Em entrevista à Inforpress, o presidente do IPC, Jair Fernandes, disse que o Plano Estratégico do Turismo Cultural está a ser elaborado em parceria com o Ministério do Turismo, as câmaras municipais e os operadores turísticos.
“O Plano Estratégico do Turismo Cultural é um projecto em elaboração há dois anos e a pandemia obrigou-nos a recentrar a nossa abordagem em relação a determinadas temáticas (…). Estamos numa fase muito avançada que é o inventário de todos os recursos patrimoniais que serão disponibilizados para o turismo em Cabo Verde”, explicou.
Segundo aquele responsável, o “interessante” é ver o posicionamento do próprio sector do património cultural no novo Programa Operacional do Turismo, em que o sector terá o financiamento directo de cerca de meio milhão de contos para investimentos nos equipamentos culturais, nomeadamente museus, e na reabilitação de edifícios patrimoniais.
No plano estratégico consta a criação de um roteiro temático, não só à volta dos acontecimentos históricos, por exemplo, a rota dos escravos a nível da ilha de Santiago, mas também determinados personagens que marcaram as épocas históricas concretas, desde o período de descobrimento, até início do século XX.
Jair Fernandes exemplificou também a rota dos claridosos, do ponto de vista da literatura e das dinâmicas que pode criar em diferentes territórios, como a ilha de São Nicolau, Santo Antão e Fogo, e rotas à volta das manifestações culturais, como é o caso da Tabanca e da Morna.
“O relançamento da economia, do turismo, em particular, tendo como preceito fundamental a diversificação da oferta, levará em devida conta o seguimento do turismo cultural e o IPC é chamado a ter um papel extremamente importante, porque não vale a pena reabilitar e criar espaços se não for do usufruto das comunidades, mas também em última instância, de quem visita Cabo Verde”, sublinhou.
Por outro lado, e tendo em conta a retoma da economia cultural, Cabo Verde foi contemplado com um financiamento de 110 mil dólares, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), através do Japão, para o projecto de “Gestão do Património Mundial Pós Covid-19”, em que o principal público-alvo são jovens e mulheres empreendedores que trabalham nos sítios patrimónios mundiais.
“Foram cinco países que conseguiram este financiamento, cada um de um continente, e a nível da África, Cidade Velha foi a única seleccionada. É um projecto que tem a duração de três anos e também envolve a componente das novas tecnologias de informação e comunicação a serem utilizadas nos sítios patrimónios mundiais para a valorização do turismo local”, concluiu.