Saudação Black Power nos Jogos Olímpicos de 1968

PorLeonardo Cunha,20 jun 2020 9:34

A regra 50 da Carta Olímpica do Comité Olímpico Internacional (COI) foi colocada novamente em discussão. Esta regra declara que "nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em quaisquer locais ou outras áreas olímpicas”. Esta discussão está acesa pelo posicionamento da organização Global Athlete numa carta aberta ao COI e Comité Paralímpico Internacional (IPC).

Esta carta foi enviada na mesma altura que se celebra o nascimento de Thomas "Tommie" Smith a 6 de junho e curiosamente um dia antes de John Wesley Carlos a 5 de junho. Eles foram os atletas norte-americanos (EUA) que realizaram a saudação de Black Power nos Jogos Olímpicos de 1968. Esta saudação correu o mundo porque durante a cerimônia de entrega de medalhas no Estádio Olímpico da Cidade do México, em 16 de outubro de 1968, os dois atletas afro-americanos levantaram um punho de luvas pretas durante a apresentação do hino nacional dos EUA. Enquanto estavam no pódio, Smith e Carlos, que conquistaram medalhas de ouro e bronze respetivamente nos 200 metros, voltaram-se para a bandeira dos EUA e depois mantiveram as mãos levantadas até o hino terminar como forma de protesto pelos direitos humanos. Além disso, Smith, Carlos e o medalhista de prata australiano Peter Norman usavam crachás de direitos humanos em seus fatos de treino.

A resposta na altura do COI, através do seu presidente Avery Brundage, sendo ele próprio norte-americano, manifestou que considerava esta ser uma declaração política doméstica imprópria para os Jogos. Em resposta às suas ações, ele ordenou que Smith e Carlos fossem suspensos da equipa dos EUA e banidos da Vila Olímpica. Quando o Comitê Olímpico dos EUA se recusou, Brundage ameaçou banir toda a equipa de atletismo dos EUA. Essa ameaça levou à expulsão dos dois atletas dos Jogos. Mais tarde em 2013, o site oficial do COI afirmou que "além das medalhas conquistadas, os atletas norte-americanos negros se destacaram por um ato de protesto racial". Os dois atletas foram criticados amplamente e de volta a sua casa foram sujeitos a abusos em que eles e suas famílias receberam ameaças de morte. Além disso, até Peter Norman (australiano que completou o pódio com a medalha de prata) sofreu com este protesto. Num perfil de 2012 da CNN referia que “ele voltou para casa na Austrália como uma anedota, sofrendo sanções não oficiais e sendo o homem esquecido da saudação do Black Power.

Relacionado com este tema, a Global Athlete na sua carta, pede ao COI e IPC que revogue a regra 50 da Carta Olímpica. Eles argumentam que a regra ostensivamente mantém a neutralidade política dos Jogos, mas na realidade impede que qualquer indício de dissidência ou consciência política seja exibida. A Global Athlete continua a escrever que a regra coloca os atletas "em uma posição impotente", sujeitos a regras que eles não têm voz a determinar, apesar de ser uma parte importante na maneira como essas regras são executadas. A carta chama a Regra 50, "uma clara violação dos direitos humanos de todos os atletas".

Esta carta abriu uma séria discussão a volta deste tema e que não parece ter uma consensualidade no próprio Movimento Olímpico. Será importante ao COI e ao IPC esclarecer a sua posição e abrir um fórum para debater este tema que é do interesse do elemento nuclear do Movimento Olímpico – os Atletas.

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Autoria:Leonardo Cunha,20 jun 2020 9:34

Editado porAndre Amaral  em  21 jun 2020 10:06

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