Recomendação para ouvir: Porque é Bossa Nova, isso é muito natural!

PorPaulo Lobo Linhares,5 ago 2018 12:15

​Os dias são de sol, com a praia ao fundo, as esplanadas que nos convidam e, entre os que cá estão, e os que chegam… respira-se férias. Apetece ouvir música, muita música, e, na maioria da vezes, os géneros musicais que misturam o sorriso, o espreguiçar e os finais de tarde, ao som das ondas …

É tempo para ritmos que nos induzem bem-estar…ou estados de absoluta quietude… é tempo de Bossa Nova, e de muitos outros ritmos que haveremos de trazer para as nossas escolhas, ao longo das próximas semanas.

A abrir esta sessão do nosso gira-discos, a obra que oficialmente abriu os caminhos da Bossa Nova - ritmo que começa em João Gilberto e António Carlos Jobim, ( com)vive com as letras de Vinícius, é melodia nas doces vozes de Nara ou da própria Elizete, entre muitos mais.

“Canção do Amor Demais” nasce do sonho do jornalista Irineu Garcia, que funda a label “Festa” na qual um dos primeiros títulos do catálogo, trata-se da reunião de temas de dois compositores famosos de então, cantados pela voz do momento: a divina Elizete Cardoso. Os dois compositores, ainda não muito conhecidos nos meios musicais, eram o jovem diplomata Vinícius de Moraes e o seu parceiro Tom Jobim, que juntos começavam a produzir muito samba.

Todo o ensaio foi feito na rua que viria mais tarde a tornar-se muito célebre: a Nascimento Silva, 107 – onde então morava António Carlos Jobim… o eterno Tom.

João Gilberto não terá participado em todos os ensaios, por incompatibilidades com Elizete. Não querendo perder a batida que nascia do violão de João, o produtor Irineu, adivinhando sucesso para os ritmos, conseguiu conciliar a vontade da diva e do violonista e tê-los no registo que viria a ser considerado as bases do início da Bossa Nova – “ Canção do Amor Demais” da label “Festa”.

Resultante destes ensaios, em 1958, é lançado o disco que viria a tornar-se o ponto de partida da Bossa Nova. A tiragem inicial esgotou-se rapidamente. Nas ruas assobiavam-se temas como: “Janelas Abertas”, “Eu não existo sem Você”, “Outra vez” – a sequência mágica do disco. Contudo, os temas que dominavam as rádios, passando a ser o êxito do momento, eram os dois temas que abrem e fecham o disco: “Chega de Saudade” e “Canção do Amor Demais”.

Mais. Em “Chega de Saudade”, ouvia-se pela primeira vez a famosa batida sincopada, estrutura base de toda a instrumentação e cadência da Bossa Nova.

As notas vinham do “violão – mundo” do rapaz baiano cujo nome não constava da ficha técnica do disco, mas que os mais conhecedores já seguiam. Nascia para a música João Gilberto Prado de Oliveira.

Mais tarde, a partir da versão de “Chega de Saudade” de João, a Bossa explodiu e não mais parou. Atravessou os mares, conquistou o mundo e num número reduzido de temas, transbordou magia. Passa a ser mais do que um estilo musical. Muitos a adoptam como um modo de vida, uma revolução onde “o amor e a flor” são ingredientes vitais.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 870 de 01 de Agosto de 2018.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,5 ago 2018 12:15

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  5 ago 2018 12:15

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