Existe uma enorme cumplicidade entre estes dois eventos. Contudo, para comentar esta cumplicidade terei de obrigatoriamente começar por referir que no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) são divulgados os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). O governo de Cabo Verde, através do plano estratégico de desenvolvimento sustentável (PEDS) e do seu programa de governo, refere os ODS de forma idêntica que vários outros países realizaram nos seus planos de desenvolvimento. O programa do governo até refere uma discriminação positiva aos desportos náuticos e de montanha.
Um dos objetivos é o número 13, que realça a necessidade de ter uma ação urgente no combate as alterações climáticas e dos seus impactos. O objetivo 14 refere-se à conservação dos oceanos e recursos marítimos e, o objetivo 15, refere-se à promoção da proteção dos ecossistemas terrestres na manutenção das montanhas.
O desporto tem um papel fundamental na obtenção destes objetivos. Uma das melhores formas pela qual podemos promover a educação para a proteção da orla marítima é efetivamente colocar um grupo de jovens a praticar natação, surf ou outro desporto náutico. O poder educativo do desporto consegue criar atitudes e promover modificações comportamentais que podem ser utilizadas para a concretização de vários objetivos de desenvolvimento. Enalteço aqui o famoso lema de “destrua as ondas e não as praias” para a promoção do objetivo 13 e 14 dos ODS.
O evento da marcha pelo clima, como uma participação ativa da sociedade civil no passado fim de semana, e que foi organizado pela organização 350, na cidade da praia, tinha a participação entre outros do presidente da Federação Cabo-verdiana de Surf. Em declarações á margem da marcha disse “não queremos surfar no lixo”. Os surfistas dizem estar prontos para fazer a sua parte nesta matéria.
Cabo verde, no capítulo do desporto de montanha, tem nos acostumado a dar grandes alegrias. No ano passado, na participação do Trail da Serra d’Arga (com uma comitiva de 12 atletas) alcançamos 8 medalhas. Este ano “invadimos” com uma comitiva de 16 pessoas (14 atletas e 2 dirigentes) a famosa serra de Portugal. Vamos em força para conseguir novamente atingir o pódio numa das mais prestigiadas provas a nível mundial.
A equipa da Emicela – Cabo Verde, liderada por Orlandinho Mascarenhas, não vai “apenas” à busca da excelência desportiva, no próximo dia 21 a 23 deste mês. Vai também com a missão, á luz da concretização do objetivo 13 e 15 dos ODS, da promoção da proteção ambiental através do desporto.
A natação em cabo verde acaba de fazer o mesmo, com a sua participação no campeonato africano na Argélia. A massificação desta modalidade em Cabo Verde, caso contemple a educação para a proteção dos oceanos e da orla marítima, constitui uma importante janela de oportunidade a nível da educação para a proteção ambiental.
Captar e educar jovens atletas para a prática dos desportos náuticos e de montanha é uma forma eficaz de promover a obtenção destes objetivos.