​Gracelino Barbosa e o efeito ídolo – Parte 2

PorLeonardo Cunha,25 jul 2020 14:05

O movimento olímpico constitui-se através de uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço do desenvolvimento humano. No centro desta filosofia encontra-se o seu elemento nuclear que é o atleta.

Cabo Verde recentemente celebrou o seu 45º aniversário de independência nacional, e como é apanágio da ocasião, foi feito pelos meios de comunicação social uma retrospetiva histórica com o desporto no centro de uma narrativa de construção de identidade nacional. Nesta narrativa, alem dos ganhos organizacionais descritos, foram em grande medida descritos quais as grandes vitórias de cabo verde (seja por equipas ou por título individual) por parte dos nossos atletas.

Na minha opinião, considerando o pouco espaço de destaque providenciado aos jornalistas, a narrativa foi compacta e acertada. No desporto, o mais importante é de facto enaltecer quais os feitos marcantes e significativos por parte dos atletas de um país.

Do ponto de vista do desenvolvimento do desporto e das políticas transversais, o aproveitamento destas vitórias para o desenvolvimento de uma nação pode ser marcante.

Deixo como exemplo o momento em que seleções nacionais evitaram a guerra no seu próprio país (como é o caso da seleção nacional de futebol da Costa do Marfim). Mesmo em Cabo Verde, a qualificação no CAN de 2013 é um dos marcos históricos da nação pois foi um dos mais elevados momentos de união nacional registados.

Igualmente, no domínio do Desporto adaptado, fizeram referência a 2 dos maiores nomes nacionais, sendo eles os campeões do mundo - Gracelino Barbosa e Márcio Fernandes (este último até ocupa uma posição de responsabilidade por ser embaixador do desporto para a CPLP numa proposta do Governo de Cabo Verde). Ambos já foram publicamente homenageados em território nacional pelos feitos conquistados.

O facto de destacar os estes dois nomes (e não outros com igual relevância) advém do facto dos mesmos se terem manifestado publicamente através das redes sociais neste momento particular sobre a falta de apoios que tem vivido ao longo da sua carreira desportiva. Citando Márcio Fernandes que diz “não se pode dar a água apenas depois da travessia do deserto”.

Eles são de facto apontados como exemplos para a sociedade de forma consensual, seja a nível das organizações privadas ou publicas que estão ligadas a Cabo Verde. A utilização do efeito ídolo é de facto uma ferramenta de grande eficácia para o aumento da base desportiva no recrutamento de atletas e também serve como elemento motivador e de orgulho (através do processo de identidade nacional) para a população em geral. Igualmente servem como embaixadores para o reconhecimento da nação num panorama internacional para um país que por vezes nem se encontra no mapa-mundo.

Ontem, dia 23 de julho de 2020, sentimos fisicamente o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tokyo2020 por mais 1 ano. A única oportunidade que advém desta pandemia é a de vincar o movimento olímpico como uma luz ao fim do túnel no reconhecimento da união da humanidade para ultrapassar este desafio. Simbolicamente, são os atletas que vão participar daqui a 1 ano nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos que carregam toda esta carga emocional.

Eles vão certamente ser importantes porta-vozes para este momento.

Paralelamente, durante este ano e o próximo, vamos igualmente ser marcados por períodos eleitorais em Cabo Verde. Esta é igualmente uma altura sensível (pela carga emocional descrita anteriormente) em que a voz dos atletas deve ser ouvida e igualmente respeitada a sua imagem e convicção pessoal. É da máxima importância serem eles em plenitude possam ser os verdadeiros porta-vozes das suas preocupações na qualidade de elemento nuclear do movimento olímpico.

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Autoria:Leonardo Cunha,25 jul 2020 14:05

Editado porFretson Rocha  em  7 ago 2020 23:20

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