Planeta Verde, Movimento Olímpico e Desporto – parte II

PorLeonardo Cunha,5 nov 2021 10:59

As questões verdes estão na ordem do dia, muito devido à reunião do COP26. Isto cria uma oportunidade para rever as várias iniciativas do Movimento Olímpico e como estas podem ser concretizadas no espaço da proteção ambiental e sustentabilidade. Uma gestão eficiente da pegada de carbono do Movimento Olímpico é uma forma de demonstrar boa-fé e concretizar uma diferença tangível nas questões da proteção ambiental.

O Movimento fez progressos indubitáveis nos últimos tempos e através da sua Agenda 2020+5 compromete-se a alcançar os Jogos Olímpicos positivos o mais tardar até 2030. Em relação aos jogos de Paris 2024 afirma-se que "já se trabalha na realização dos Jogos Olímpicos positivos em 2024".

No entanto, para saber o que isso significará na prática, é necessário averiguar o como as atividades nos Jogos vão impactar nos dados finais. Questões de impacto como a de novas instalações desportivas, estradas alargadas, novos hotéis e todas as viagens aéreas por parte dos participantes são parte integrada para a contabilidade “verde”.

Do outro lado, tem também de equacionar os cálculos subjacentes à plantação de árvores ou a outras iniciativas de sequestro de carbono. Estas exigirão igualmente ser examinadas em pormenor. As plantações de árvores não podem compensar algo que é feito hoje, mas com algo que apenas atingirá a maturidade daqui a 20 anos.

Um dos mais eficazes motores de aceleração da proteção ambiental é, com naturalidade, a educação ambiental. É necessário compreender como é possível alavancar um melhor comportamento dos outros em relação a esta temática. Para isto, os próprios patrocinadores podem ser até classificados em critérios ambientais. Na mesma linha de raciocínio, as empresas multinacionais que se candidatam a tornar-se o fornecedor exclusivo de equipamentos para os Jogos poderiam ter a si atribuído um conjunto de metas específicas de sustentabilidade para o período do contrato de fornecimento.

Outro grande passo seria a elaboração de um Código Verde, semelhante ao Código Mundial Antidopagem. Seria uma boa forma de difundir as boas práticas através do Movimento de forma uniforme e rápida. Seria igualmente necessário uma Agência Independente de Sustentabilidade Desportiva para tratar deste tema.

A eleição de dois ou três membros do COI, devido à sua experiência na proteção ambiental e garantia do seu destacamento em organismos-chave (como é o caso das Comissões de Futuros Anfitriões dos Jogos e as Comissões de Coordenação dos Jogos) seria da máxima importância. Isto garantirá que a organização futura de jogos teriam todas as preocupações de sustentabilidade ambiental em cima da mesa.

A Carta Olímpica deve também conter referencias à sustentabilidade na “missão e papel” do COI em “incentivar e apoiar uma preocupação responsável pelas questões ambientais, promover o desenvolvimento sustentável no desporto e exigir que os Jogos Olímpicos sejam realizados em conformidade”. Contudo, é necessária uma referência explícita à sustentabilidade ou preservação do planeta que ainda não chegou aos “Princípios Fundamentais do Olimpismo”.

Ainda não existe uma referência explícita às práticas “verdes” ou sustentáveis na Carta em relação à Vila Olímpica, ou sobre a produção de publicações relativas aos Jogos Olímpicos. A carta olímpica tem de ser cada vez uma ferramenta pragmática na condução dos destinos do movimento olímpico deve ter em consideração explicita deste desafio da humanidade.

Planeta Verde, Movimento Olímpico e Desporto - Parte I

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Autoria:Leonardo Cunha,5 nov 2021 10:59

Editado porSara Almeida  em  6 nov 2021 9:26

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