Cabo Verde presente na IV edição do Festival Internacional de Cinema do Caeté

PorChissana Magalhães,29 nov 2018 13:18

Imagem do Festival
Imagem do Festival(Divulgação)

O cineasta João Paradela e o poeta Mário Loff levam Cabo Verde à cidade do Porto para a 4ª edição do FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté a realizar-se de 10 a 12 de Dezembro.

A participação do poeta e activista cultural tarrafelense Mário Loff foi anunciada pela organização do evento através da publicação de um vídeo na página oficial do Festival, onde o mesmo manifesta a sua expectativa de trocar experiências com os restantes. A organização do FICCA também avançou que Loff irá declamar poemas durante a sessão de abertura do certame, a 10 de Dezembro.

Outra presença a representar Cabo Verde é a do realizador e produtor de cinema João Paradela, português a residir em Cabo Verde há vários anos. Paradela participa do festival com o filme “Tarrafal: Dez Pancadas no Carril”, uma longa-metragem de 80 minutos que estreou em 2017 em Mindelo e que apresenta como “uma reflexão cine-poética sobre a memória do Campo de Concentração do Tarrafal”.

A sinopse do filme ainda diz que este “pretende sobretudo perceber o mecanismo da memória de um espaço que serviu para aniquilar pessoas que eram contra o regime salazarista e que depois serviu para outras actividades”.

“O tempo teima em apagar esse período, pelo que proponho uma reflexão sobre esse mesmo processo de esquecimento. Perguntando, em última análise, se a continuação da existência dos espaço físico do Campo de Concentração é um garante da memória da sua história e do seu papel como elemento de destruição da oposição ao Regime que ele representa”, diz ainda João Paradela sobre esta obra que diz ser a derradeira versão do filme que busca criar há cerca de dez anos. Com o material filmado na ex-colónia penal de Tarrafal de Santiago o cineasta já tinha produzido e estreado duas versões intituladas “Tarrafal, um campo em morte lenta”, a primeira das quais com estreia na cidade da Praia em 2009 e a segunda apresentada no Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia em 2017.

O Festival Internacional de Cinema do Caeté é uma iniciativa e produção do cineasta brasileiro Francisco Weyl, que o criou como um espaço de encontro para criadores de diversas linguagens, poesia, música, cinema, e que circula entre centro e periferia, escolas, comunidades quilombolas, espaços culturais, religiosos, e académicos.

Francisco Weyl residiu na cidade da Praia durante alguns anos, na primeira década dos anos 2000, onde foi docente universitário e dinamizou iniciativas na área do cinema como o Colectivo Cinema Pobre da Praia, que produziu duas obras experimentais, os filmes "Meta_Fora" e "Salamandra".

“Com projecções, rodas de conversas, minicursos, abertos ao público em geral, o FICCA dialoga com projectos autorais, poéticos, e musicais, articulados a uma prática de consciência estética, e de resistência, política, urbana, e rural. Em três anos de atividades (2014/2015/2016), o FICCA ajudou a consolidar a cultura cineclubista e cinematográfica, a partir de uma perspectiva democrática, e de um olhar crítico sobre o cinema”.

Até aqui o festival registou a inscrição de 144 filmes, entre os quais cinco produções cabo-verdianas às quais se junta, nesta edição, o filme de João Paradela que tem co-produção Cabo Verde/Portugal.

Esta edição do evento acontece pela primeira vez fora do seu território de origem, mudando-se de Bragança do Pará (Brasil) para a cidade do Porto (Portugal) onde Francisco Weyl reside actualmente, e aí conta com a parceria da Escola Superior Artística do Porto.

Com base em critérios “de ordem artística, estética, poética, pedagógica, política, e social”, o FICCA 2018 irá atribuir prémios nas seguintes categorias: Melhor Longa (Acima de 60 minutos), Melhor Média (Entre 20 e 60 minutos), Melhor Curta (Menos de 20 minutos), Melhor Documentário (Livre temática e tempo) e ainda Prémio Júri Popular (Critério livre, concedido por votação popular), Prémio Especial (Animação, videoclips, e outras experiências audiovisuais, independentemente de tempo e temática), Prémio Educação & Pesquisa (Filmes pedagógicos e/ou científicos), Grande Prémio FICCA de Direitos Humanos (Narrativas de juventude, mulheres, comunidades LGBTs, trans, indígenas, tradicionais, quilombolas, pescadores, extrativistas).

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Autoria:Chissana Magalhães,29 nov 2018 13:18

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  29 nov 2018 16:26

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