A organização fez esta terça-feira, 24, a apresentação de um festival, que é o movimento colaborativo construído ao longo de dez anos, na Cidade da Praia.
Segundo Ricardo Teixeira, esta edição marca não apenas a continuidade do evento, mas também a celebração de um percurso construído de forma colaborativa.
“Para nós, o Grito Rock Praia é mais do que um festival. É um movimento construído ao longo dos anos, com o contributo de artistas, parceiros, voluntários e público”, afirmou.
Ricardo Teixeira destacou ainda o papel dos parceiros institucionais e privados no sucesso do evento, com especial reconhecimento ao Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e à Câmara Municipal da Praia, presentes desde a primeira edição.
Do ponto de vista organizacional, a equipa garante que está na fase final dos preparativos, assegurando a qualidade técnica habitual. O festival é de entrada livre e dirigido a todas as faixas etárias, com início às 17h00 e término previsto para a meia-noite, na Pracinha da Escola Grande.
De acordo com César Freitas, também da organização, o evento apresenta uma programação diversificada, que vai além dos concertos. A edição arranca com o “Grito Cinema”, na quarta-feira, 25, com a exibição de um filme produzido pela Artikul CJ sobre o batuco.
Na sexta-feira, 27, acontece o “Grito Encontro”, um momento de confraternização entre os artistas participantes, promovendo a criação de laços e intercâmbios culturais. “O Grito Rock tem sempre a ideia de criar amizades e laços que ultrapassam fronteiras e isso só é possível através de confraternização e convívio entre os artistas”.
Já o “Grito Jam” será um espaço descontraído após o festival, no espaço Alkimist, em Kebra Canela.
O programa inclui ainda o “Grito Aberto”, uma visita à Cidade Velha com artistas internacionais, com o objectivo de dar a conhecer a história e a cultura cabo-verdiana.
Campanha ambiental
César Freitas garantiu que o festival mantém a sua vertente de sensibilização ambiental, que já vai na quinta edição. Este ano, a campanha foca-se na redução do uso de plástico descartável, sob o lema “Um por todos e todos por zero”.
“Já fizemos sobre o lixo, árvores, plantas e o mar. Neste momento, vamos falar um bocadinho sobre o plástico descartável de única utilização. A ideia é reduzir o uso deste objecto muito poluente, que é o plástico de única utilização”, elucida.
Com esta campanha a organização quer desafiar as pessoas e empresas a acondicionar todo o plástico gerado, para visualizar a quantidade deste resíduo que geram.
Cartaz
Conforme realçou César Freitas, o cartaz desta edição reflecte a diversidade do rock alternativo, com a participação de bandas nacionais e internacionais. Entre os destaques nacionais estão os grupos Tommy Hegel Band, da Praia, e Freak, de São Vicente, uma das bandas mais influentes do rock cabo-verdiano, com mais de 30 anos de carreira.
A banda Primitive, também da Praia, regressa ao palco após a última participação em 2019, numa presença que assinala o seu envolvimento histórico com o festival.
A nível internacional, o festival recebe a banda Torp, das Ilhas Åland, conhecida pelo seu estilo de metal pesado e melancólico, e a banda Black Widows, de Lisboa, composta exclusivamente por mulheres, cuja participação se enquadra nas celebrações do Março, Mês da Mulher.
“Se é do mês de Março, então esse vai ser o ponto alto do festival, a cereja em cima do bolo. A parte mais agradável é trazer uma banda constituída por cinco mulheres”, indica.
O festival tem um orçamento estimado em cerca de quatro milhões de escudos, mas a organização admite dificuldades na mobilização de recursos, tendo conseguido arrecadar apenas parte do financiamento necessário.
Nesta edição, a organização optou por não homenagear uma figura individual, privilegiando a celebração dos 10 anos do festival, com uma retrospectiva do seu percurso e impacto no panorama musical cabo-verdiano.
“Vamos recordar esses 10 anos, em lugar de fazer um homenageado singular. Tiramos o momento para homenagear o nosso Grito Rock”, realça.
Por outro lado, disse que o Grito Rock Praia é um evento seguro, pensado para todos, famílias, jovens e amantes da música. “Mais do que assistir aos concertos, queremos que o público reflicta e se envolva”.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1269 de 25 de Março de 2026.
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