular e uma paisagem natural que têm atraído os mais diversos visitantes desde do seu povoamento. Até mesmo corsários e piratas como Hawkins e Drake (muito gostava esta malta do arquipélago). A ilha era estratégica para as emboscadas aos barcos mais incautos, permitindo ainda a chamada aguada (abastecimento) devido à abundância de gado e, naturalmente, a possibilidade de carregamentos de sal! A sua presença no Maio foi tal que em certa ocasião do séc. XVI, chegaram aqui a contar-se quarenta e sete destes navios. Com esta histórica incursão não foi nosso propósito assustar o leitor, mas recordar um pouco o glorioso passado da ilha do Maio, na época áurea da sua economia assente no binómio gado-sal. Até porque, piratas e corsários só existem hoje no cinema ou nos "Apontamentos da História da Ilha do Maio" da autoria de Adalberto Silva. É um livro cuja leitura recomendamos aos que visitam a ilha pela primeira vez e queiram também empreender uma viajam através do seu passado, altura em que o sal surge como elemento marcante de toda a sua história. Fica-se a saber que “logo a seguir a Santiago, Maio já foi a ilha que maiores receitas públicas proporcionava ao arquipélago”, e que “no período áureo do comércio do sal, Maio foi uma das ilhas de maior rendimento económico do país”.

Se é verdade que a viagem pela história pode ser feita com o livro referido acima, sentado comodamente numa cadeira de um dos bares ou hotéis da ilha, ou aconchegado numa das suas vastas praias de areia branca, o melhor mesmo é fazer-se ao caminho e ver esta história pelos seus olhos, afinal, não estamos aqui a elogiar as belezas da ilha para passar o tempo todo sentadinho. Para trilhar a ilha e desfrutar de todas as suas excelências naturais, recomenda-se uma carrinha, que pode ser alugada nos operdores da Ilha. Djarmai pode ser percorrida num único dia, mas as zonas ficam dispersas umas das outras – andar a pé só mesmo dentro da cidade.

Bem, mas todas estas recomendações servem para quem tem mais tempo. Para quem vai lá passar apenas um fim-de-semana, o melhor é, depois de check in, vestir um biquíni, ou fato de banho, colocar o protector solar na mochila e ir tomar banho na praia de Beach Rotcha, a estonteante e extensa praia de areia branca, uma verdadeira dádiva da natureza, a escassos minutos do centro da cidade. E como estamos aqui mesmo ao lado, repita a experiência nos fins-de-semana posteriores.

Se tiver que escolher, uma das melhores alturas para visitar a ilha é a época das festividades, que se celebram no mês de Setembro. E aí sim, verá a ilha a movimentar-se à volta das praias e dos festivais. Paródia até mais não. E no dia seguinte, logo de manhãzinha, vá até ao areal mais próximo, sinta o cheiro da maresia e declame, alto e bom som, o poema de Jorge Barbosa:

O Mar!
Cercando prendendo as nossas Ilhas!
Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,
roncando nas areias das nossas praias, batendo a sua voz de encontro aos montes,
… deixando nos olhos dos que ficaram a nostalgia resignada de países distantes …
… Este convite de toda a hora que o Mar nos faz para a evasão!
Este desespero de querer partir e ter que ficar! …


 

 

Como ir

Pode chegar à ilha do Maio de avião ou de barco. Se pretende fazer uma viagem mais turística e mais barata é melhor ir de barco. O navio Sotavento (pertencente a Agência Polar) é a única embarcação que faz a ligação entre Praia/Maio/Praia. Há duas ligações semanais, às quartas e sextas-feiras. De avião a viagem dura menos tempo, como se diz em jeito de anedota, quando se descola da Praia os comandantes costumam dizer: ‘senhores passageiros, não tirem o cinto que vamos já aterrar’. Há três voos semanais (segundas, quartas e sextas-feiras,)


Onde ficar

As ofertas não são muitas, mas pode escolher alojar-se num hotel, numa residencial ou mesmo em casa de amigos, pois as pessoas são muito acolhedoras. Caso opte passar um fim-de-semana na ilha, os preços variam entre 5.500, e 3970 por noite. O Stella Maris Village (www.maiocasa.com) é a melhor opção.


Onde comer

Para comer pode escolher os vários restaurantes da ilha, nos quais poderá saborear o inevitável atum grelhado, uma garoupa, a deliciosa moreia frita ou mesmo o petisco de búzio, sem falar numa suculenta cabritada com mandioca.  


Dicas de viajem

Tendo em conta que a ilha é muito quente, é importantes que leve um protector solar, água e um chapéu (nunca é demais repetir). As pessoas do Maio são hospitaleiras, por isso vai se sentir em casa: pode andar de um sítio para outro, fará muitas amizades, e quando chegar o dia da partida, já estará a sentir-se um(a) maiense.

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Autoria:Dulcina Mendes,17 set 2014 16:04

Editado porRendy Santos  em  18 set 2014 9:55

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