Xadrez masculino e feminino participaram nos Jogos Africanos

PorFrancisco Carapinha,8 set 2019 8:58

Depois da participação na Olimpíada de Batumi (Georgia), a nossa selecção de xadrez voltou aos palcos internacionais marcando presença nos 12.ºs Jogos Africanos que se disputaram em Marrocos.

Após o anúncio de que o xadrez seria uma das modalidades dos Jogos, depois de analisar os custos da nossa possível participação, a primeira reacção da FCX foi o de não participar. No entanto, a FIDE (Federação Internacional de Xadrez), enviou-nos um mail solicitando a nossa participação pois como pretende que o xadrez venha a ser reconhecido pelo COI como modalidade olímpica, disponibilizou-se a pagar os alojamentos das selecções, até um máximo de 5 pessoas por equipa.

Analisada a nova situação, a FCX decidiu participar nos Jogos Africanos, apostando na juventude com uma equipa composta, essencialmente, por atletas, recrutados nos Juniores e tendo como base nos critérios de selecção, as classificações nos Campeonatos Nacionais de Jovens, realizados em Março passado na cidade da Praia.

Para constituir a equipa, que obrigatoriamente tinha de ser constituída com 2 atletas masculinos e 2 femininos, foram chamados o Campeão e vice-campeão nacionais de Juniores, Luiz Moniz e Joel Pires, respectivamente e, na componente feminina, a escolha final acabou por recair numa atleta junior que tinha participado nos nacionais de rápidas e semi-rápidas e numa das melhores atletas classificadas no nacional de Juvenis, ou seja, Honorina Morais e Loedi Gomes, respectivamente. Eu fui encarregue de chefiar a delegação e capitanear a equipa.

No dia 23 de Outubro viajamos para Casablanca, cidade onde se disputaram as competições de xadrez que decorreram de 24 a 28 do mês passado e que incluíam um torneio de equipas mistas e dois torneios individuais (Open e feminino), na variante de semi-rápidas (15+10) e, dois torneios individuais (Open e feminino), na variante de rápidas (3+2).

No torneio de equipas mistas, com apenas 1 ponto, resultante de 8 derrotas e um empate, não conseguimos melhor que o 20.º e ultimo lugar. Destaca-se, no entanto, a participação da nossas meninas que, individualmente, somaram 4 pontos, 3 dos quais por Loide Gomes e o outro pela Honorina Morais.

Na manhã do dia 24 iniciou-se a competição de equipas mistas, com a equipa do Quénia a ser o nosso primeiro adversário. Com se esperava, fomos derrotados por 4-0. O segundo jogo, com as Maurícias, trouxe-nos a primeira surpresa: Loedi Gomes (a mais nova dos nossos atletas) venceu a sua partida e a nossa derrota, por 3-1, foi menos pesada.

Na parte da tarde jogamos mais 3 jogos, com Loedi Gomes, na 3.ª ronda, a repetir a vitória individual desta feita com a Republica Centro Africana. As 4.ª e 5.ªs rondas, jogadas também na tarde do primeiro dia de competições, voltamos a perder por 4-0, primeiro com o Mali e depois com os nossos irmãos de S. Tomé e Príncipe.

No final do primeiro dia de competições, Loedi Gomes estava a surpreender-me, tendo obtido 2 pontos em 5 possíveis, performance que veio a melhorar no dia seguinte, na 6.ª ronda, quando empatamos (2-2) com Eritreia, e onde esta nossa atleta estava com 50% de aproveitamento. Honorina Morais, nesta ronda, estreou-se também a vencer.

As restantes rondas, acabaram todas em derrotas por 4-0, e onde defrontamos, sucessivamente, Camarões, Etiópia e Namíbia. O último lugar era nosso, com 1 ponto apenas, mas com 4 vitórias individuais. Oito derrotas e um empate, demonstram a quão distância ainda estamos dos nossos adversários.

No dia 26 iniciaram-se as competições individuais de semi-rápidas com dois torneios: Open e feminino.

No Open, os nossos atletas ficaram no último lugar com 1 ponto cada um, sendo que o ponto obtido por um deles foi fruto do jogo em que ambos se defrontaram.

Na competição feminina, Loedi Gomes voltou a somar 3 pontos fruto de 3 vitórias. Honorina também somou 3 pontos, mas um deles foi obtido por força de um bye. No final ocuparam o 36.º e 37.º lugares, num universo de 41 competidoras.

O último dia de competições, foi dedicado às partidas rápidas, também em dois torneios individuais à semelhança das semi-rápidas.

No Open, com 1,5 pontos cada um, os nossos rapazes fugiram ao último lugar que foi para um etíope que somou igual número de pontos mas com piores critérios de desempate.

Na competição feminina, Loedi Gomes voltou a vencer por 3 vezes enquanto que, Honorina Morais, em crescendo, obteve 4 vitórias, alcançando a 31.ª posição em igualdade pontual com a 22.ª. Loedi, classificou-se em 35.º lugar com o mesmo número de pontos que a 33.ª.

Resumindo: foi surpreendente, pela positiva, a participação feminina e sem surpresas a participação masculina. Embora tivéssemos consciência que desportivamente não iríamos obter resultados de excelência, foi com consciência que apostámos nesta juventude, certos de que neste momento estivemos a plantar o que mais tarde queremos colher.

No final do terceiro dia de competições, o presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, teve um encontro com os responsáveis das equipas presentes, onde apresentou algumas das propostas que pretende introduzir na organização do xadrez mundial. Nesse encontro, a Comissão de Planeamento e Desenvolvimento divulgou um relatório sobre o desenvolvimento do xadrez, tendo a conselheira, para África, daquela comissão, divulgado que S. Tomé e Príncipe, Maurícias e Cabo Verde, são os três países onde o xadrez mais se tem desenvolvido no continente africano. Ou seja, de acordo com as palavras dessa conselheira, estamos a trilhar o caminho certo, e já um reconhecimento internacional pelo trabalho que temos desenvolvido.

Uma nota final, para os diversos encontros que os representantes dos PALOP’s mantiveram, reforçando assim, o papel da lusofonia no seio da FIDE e da Confederação Africana de Xadrez.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 927 de 04 de Setembro de 2019. 

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Autoria:Francisco Carapinha,8 set 2019 8:58

Editado porAndre Amaral  em  8 set 2019 9:22

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