“Meu primeiro disco a solo veio mostrar-me que estou no bom caminho”

PorDulcina Mendes,24 dez 2021 15:56

O artista cabo-verdiano Mário Marta lançou este mês o seu primeiro álbum a solo intitulado “Ser de Luz”. Um álbum formado por 11 faixas musicais, sendo que os temas “Aguenta”, “Boa” e “Kriol” já tinham sido disponibilizados nas plataformas digitais. O show de lançamento aconteceu no passado dia 3 de Dezembro, na Cidade da Praia.

Com o tema “Boa”, Mário Marta conquistou os prémios de Melhor Coladeira e Melhor Intérprete Masculino, na Xª Edição dos Cabo Verde Music Awards. O tema “Aguenta” também teve reconhecimento internacional ao conquistar o prémio Portuguese Music Awards (IPMA).

Apesar de estar há já algum tempo no mundo da música, Mário Marta lança o seu primeiro álbum a solo aos 50 anos de idade.

“O título é uma mensagem subliminar que quero transmitir para as pessoas”, afirma, explicando que “Ser de Luz” é uma forma de passar mensagens positivas às pessoas.

“Até parece algo pretensioso, mas não. Com `Ser de Luz’ quero que as pessoas pensem que temos que `Ser de Luz’ para podermos passar energia positiva e estar o mais alegre, jovial e enérgico na vida”, acrescenta.

Mário Marta frisou ainda que o álbum é algo muito enérgico e feito com boa energia desde início. Faz por isso todo o sentido a escolha do título.

“Considero-me um `Ser de Luz’. Antes não tinha noção do que era isso, mas a partir do momento em que comecei a pensar nesse título, reparei que muitas coisas na minha vida começaram a acontecer pela forma como encaro a vida”.

O artista conta que apesar de toda a atribulação que tem tido na vida, e “os músicos têm muito e nesse momento estão com muito mais, tive sempre uma forma positiva de encarar tudo, ou de relativizar muito rápido qualquer assunto grave que todos temos na vida. Esta capacidade que tenho de transmontar coisas negativas que surgem é algo que tenho de há muito e não tinha essa noção”.

Neste álbum, o artista conta que trouxe um leque de estilos musicais como coladeira, batuque, funaná lento e ‘rapicado’, mornas capela, feita como a cantora Karyna Gomes e há uma coladeira inspirada no estilo de Biús e Boy G. Mendes, que são pessoas que Mário Marta admira muito.

“É um álbum que veio basicamente na linha do tradicional. Defendo que sou um artista contemporâneo, tenho muitas influências e é natural que num ou noutro momento de composição musical entra um ou outro elemento diferente de música”, explica.

Para Mário Marta, este álbum está a cumprir um propósito, que é a sua incursão no “resgatar” da música tradicional. “O álbum cumpre esse objectivo de trazer o pessoal para honrar, praticar e eternizar a nossa música tradicional”.

Prémios

Sobre o tema “Boa” que foi premiado nos CVMA, Mário Marta disse que o fez para homenagear todas as mulheres sábias que amam realmente os seus maridos e que, na caminhada, conseguem contornar todas as situações.

“É uma homenagem que me trouxe dois prémios nos CVMA. Fiquei muito feliz pois foi logo no meu primeiro disco a solo e veio mostrar-me que estou no bom caminho”, sublinha.

“O tema ‘Boa’ foi para homenagear todas as mulheres, principalmente aquelas que têm a sabedoria de contornar as vicissitudes da vida. Neste caso, são os maridos que nem sempre se portam bem e que nem sempre têm uma conduta adequada, mas a mulher com a sua sabedoria, consegue contornar e levar o seu esposo para o bom caminho”, assegura.

Mário Marta frisou que o tema “Aguenta” também teve reconhecimento internacional. “Foi algo que me apanhou de surpresa, mas fiquei muito feliz porque `Aguenta` foi o primeiro single que lancei e que me deu um prazer incrível em fazer. Acho que aquela parceria com a cantora Lura foi incrível e trouxe uma grande mais-valia e muitas pessoas dizem que há muito não tinham ouvido um funaná a sério assim”.

Sobre o feedback que tem tido do álbum, informa que “muitas pessoas estão a ouvir as minhas músicas e dizem que estão a gostar. Penso que estou no bom caminho”.

Pandemia

O artista destacou que o disco veio num tempo muito difícil por causa da pandemia da COVID-19. “Já tinha músicas antes, mas essa altura da pandemia foi incrível, foi como um refúgio para nós, os artistas.

A Broda Music decidiu que assim que acontecesse a abertura tínhamos que ir ao estúdio para trabalhar com um horário fixo, “trabalhar a criatividade e a inspiração, porque muitas vezes estamos em casa à espera de inspiração para escrever os temas. Os músicos têm muito essas coisas de ficar em casa à espera de momentos de inspiração. Quando tenho inspiração escrevo, quando tenho inspiração canto, mas não há uma disciplina, que é inspiração também”.

Neste sentido, contou que foram para o estúdio todos os dias, como se fossem trabalhar das 8 às 16 horas e, a partir de lá, fizeram composições incríveis para ele, Kady, Ricky Man e Djodje, “foi algo incrivelmente profícuo”.

Para Mário Marta foi muito bom esse exercício e foi uma “salvação”. “Esse período de composição e produção foi uma salvação e um alento para nós, porque descobrimos um caminho”. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1047 de 22 de Dezembro de 2021. 

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Autoria:Dulcina Mendes,24 dez 2021 15:56

Editado porAndre Amaral  em  26 dez 2021 10:14

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