Sucesso Olímpico de Cabo Verde nos JO

PorLeonardo Cunha,13 ago 2021 8:22

Na altura de despedida de mais uns Jogos Olímpicos, naquela que é a 7ª participação de Cabo Verde, urge fazer uma pequena reflexão sobre a participação nesta edição de Toquio2020. Estes Jogo Olímpicos, logo marcados pelo facto de terem sido adiados e surgirem numa altura em que a pandemia ainda vigora a nível global, apresentaram vários desafios que no final se mostraram como oportunidades.

A expectativa de participação nesta edição dos Jogos era globalmente definida por muitas incertezas e por ansiedade, seja por parte dos participantes como por parte dos organizadores. O número de restrições impostas, aliado com a falta de oportunidades de preparação e de competição, provocaram uma natural alteração clara ao que se espera ser um processo normal de participação nos Jogos.

Para Cabo Verde, esta realidade não foi diferente dos outros países, com a particularidade do Comité Olímpico Cabo-verdiano (COC) depender de cem por cento dos seus recursos através de vários parceiros privados para a organização e preparação desta missão. A preparação da missão de Toquio2020 começou no final do primeiro trimestre de 2017, na qual foram realizadas reuniões com as principais partes interessadas na preparação para os Jogos, com alento aos principais desafios previstos para o sucesso de participação nos Jogos.

As federações nacionais tiveram a oportunidade de fazer todo o seu planeamento de preparação e participação em competições internacionais no sentido de garantir a qualificação para os Jogos. Os resultados de sucesso dos nossos atletas durante o ciclo olímpico qua agora termina permitiu aumentar a reputação internacional de Cabo Verde, e assim ter a maior delegação presente nos Jogos Olímpicos. Cabo Verde participou com 6 atletas nas modalidades de Natação (estreia absoluta), Atletismo, Boxe, Judo e Ginástica Rítmica.

Os objetivos dos nossos atletas foram ajustados à sua realidade, seu nível de competição e aos recursos que lhes foram disponibilizados durante a fase de preparação e qualificação. Foi transmitido pelas equipas técnicas que o objetivo dos mesmos (de uma forma global) era a sua superação pessoal e a obtenção das melhores marcas da época. Todos, sem exceção, conseguiram esse feito e tivemos alguns conseguiram mesmo avançar para patamares ainda não atingidos anteriormente durante outras edições dos Jogos.

O COC, tinha por objetivo, criar as melhores condições logísticas para a participação dos nossos atletas nesta edição dos Jogos. Numa análise preliminar, todos os objetivos propostos foram compridos no plano desportivo. Contudo, o COC deve considerar que a missão não termina no dia 8 de agosto com a cerimónia de encerramento e deve assegurar continuidade durante o próximo ciclo que advém.

No plano extradesportivo é necessário ainda consolidar os contactos bilaterais que foram realizados durante estes jogos com os outros Comités e Federações Internacionais (em ponte com as federações nacionais), para alavancar ainda mais o processo de desenvolvimento do desporto. É também um desafio a criação de um legado com foco nos atletas que participaram nos Jogos de forma a animar a base desportiva e criar espaços de maior participação desportiva da população cabo-verdiana (com especial foco na diáspora, pelas características dos nossos representantes). Assim o COC estará a criar uma lógica no qual o desporto é uma evidente ferramenta de desenvolvimento baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Estes Jogos Olímpicos, criaram também um espaço para que o COC tivesse a necessidade de garantir a sua total autonomia (seja do ponto de vista logístico ou financeiro) de qualquer entidade pública em Cabo Verde. Este facto confere-lhe um estatuto diferenciado e que permite assim ter maior proximidade com o tecido privado em Cabo Verde (e também a nível internacional) criando soluções inovadoras, mas que por sua vez nasce de uma clara limitação.

Pessoalmente, foi uma profunda honra ser o Chefe de missão da nossa delegação e sinto uma missão cumprida em relação aos objetivos da missão cabo-verdiana aos Jogos Olímpicos. Sou obrigado a terminar por agradecer ao Comité Olímpico na pessoa da sua presidente Filomena Fortes pela confiança em mim depositada, aos elementos da delegação, voluntários e até anónimos que contribuíram através da sua constante entrega e dedicação. Por fim à minha família (com um especial destaque para a minha esposa) que foram o pilar para que esta missão pudesse ter acontecido com a minha presença.

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Autoria:Leonardo Cunha,13 ago 2021 8:22

Editado porSara Almeida  em  15 out 2021 23:21

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