​Cidade da Praia vibra ao ritmo do mundo na segunda noite do AME

PorDulcina Mendes,8 abr 2026 14:23

A segunda noite do Atlantic Music Expo (AME) começou e terminou com música cabo-verdiana, mas também passou por sonoridades franco-japonesas e brasileiras. Os espetáculos decorreram em dois palcos: a Rua Pedonal e a Pracinha da Escola Grande.

A artista Ineida Moniz deu o pontapé de saída do showcase na Rua Pedonal. Levou ao palco do AME a força da morna e da coladeira, com um olhar que atravessa o oceano. Entre o eco de Orlando Pantera e a modernidade do Atlântico Sonoro, a sua voz afirmou-se como um manifesto de equidade e talento.

Natural da Cidade da Praia, Ineida Moniz cruzou os ritmos tradicionais do arquipélago com influências contemporâneas, criando uma fusão que soa familiar e, ao mesmo tempo, inovadora. Com uma voz que “abraça o mundo”, a artista afirma-se também como uma voz firme na defesa da equidade feminina nas artes. O seu regresso ao palco do AME ficou marcado pela maturidade de quem transporta a identidade de um povo com orgulho e sofisticação.

De seguida, a Pracinha da Escola Grande recebeu o jovem artista de São Vicente, Derrick Salomão, um dos rostos da renovação da música tradicional cabo-verdiana.

Vencedor do concurso “Todo Mundo Canta”, em 2020, com apenas 16 anos, Derrick demonstra uma maturidade vocal impressionante, interpretando clássicos e composições próprias, como o single “Sentimento Iludido”, com uma entrega que honra o legado de Ildo Lobo.

No palco do AME 2026, apresentou uma ponte entre a juventude e a memória, provando que a morna continua viva e capaz de viajar pelo mundo.

A música regressou à Rua Pedonal com a cantora, flautista e performer franco-japonesa Maïa Barouh, que criou um universo sonoro único onde as técnicas vocais ancestrais do Japão, como o canto das ilhas do sul, se encontram com o groove moderno, a eletrónica e o jazz.

Filha do lendário Pierre Barouh, Maïa levou ao palco do AME uma performance teatral e multi-instrumentista, marcada pela sua flauta transversal e uma energia que desafia fronteiras culturais.

Maïa Barouh apresentou uma fusão explosiva: do folclore ancestral japonês ao punk, do jazz à eletrónica. Com a sua flauta, que funciona como voz e percussão, a artista franco-japonesa derrubou fronteiras e convidou o público para um universo irreverente e provocador.

Já a Pracinha da Escola Grande recebeu as Sambaiana, coletivo feminino de Salvador, Bahia (Brasil), que renova a tradição do samba com um olhar contemporâneo e empoderado.

Composto inteiramente por mulheres, o grupo celebra a herança rítmica do Brasil, fundindo o samba de roda com arranjos modernos e letras que exaltam a força feminina e a ancestralidade afro-brasileira.

Sob a liderança de Ju Moraes, este coletivo de sete instrumentistas transformou o AME 2026 numa verdadeira celebração da resistência e do talento baiano. Do Rio Vermelho para o mundo, a tradição renova-se com um groove autêntico que mistura MPB, pop e a pulsação única da Bahia.

O palco da Rua Pedonal acolheu ainda o espetáculo de Kizaba (Quebec/Congo), baseado em Montreal, mas com raízes profundas na República Democrática do Congo.

Kizaba é um mestre da percussão e da voz que reinventa o soukous e o afrobeats com uma roupagem eletrónica moderna. Conhecido pela sua estética visual única, que mistura máscaras tradicionais com elementos futuristas, o artista oferece uma performance que é simultaneamente um ritual ancestral e uma festa de dança contemporânea.

No palco, Kizaba apresentou o seu “afrofuturismo”, unindo Kinshasa ao Canadá e encurtando distâncias entre as raízes do Congo e a vanguarda contemporânea. Com batidas eletrónicas e o vigor do soukous, trouxe uma música que viaja entre o ancestral e o futuro.

Minutos antes do término do espectáculo, registou-se um corte de electricidade, mas o público não desistiu de acompanhar a atuação, mesmo às escuras. O artista recorreu à percussão para manter a energia e animar a noite, que se mantinha vibrante.

Mesmo às escuras, o público transitou do palco da Rua Pedonal para a Pracinha da Escola Grande, aguardando pela actuação de Batchart & Maya, que acabou por atrasar devido ao corte de energia no Plateau.

Assim que a luz foi restabelecida, a alegria do público fez-se sentir, acompanhada pela energia e vontade de cantar de Batchart & Maya.

Batchart, voz consciente do rap cabo-verdiano, juntou-se à intensidade de Maya para apresentar o projecto “1+1”.

Mais do que um concerto, foi um diálogo entre gerações e sensibilidades. Entre rimas que tocam a alma e melodias envolventes, o amor e a vulnerabilidade ganharam uma sonoridade urbana, moderna e profundamente cabo-verdiana.

Hoje, há mais música na Rua Pedonal e na Pracinha da Escola Grande, com atuações de Nara Couto (Brasil), Mindela Soares (Cabo Verde), Eri Manuel (Cabo Verde), Dois, Pois (Portugal), Zale Seck (Senegal) e Mark Delman (Cabo Verde).

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Autoria:Dulcina Mendes,8 abr 2026 14:23

Editado porAndre Amaral  em  8 abr 2026 18:19

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