Cultura em 2018 – Balanço

PorExpresso das Ilhas,6 jan 2019 7:00

Convidamos algumas personalidades a deixarem a sua opinião e destacarem, em breve comentários, aquilo que de melhor e menos positivo aconteceu na área da Cultura no ano em revista.

Manuel Brito-Semedo, professor universitário e pesquisador

Manuel Brito Semedo
Manuel Brito Semedo

Promoção da Cultura além fronteira - Atribuição do Prémio Camões ao Escritor Germano Almeida, juntando-se ao Poeta Arménio Vieira premiado em 2009; e Candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade, um dossier organizado em tempo recorde, de que toda a nação espera um desfecho positivo a ser anunciado em Dezembro de 2019.

Estatização da Cultura e ausência de uma política efectiva da promoção do livro e da leitura - Protagonismo do Ministério e do Ministro da Cultura na promoção da cultura em todas as áreas, revelando-se as instituições estatais - Instituto do Património Cultural, Biblioteca Nacional, Centro Nacional de Artesanato e Design, Centro Cultural do Mindelo, Palácio da Cultura Ildo Lobo, Academia Cesária Évora - meros instrumentos executores.

Anilton Levy, agente cultural, poeta e actor

Anilton Levy
Anilton Levy

Parabenizo a iniciativa do Ministério da Cultura pelo projeto “BA Cultura” que provavelmente é um dos melhores programas de incentivo à cultura em que o dinheiro público tem um bom uso, porque está a criar valores.

A meu ver, a cultura ainda não é a prioridade do governo, é só ver o pedaço do bolo que é dado para essa área. Tem-se afirmado durante algum tempo que se quer apostar na produção nacional na área de audiovisual, no entanto, nunca existiu um orçamento de pelo menos 22 mil contos que cobrisse toda as propostas nacionais de produção. Mas, para [o filme] “Os Dois Irmãos” sim. Contrário a isso, acredito que a produção artística tem vindo a melhorar, muito dependente do esforço dos artistas. Mas não é difundido na nossa televisão.

Filinto Silva, editor e poeta

Filinto Silva
Filinto Silva

O ano de 2018 foi de submissão à UNESCO de candidatura de Morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade. O dossier, tendo cumprido as formalidades da candidatura, já foi aceite e está patente no site da UNESCO.

Refira-se que Cabo Verde é detentor de dois reconhecimentos da UNESCO, quais seja o da Cidade Velha como Património Mundial da Humanidade e o da Cidade da Praia como Cidade Criativa, pela movida musical.

É minha convicção de que o ano devia ter servido para posicionar melhor o Tarrafal a Património da UNESCO, mas também encarar o regresso à candidatura da Tabanca, do Funaná e da própria Língua Crioula. Entrementes, compreende-se a necessidade de priorizar projectos e de posicioná-los gradualmente.

Fez-se muito em 2018. Poder-se-ia fazer mais e melhor. A política da leitura pública precisa que a Biblioteca Nacional assuma com mais centralidade o seu papel. Mas foi um ano dinâmico, abrindo espaço para que 2019 seja melhor.

Eurídice Monteiro, professora universitária e escritora

Eurídice Monteiro
Eurídice Monteiro

A reativação dos prémios literários com abertura de dois concursos. Um concurso inaugural para a atribuição do Prémio Literário Arnaldo França, criado para galardoar anualmente e publicar obras de ficção pela Imprensa Nacional de Cabo Verde (INCV) e pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM de Portugal). Este ano também foi lançado o concurso para a atribuição, pela segunda vez consecutiva, do Prémio Corsino Fortes/BCA de Literatura, que laureia obras inéditas nos diferentes géneros literários. Só falta a abertura do concurso para o Prémio de Literatura Infanto-juvenil Orlanda Amarílis.

Continuamos teimosamente a insistir na banalização da cultura, ao invés de investirmos no futuro desta nação pela cultura. Precisamos elevar a cultura nacional a um patamar de maior sofisticação, valorização e internacionalização. Há pouco investimento na cultura. Basta ver o orçamento de Estado reservado para a cultura.

Odair Varela, professor universitário e escritor

Odair Varela
Odair Varela

O meu maior destaque é a continuada confirmação do espírito inventivo e inovador desta nossa juventude criativa durante 2018. Com pouco apoio e financiamento, esta juventude tem-se superado nas produções criativas e tem-se assumido como a maior produtora de conteúdos de consumo cultural em Cabo Verde. Sem entrarmos para o mérito da qualidade, quem realmente movimenta o maior fluxo continuum de produção criativa na nossa terra é esta juventude. Por cada artista plástico consagrado que fez uma exposição, vários jovens mostraram suas pinturas e fotografias e artes gráficas. Por cada velha guarda que lançou um CD, inúmeros jovens lançaram álbuns, mixtapes, LP e single. No teatro, na produção audiovisual, nos jogos multimídia, na dança e em várias outras áreas criativas a nossa juventude tem assumido esta responsabilidade da melhor forma.

Destaque pela negativa para a crise instaurada no Carnaval de São Vicente, com toda a implicação que isso tem nas áreas turística, económica e cultural na ilha. Nota de pesar pelo desaparecimento físico de Ntoni Denti D’Oro, figura cultural reconhecida pela sua contribuição ao batuco e finason.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 892 de 2 de Janeiro de 2019

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Tópicos

Cultura

Autoria:Expresso das Ilhas,6 jan 2019 7:00

Editado porSara Almeida  em  7 jan 2019 8:15

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