Recomendação para ouvir: Nancy Vieira numa serena manhã florida

PorPaulo Lobo Linhares,8 abr 2018 11:40

​Nancy Vieira vem desta vez até nós, numa manhã florida.

Reúne o seu” bouquet” de flores e vai oferecendo a flor escolhida, a quem a ouve.

As flores são dos mais variados tipos: das mais clássicas, às mais contemporâneas, das românticas às jocosas. Lá vai caminhando e serenamente convidando, que caminhemos com ela, pelo trilho que nos propõe.

Fala de estórias típicas da terra de onde é natural, dos recados que para ela envia, de amores e lembranças e até de (outros) carnavais longínquos.

A toada da caminhada é constante e “regular”, e vai batendo à porta de vários compositores que lhe vão indicando os tais percursos.

Começa com Amândio Cabral que nos empresta a lindíssima “Mi sem bo Amor” que abre as portas ao mestre do romantismo – Eugénio Tavares que indica o caminho e a beleza chorada de um “Mar di Lua Cheia”.

Kaka Barbosa fala da sua “Bela” …” belinha e bonitinha”...a quem propõe “ki bu petu bira nha morada”.

Mário Lúcio encanta-nos com a felicidade de um “paxon ki passa na mi” no já conceituado tema “Passion”, a qual os músicos de Nancy imprimem uma interessante instrumentação que mistura muito ao de leve vários ritmos num resultado extremamente interessante. O referido compositor fecha ainda o disco com “Sunha Dor” …sonhos, amores e dores…

Referência para as lembranças de Betú…ca(o)ntadas por Nancy.

“Porto Inseguro”, composição da cantora: calma, não “insegura”, e de uma provocadora “sintonia no compasso”.

Teófilo Chantre, pinta um belo quadro de um Cabo Verde quando chove, cheio de odores, cores e flores, dentro da sua sonoridade característica.

De instrumentação clássica, o naipe de músicos consegue a versatilidade de se adaptar aos vários universos que, conforme referido, vão de Eugénio Tavares a Mário Lúcio e Betú de forma encaixada e natural. Na fórmula certa, com marcações e não exageros conforme pede o conceito do disco.

A produção é assinada por Teófilo Chantre onde sobressaem as sábias cordas de Bau e Hernani Almeida.

Nancy continua a sua linha de intérprete vocal por excelência, com lugar cativo na nossa música, que tem nos seus trabalhos o condão de escolher com gosto os compositores a quem recorre e que lhe vão dando muitas manhãs floridas e que a cantora aproveita para nos oferecer muita “Coisa Boa”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 833 de 04 de Abril de 2018.

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Nancy Vieira

Autoria:Paulo Lobo Linhares,8 abr 2018 11:40

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  8 abr 2018 11:40

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