Género, Liderança e Tóquio 2020

PorLeonardo Cunha,12 fev 2021 9:58

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Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos vão desenrolar-se em situações extraordinárias. Vai ser um real teste à capacidade de solidariedade e união no movimento olímpico para a garantia de sucesso desta edição dos Jogos. Existe uma grande especulação em torno da realização dos Jogos e última coisa que os organizadores precisavam era de se encontrar envolvidos numa polémica à volta de comentários sexistas.

Yoshirō Mori - Presidente de Tóquio 2020, durante uma conversa sobre representação feminina numa reunião do Comité Olímpico Japonês (JOC), sugeriu que as mulheres falam demasiado. Posteriormente, disse estar "profundamente arrependido" durante uma conferência de imprensa organizada na semana passada. Apesar do pedido de desculpas, acabou por agravar ainda mais a situação quando lhe perguntaram se achava que as mulheres falavam demasiado, na qual respondeu "não ouço muito as mulheres ultimamente, por isso não sei".

Após esta conferência de imprensa, o Comité Olímpico Internacional (COI) disse que considera a "questão encerrada" na sequência do pedido de desculpas de Mori, enquanto o próprio alegou que queria demitir-se, mas foi convencido de outra forma.

De forma já esperada, as críticas a Mori cresceram e a governadora de Tóquio Yuriko Koike descreveu a situação como uma "questão importante" para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos e disse ter ficado "sem palavras" com as palavras de Mori.

Na verdade, se Mori permanecer na sua posição de Presidente, será prejudicial para a imagem dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio 2020 num evento que já perdeu muita popularidade entre os residentes japoneses. Como seria de esperar, os comentários de Mori aumentaram a atitude negativa em relação a Tóquio 2020 no Japão. Igualmente, a inação também causaria danos substanciais ao objetivo do COI de promover a igualdade entre homens e mulheres.

O COI, por sua vez, está sempre interessado em promover as formas como aumentou a representação feminina, quer se trate de uma divisão de género de 50-50 no programa para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 ou de acolher mais mulheres para a adesão ao COI.

Neste momento foi uma figura chave e influênte no mundo olímpico a fazer comentários discriminatórios contra as mulheres e sugeriu que as mulheres não eram bem-vindas na administração e governação das organizações desportivas. Esta foi uma atitude que influenciou (direta ou indiretamente) as tentativas de aumentar a representação feminina nestas áreas.

O COI afirma que tem uma "responsabilidade importante em tomar medidas no que diz respeito à igualdade de género", mas respondeu aos comentários de Mori como sendo uma "questão encerrada". Esta era uma situação que ninguém estaria à espera e que infelizmente será necessário tomar ação imediata que não prejudique ainda mais a reputação dos Jogos.

Conforme argumentei anteriormente, os Jogos têm de trazer um benefício não económico reconhecido pela população do Pais organizador. Um lapso como este, não ter consequências e trazer um sentimento de irrelevância, vai destruir a construção de um benefício desta natureza. A inexistência de benefícios locais para a organização dos Jogos é a pior ameaça que o Movimento Olímpico pode enfrentar.

Foi anunciado que Mori poderia se demitir hoje (12 de fevereiro de 2021).

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Autoria:Leonardo Cunha,12 fev 2021 9:58

Editado porAndre Amaral  em  18 out 2021 23:21

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