“Infelizmente, o cinema ainda é uma actividade que está pouco desenvolvida na cidade da Praia. O que queremos é que, de facto, ocupe o lugar que deveria ocupar no centro de desenvolvimento cultural na cidade”, explicou o vereador da Cultura, António Lopes da Silva.
Nesse sentido criou-se este festival que irá acontecer todos os anos, no mês de Novembro. Aqui, “para além de promovermos os nossos produtores e os nossos cineastas, iremos também trazer filmes que tenham tido impacto a nível internacional, para que o público também tenha acesso” aos mesmos, adiantou.
O Festival irá assim contar com a participação de produções cinematográficas de cabo-verdianos, no país ou na diáspora, mas também de países lusófonos e da costa ocidental africana. Fora desse âmbito desenham-se já contactos também com a África do Sul, França e China, que deverão também marcar presença. O destaque, contudo, será sempre a Praia.
As várias vertentes do festival
O evento tem duas vertentes principais: a exibição e a competição.
Em termos de concurso, estão contempladas as categorias Documentário, Ficção e Curtas, sendo que o prémio, pelo menos neste primeiro momento, será essencialmente simbólico: um galardão “que reflicta um pouco a cultura praiense e vai ser confeccionado por artista/artesão aqui da Praia”, avançou o vereador.
Quanto à componente de exibição, não só serão mostrados ao público filmes nas categorias referidas como está programada a exibição de filmes generalistas, sessões especiais de exibição de produções saídas dos cursos de iniciação e sessões especiais de exibição de filmes relativos à memória colectiva da Praia.
Paralelamente, pretende-se desenvolver acções curtas de formação/workshops na área do audiovisual “quer para os nossos produtores, quer para jovens que queiram entrar no mundo do audiovisual”.
E não esquecendo um dos principais objectivos do evento, “vamos fazer acções de formação e de sensibilização e também de exibição de filmes de jovens que já estão a trabalhar no cinema [principalmente na cidade da Praia] e que são pouco conhecidos, mas estão a trabalhar e a fazer coisas interessantes”, mesmo com “poucos meios e recursos”, frisa António Lopes da Silva.
A agenda
De acordo com o vereador da cultura da CMP, apesar dos filmes que irão participar no Festival ainda não terem sido escolhidos nem negociados com as produtoras, há já uma agenda de sessões.
“Temos a programação, quantidade e tempo que temos, agora falta [definir] filmes vamos trazer. Isso depende das negociações que estamos agora a encetar”, explicou Lopes da Silva.
Segundo o programa, o Platô vai acolher 19 sessões generalistas, quatro sessões infantis e três “sessões da meia-noite”. Também o Palácio da Cultura recebe o festival com 20 sessões, dedicadas a curtas e a documentários. O cinema do Praia Shopping, por seu lado deverá ser palco, caso as negociações se concretizem, de 26 sessões e quatro sessões infantis.
Também estão contempladas exibições junto às comunidades, por forma a descentralizar o evento.
Dinamizar o gosto pelo cinema e criar hábitos é pois um objectivo do evento e assim sendo, pretende-se promover a exibição de filmes, nomeadamente no Cinema da Praia que neste momento, devido a condicionalismos impostos a nível do poder central, tem estado a funcionar de forma intermitente.
Organização
Para dar corpo a esta iniciativa da edilidade, começa a formatar-se um conjunto de parceiros públicos e privados. O festival conta com a parceria do Ministério da Cultura, da Associação de Cineastas de Cabo Verde, da TxanFilm & Associates e da Silvão Produções e outros parceiros privados. Outros potenciais parceiros deverão surgir na área dos media, hotelaria, centros, entre outras.
Há ainda uma Comissão, composta por representantes dos diferentes parceiros, denominada Direcção de Produção do Festival, que trabalhará especificamente na organização do mesmo. A nível de instituições públicas esta é composta pela CMP “que coordena, com o apoio e envolvimento directo do ministério da Cultura”, através da Direcção Nacional das Artes. E a privadas, quer a nível individual, quer a nível de associação cineastas de cabo verde, quer a nível de produtores individuais é esse o tipo de modelo
Em termos financeiros, a CMP dispõe já de uma verba própria destinada ao evento, no valor de 2500 contos. “Evidentemente estamos a procura de financiamento”, mas depois da finalização do projecto finalizado “naturalmente iremos conseguir mais recursos”, acredita o vereador.
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