​Pais de karatecas revoltados com não chamada à selecção. Seleccionador justifica decisão com opções técnicas

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jun 2018 12:37

Renato Fortes, Silviane Monteiro e Mauro Soares
Renato Fortes, Silviane Monteiro e Mauro Soares(Rádio Morabeza)

Os pais dos campeões nacionais de kata e kumite, em São Vicente, questionam o porquê da não integração dos atletas na selecção aos Jogos Africanos da Juventude, em Julho, na Argélia.

Em conferência de imprensa, realizada na tarde desta terça-feira, no Centro de Estágio da Federação Cabo-verdiana de Futebol, no Mindelo, a porta-voz, Ana Paula Rodrigues, questionou os critérios utilizados pela Federação Cabo-verdiana de Karaté na selecção dos desportistas.

“Assuntos desta natureza devem ser tratados com seriedade, método e critérios de selecção. Felizmente, tivemos acesso a um documento bastante interessante que é a brochura técnica de disciplina de karaté aos Jogos Africanos da Juventude, que diz que é admitida a modalidade de kata e kumite. Os atletas que temos aqui são campeões de kata e de kumite, sem dúvidas”, realça.

Em causa, a não convocação de Mauro Soares, vencedor do nacional de kumite e kata júnior, em 2017, e Renato Fortes, campeão nacional de kata, no escalão júnior, em 2017, e considerado vencedor de kumite, em 2015, por não ter aparecido, na altura, um concorrente com o seu peso, acabando por não competir.

Os pais também questionam a não integração de Silviane Monteiro, campeã nacional de kata júnior em 2017.

Ana Paula Rodrigues diz que vão recorrer, inclusive às autoridades desportivas internacionais, para denunciar a situação.

“Vamos recorrer ao Governo, através do Ministro do Desporto, ao Comité Olímpico Cabo-verdiano, ao Comité Olímpico Internacional, à Associação de Comités Olímpicos Nacionais de África, ao Comité Organizador do Jogos Africanos da Juventude. Se tivermos patrocínio, vamos para onde for para expor essa situação”, promete.

Contactado pela Rádio Morabeza, o seleccionador nacional de Karaté, Victor Marques, explica que o facto de os atletas terem vencido uma competição não tem um peso decisivo. O responsável esclarece que o seleccionador opta por atletas “com percurso” e que já ganharam “vários campeonatos”, em competições mais disputadas.

“Apresentamos candidatura com base nas competições já feitas, inclusive as últimas. Se calhar os pais estão a acreditar nas últimas competições, mas também temos recorrido aos dados que já constam do Conselho Técnico da Federação Cabo-verdiana de Karaté. Encontramos atletas ali com performance e que garantem sustentabilidade para se fazer uma selecção. O treinador acaba por acreditar numa das potencialidades quando tem de fazer a selecção. Se eu não tivesse que seleccionar, levaria, se calhar, todos”, diz.

Outra questão, explica o seleccionador, prende-se com o facto de o país estar a participar nos Jogos Africanos da Juventude apenas na disciplina de kumite.

“Infelizmente, alguns dos pais que devem estar a criticar neste momento pensam que os seus filhos devia estar a representar o país na disciplina de kata, que não é o caso, na nossa participação”, explica à Morabeza.

O seleccionador reconhece o potencial dos atletas, pedindo aos país que incentivem os filhos a continuarem a fazer o melhor para demonstrar que merecem representar o país. Victor Marques pede compreensão porque, diz, há limitações em termos de números de participantes, o que não quer dizer que os atletas não mereçam estar na selecção.

Os Jogos Africanos da Juventude acontecem em Argélia, de 18 a 28 de Julho. A prova terá a participação de 54 países e abrange cerca de 2500 atletas, de 31 modalidades desportivas, e cerca de 500 oficiais e técnicos. Cabo Verde deve participar com 5 atletas, femininos e masculinos, na categoria de kumite.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jun 2018 12:37

Editado porFretson Rocha  em  21 jun 2018 10:05

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