No discurso oficial deste acto, o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, assegurou que a assinatura do contrato com os grupos de tabanca é extremamente importante e agradeceu aos grupos pelos trabalhos que têm feito na preservação da tabanca em Cabo Verde.
“Tabanca é uma das manifestações culturais mais antigas de Cabo Verde, símbolo de resistência cultural e património cultural imaterial do país. A sua classificação, em 2017, como património cultural imaterial nacional resulta do reconhecimento do seu valor identitário pelos grupos, comunidades e voluntários que têm na tabanca, enquanto manifestação cultural e associação mutualista, o principal elemento da coesão da identidade cultural”, destaca.
Augusto Veiga lembrou que, ao longo dos anos, o Governo, através do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, tem implementado programas de valorização dessa importante manifestação, assentes na melhoria dos espaços de memória, interpretação e representação, no fomento à investigação e à transmissão de conhecimentos às novas gerações, bem como no apoio financeiro a todos os grupos oficiais, na organização das suas festividades e noutras actividades inerentes à vocação social e mutualista dessa organização.
Para o governante, é pretensão do Governo que essa valorização ascenda a patamares mais elevados, através da preparação de um dossiê de candidatura para a sua inscrição na lista do património imaterial da humanidade, cujo processo técnico está sob a responsabilidade do Instituto do Património Cultural.
“O objectivo é também perspectivar a valorização deste património como vector de desenvolvimento local, turístico e de promoção da coesão social no seio da comunidade”, frisa.
Augusto Veiga disse que, desse montante assinado com os grupos, uma parte foi disponibilizada pelo Fundo do Turismo e a outra pelo próprio Ministério da Cultura.
Por seu lado, o representante dos grupos da Tabanca, Ivanildo Mendes, mostrou-se satisfeito com o acto e agradeceu ao Ministério da Cultura.
“Para nós é um momento de satisfação, porque vai dotar a tabanca de meios financeiros para poder desempenhar a sua função e para poder dar início às nossas actividades culturais”, agradece.
Ivanildo Mendes apelou ao governante para que sejam melhoradas as condições de financiamento. “Ao longo de vários anos, tem sido praticamente sempre o mesmo valor de financiamento. Sabemos que a tabanca tem despesas elevadas, tanto com instrumentos como com festas que têm a ver com os seus padroeiros.”
Sobre o aumento do financiamento, o governante sublinhou que é uma ideia que já tinham conversado. “Queremos ver se ainda este ano conseguimos aumentar esse valor, através de meios próprios ou de parceiros que já começámos a procurar, para ver se conseguimos, o mais tardar, até ao mês de Junho.”
Ainda sobre o orçamento deste ano (2026), acrescentou que conseguiram fazer aprovar dois projectos: Casa de Tabanca de Achada Grande e requalificação do Museu de Tabanca de Chã de Tanque. “Esses dois projectos estão avaliados em cerca de 18 mil contos. É um investimento do Governo já aprovado no orçamento e vai acontecer durante este ano.”
De sublinhar que, desde 2017, foi criado o projecto de valorização da tabanca, que teve como um dos propósitos o financiamento das actividades dos grupos de tabanca formalmente reconhecidos, num montante de 200 mil escudos por grupo.
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