É, sem dúvida, a festa popular mais concorrida das ilhas. Todos os anos o ritual repete-se: inicia-se Abril e os voos para a ilha do Fogo já estão cheios e as vagas nos hotéis, pensões e residenciais lotadas. Também as poucas empresas de aluguer de viaturas não têm mãos a medir e já têm a lista de reservas preenchida.
Este ano, o centenário da retoma dos festejos da bandeira de Nhô São Filipe antecipou a corrida à oferta disponível e a comemoração promete bater record de participação. Para atender a tanta procura não falta quem esteja, a todo o vapor, em obras de ampliação do seu empreendimento hoteleiro, por forma a dar resposta aos pedidos de reserva que não param de entrar.
Imigrantes vindos dos Estados Unidos, filhos da terra a residir em Santiago e nas outras ilhas, personalidades e anónimos que da Praia rumam à capital da ilha do vulcão para os festejos do santo padroeiro. Também na ilha há quem, durante a semana da festa, se mude das outras zonas para a cidade de modo a não perder pitada do programa da festa. E este ano o programa prolonga-se por mais de cinco dias.
“Estamos condenados a fazer uma grande festa. Não por ser a nossa primeira, mas pelo significado e simbolismo do centenário da bandeira”, admite Jorge Nogueira, presidente da Câmara Municipal de São Filipe desde finais de Setembro de 2016.
Organizadora da parte oficial e formal da festa, juntamente com a Casa das Bandeiras, a Câmara de São Filipe tem para as actividades programadas um orçamento entre 25 mil a 27 mil contos, mas conta gastar pouco ou mesmo nada.
“A meta que traçamos é que a Câmara não gaste nada ou muito pouco com a festa. Pensamos, com os patrocínios e as receitas, cobrir as despesas”, explica Nogueira, que garante ainda, “temos tudo bem planificado e, se correr conforme, as festas vão custar no máximo 27 mil contos. Mas cerca de 90% [desse valor] tem já cobertura garantida e queremos chegar aos 100%. Estamos a negociar com as empresas. Todos têm vindo ter connosco, querem estar presentes, participar e estar nos cartazes”.
Com tanto interesse dos patrocinadores em contribuir e atendendo o marco de 100 anos do desenterro da Bandeira de São Filipe o programa de actividades terá muita festa e também alguma pompa, como as condecorações à congregação dos padres Capuchinhos, pelo governo, e particularmente ao padre Camilo Torassa, pela edilidade sãofilipense.
Presidente da República, Primeiro-ministro, Ministro da Cultura, e outros governantes, membros do corpo diplomático e outros ilustres convidados desembarcam na ilha em finais de Abril para participarem dos festejos que incluem os tradicionais rituais do Pilão, Matança, Canisade, Mastro, juramento da Bandeira, missa e procissão, bandeira da praia, cavalhadas e corridas de cavalos, para culminar com os espectáculos musicais, à noite, no Presídio.
Em relação aos espectáculos, Jorge Nogueira, destaca a forte presença de artistas locais – que terão um dia só a eles dedicado – e a aposta em grandes nomes da música nacional.
“Teremos uma boa mistura de juventude e veteranos e teremos a prata da casa e grandes artistas nacionais. Tem se gastado muito dinheiro com bandas estrangeiras quando daria para se ter cá três ou quatro boas bandas nacionais”, defende.
Actividades desportivas, feiras, actividades para o público infantil e concurso Miss São Filipe estão entre outras que completam o programa das festas.
Cartaz Musical São Filipe 2017
Dia 27
Eco 9.1.2., Charbel, Lejemea, Cordas do Sol, Jorge Neto e Grace Évora
Dia 28
Passadinha, Josslyn, Dynamo, Ricky Boy, Tó Semedo, Loony Johnson, Tubarões
Dia 29
Artistas Colectivo do Fogo, Magma Sound, Quirino do Canto, Neusa, Jorge Senna e Assol
Dia 30
Bocaron, Zé Delgado, Cabo Verde Show, Djodje, Tabanka Jazz
Dia1
Fogo em Chama, Éder Monteiro, Santim&banda, Zé Rui&banda, Bulimundo
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 801 de 05 de Abril de 2017.
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