Segundo uma nota enviada, “O Enterro do Conde de Orgaz” é formado por um conjunto de 13 gravuras, realizadas entre 1967 e 1968, que surgem como parte visual de uma experiência de escrita automática surrealista realizada por Picasso e de uma proposta do poeta espanhol Rafael Alberti, para uma publicação conjunta.
No seu trabalho artístico, Picasso explora o novo universo sensual que encontra no corno magnífico, adoptando um estilo directo, informal e quase automático, tal como a escrita dessa obra, mantendo o universo dos seus temas e personagens.
As pessoas que assistem ao enterro do Conde, na pintura «O Enterro do Conde de Orgaz», obra universal de El Greco, são substituídas por voyeurs que observam as cenas eróticas por trás das cortinas, nas quais, à semelhança do que fez Hitchcock nos seus filmes, o autor aparece como personagem em pelo menos uma cena.
“Por trás das cortinas, surgem personagens numa mistura atemporal e sincrónica do real e do imaginário, onde faunos, ninfas, o próprio Goya, mulheres nuas, acrobatas, personagens do século XVI, anões, Cupido, o próprio Degas e toda a vasta tropa do imaginário picassiano coexistem na mesma folha”, realça.
De acordo com o director de Obra Cultural da FUNIBER, Federico Fernández, a colecção “mostra o conhecimento de Picasso das técnicas do grupo de André Breton, e prova disso é a escrita automática que se publica em fac-símile acompanhando a série de gravuras e que tem a data de 1939.
“Talvez seja uma série para conhecedores, uma experiência surrealista do Conde de Orgaz, onde o erotismo tem primazia, enquanto a outra série corresponde ao período mais suave de Picasso, mais suave no sentido do desenho”, cita.
A exposição conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República de Cabo Verde e com o apoio da Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÁNTICO), em Santander, e da Casa África, nas Canárias.
Conforme a mesma fonte, esta exposição dá continuidade ao esforço de ambas as instituições para promover a cultura espanhola em Cabo Verde, fomentando o intercâmbio cultural entre ambos os países.
Na sequência da exposição de Joan Miró, organizada em 2023, e da exposição de Salvador Dalí, organizada em 2024, estará agora em destaque a obra de Pablo Picasso, marcada pela sua genialidade e imaginação provocadora, oferecendo ao público cabo-verdiano a oportunidade única de contemplar obras do artista espanhol que transformou o panorama da arte contemporânea.
A exposição, que estará patente ao público até 12 de Março, será inaugurada pelo Presidente da República, José Maria Neves, bem como pelo Delegado em Cabo Verde da Fundação Canária para a Ação Exterior (FUCAEX) do Governo das Canárias, Jorge Cólogan.
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