Grito Rock Praia celebra uma década de promoção da música alternativa em Cabo Verde

PorDulcina Mendes,27 mar 2026 14:03

A Cidade da Praia recebe, a partir desta quarta-feira, 25, a 10ª edição do Grito Rock Praia, um evento que, ao longo de uma década, se afirmou como um dos principais movimentos de promoção da música alternativa em Cabo Verde. Organizado pela Artikul CJ, o Grito Rock Praia está orçado em quatro mil contos.

A organização fez esta terça-feira, 24, a apresentação de um festival, que é o movimento colaborativo construído ao longo de dez anos, na Cidade da Praia.

Segundo Ricardo Teixeira, esta edição marca não apenas a continuidade do evento, mas também a celebração de um percurso construído de forma colaborativa.

“Para nós, o Grito Rock Praia é mais do que um festival. É um movimento construído ao longo dos anos, com o contributo de artistas, parceiros, voluntários e público”, afirmou.

Ricardo Teixeira destacou ainda o papel dos parceiros institucionais e privados no sucesso do evento, com especial reconhecimento ao Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e à Câmara Municipal da Praia, presentes desde a primeira edição.

Do ponto de vista organizacional, a equipa garante que está na fase final dos preparativos, assegurando a qualidade técnica habitual. O festival é de entrada livre e dirigido a todas as faixas etárias, com início às 17h00 e término previsto para a meia-noite, na Pracinha da Escola Grande.

De acordo com César Freitas, também da organização, o evento apresenta uma programação diversificada, que vai além dos concertos. A edição arranca com o “Grito Cinema”, na quarta-feira, 25, com a exibição de um filme produzido pela Artikul CJ sobre o batuco.

Na sexta-feira, 27, acontece o “Grito Encontro”, um momento de confraternização entre os artistas participantes, promovendo a criação de laços e intercâmbios culturais. “O Grito Rock tem sempre a ideia de criar amizades e laços que ultrapassam fronteiras e isso só é possível através de confraternização e convívio entre os artistas”.

Já o “Grito Jam” será um espaço descontraído após o festival, no espaço Alkimist, em Kebra Canela.

O programa inclui ainda o “Grito Aberto”, uma visita à Cidade Velha com artistas internacionais, com o objectivo de dar a conhecer a história e a cultura cabo-verdiana.

Campanha ambiental

César Freitas garantiu que o festival mantém a sua vertente de sensibilização ambiental, que já vai na quinta edição. Este ano, a campanha foca-se na redução do uso de plástico descartável, sob o lema “Um por todos e todos por zero”.

“Já fizemos sobre o lixo, árvores, plantas e o mar. Neste momento, vamos falar um bocadinho sobre o plástico descartável de única utilização. A ideia é reduzir o uso deste objecto muito poluente, que é o plástico de única utilização”, elucida.

Com esta campanha a organização quer desafiar as pessoas e empresas a acondicionar todo o plástico gerado, para visualizar a quantidade deste resíduo que geram.

Cartaz

Conforme realçou César Freitas, o cartaz desta edição reflecte a diversidade do rock alternativo, com a participação de bandas nacionais e internacionais. Entre os destaques nacionais estão os grupos Tommy Hegel Band, da Praia, e Freak, de São Vicente, uma das bandas mais influentes do rock cabo-verdiano, com mais de 30 anos de carreira.

A banda Primitive, também da Praia, regressa ao palco após a última participação em 2019, numa presença que assinala o seu envolvimento histórico com o festival.

A nível internacional, o festival recebe a banda Torp, das Ilhas Åland, conhecida pelo seu estilo de metal pesado e melancólico, e a banda Black Widows, de Lisboa, composta exclusivamente por mulheres, cuja participação se enquadra nas celebrações do Março, Mês da Mulher.

“Se é do mês de Março, então esse vai ser o ponto alto do festival, a cereja em cima do bolo. A parte mais agradável é trazer uma banda constituída por cinco mulheres”, indica.

O festival tem um orçamento estimado em cerca de quatro milhões de escudos, mas a organização admite dificuldades na mobilização de recursos, tendo conseguido arrecadar apenas parte do financiamento necessário.

Nesta edição, a organização optou por não homenagear uma figura individual, privilegiando a celebração dos 10 anos do festival, com uma retrospectiva do seu percurso e impacto no panorama musical cabo-verdiano.

“Vamos recordar esses 10 anos, em lugar de fazer um homenageado singular. Tiramos o momento para homenagear o nosso Grito Rock”, realça.

Por outro lado, disse que o Grito Rock Praia é um evento seguro, pensado para todos, famílias, jovens e amantes da música. “Mais do que assistir aos concertos, queremos que o público reflicta e se envolva”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1269 de 25 de Março de 2026.

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Autoria:Dulcina Mendes,27 mar 2026 14:03

Editado porAndre Amaral  em  27 mar 2026 18:19

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