Caminho incerto rumo a Tóquio2020

PorLeonardo Cunha,20 nov 2020 15:14

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No último fim de semana, Cabo Verde teve um início animador e moralizador, com as vitórias e respetivas medalhas de ouro dos atletas Djamila Silva e Alexandre Silva no Open de Dacar de Judo. Este Open marcou o regresso com o pé direito às competições internacionais de Judo para a equipa de Cabo Verde. Neste evento os nossos atletas venceram os seus adversários diretos para a conquista de um lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020.

Tudo se advinha para que Cabo Verde tenha um resultado animador no próximo mês de dezembro em Madagáscar. A comitiva das ilhas morabeza estará em princípio representada por 6 atletas (4 femininos e 2 masculinos) no Campeonato Africano de Judo de 2020.

Contudo, o caminho é incerto para a chegada ao Japão em julho de 2021. Estamos ainda no decorrer de uma pandemia e os maiores especialistas de medicina procuram acalmar ou aumentar a excitação pública em torno dos testes de vacinação em curso. O virologista italiano Roberto Burioni foi citado dizendo que "em termos futebolísticos, estamos a 10 minutos da segunda parte e estamos a ganhar por 3-0". Ele dizia isto na mesma altura que saia a notícia de que a vacina da Pfizer era mais de 90 por cento eficaz contra o COVID-19.

Com a visita de Thomas Bach (Presidente do Comité Olímpico Internacional) ao Japão, ficamos a saber também que os Jogos podem vir a decorrer com um cenário de maior normalidade. No entanto, os eventos de qualificação continuam a ser uma questão importante. O diretor-executivo da Associação das Federações Olímpicas de verão (ASOIF), Andrew Ryan, admitiu que estavam a ter de "mover continuamente os postes da baliza" enquanto tentavam garantir que a qualificação é o mais justa possível para os atletas.

Esta tem sido a grande preocupação para que os Jogos Olímpicos possam realizar-se com igualdade de mérito de qualificação. Ryan referiu isso ao afirmar que "De alguma forma temos de garantir que a possibilidade de os atletas se qualificarem será igual para todos."

Já existem 57 por cento dos lugares de quota já garantidos para os Jogos do próximo ano. É necessário que a ASOIF cumpra a promessa de máxima flexibilidade para garantir que os restantes 43 por cento possam ser alcançados, com o máximo de oportunidades possível.

As Federações Internacionais estão neste momento a ter um grande desafio na garantia desta igualdade. Exemplo disso é a organização do Campeonato Europeu de Judo, que deverá ter lugar no final deste mês. O diretor desportivo da Federação Alemã de Judo (DJB), Ruben Goebel, disse que a organização optou por enviar uma equipa para a República Checa devido ao evento que oferece pontos de classificação para a qualificação olímpica.

Esta opção do judo alemão pode ter impacto nas esperanças de qualificação dos seus atletas. Com esta opção podemos questionar se é correto que as federações mais cautelosas possam ter menos oportunidades para ver os seus atletas qualificarem-se.

Com os vários bloqueios a serem reintroduzidos em vários países e os períodos de quarentena que levaram a novos cancelamentos de eventos, não é de admirar que as questões sobre a qualificação estejam novamente a ser levantadas. O desafio mais significativo parece estar nos desportos onde os lugares são garantidos através do ranking mundial, que normalmente teria uma série de eventos que permitiriam que atletas e equipas trabalhassem ao longo de todo o período de qualificação.

Parece ser esta a razão mais estruturante de ameaça à participação nos Jogos Olímpicos, pois as condições iniciais de participação são diferentes considerando as restrições de viagens e as políticas de salvaguarda da saúde dos seus próprios atletas.

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Autoria:Leonardo Cunha,20 nov 2020 15:14

Editado porAndre Amaral  em  23 nov 2020 18:06

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