Federação de Basquetebol desenvolve Basket 3×3 para promover os ODS

A Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB) arrancou com a implementação do Projeto de Desenvolvimento do Basquetebol 3x3, que promove os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente ODS 3 Saúde e Bem-estar e ODS 5 Igualdade de Género. O Expresso das Ilhas foi entender como funciona esta aposta que tem como público-alvo estudantes, professores de educação física e treinadores das comunidades menos favorecidas.

O Projeto de Desenvolvimento do Basquetebol 3x3 é o resultado de uma parceria da Federação cabo-verdiana de Basquetebol com a International Basketball Federation (FIBA), através da campanha “Her World, Her Rules”, e o Escritório Conjunto do PNUD, UNICEF, UNFPA Nações Unidas Cabo Verde, que tem como propósito ajudar a aumentar a participação das meninas no desporto e aumentar o número de meninas jogando basquetebol.

Projecto de Desenvolvimento do Basquetebol 3x3 

O projecto que tem como público-alvo estudantes, professores de educação física e treinadores das comunidades menos favorecidas, especialmente no que tange à modalidade do basquetebol, segundo uma das coordenadoras do projecto, Suely Neves, na modalidade 3×3 do basquetebol, há apenas um período de 10 minutos, contra os 4 períodos, também de 10 minutos, do basquete tradicional. Porém, no 3×3, existe uma regra: o jogo acaba com 10 minutos ou quando uma das equipas fizer 21 pontos, o primeiro que fizer 21 pontos vence o jogo. 

De acordo com esta responsável, dada à realidade geográfica de Cabo Verde, o 3x3 é financeiramente sólido e tem uma estrutura de jogo ideal para atingir um maior número de participantes em todas as ilhas. 

“Uma das nossas metas é aumentar a participação de jogadoras em jogos 3x3 através das escolas. Como primeiro passo nesta direção, em Abril de 2021, a FCBB conseguiu fundos da Embaixada dos EUA e, com o apoio do Ministério da Educação, organizou uma formação virtual liderada pelo cabo-verdiano/americano, Tomé Barros, sobre FIBA 3x3, a filosofia e o currículo do programa Jr. NBA 3x3, para professoras de educação física no ensino secundário. Indo além do ensino secundário, levar o 3x3 para as comunidades é igualmente importante porque se torna um factor complementar às escolas do ensino secundário”, explicou. 

A FIBA através da campanha “Her World, Her Rules”, vem trabalhando para impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos pela Organização das Nações Unidas: ODS 3 Saúde e Bem-estar e ODS 5 Igualdade de Gênero.

O ODS 3 visa garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todas as pessoas de qualquer idade, garantindo assim o desenvolvimento sustentável. O ODS 5 consiste em acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas, em toda parte. Eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas pública e privada, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos. 

Os ODS 5 têm como objectivo garantir o fim da discriminação contra mulheres e meninas em todos os lugares até 2030. Dar à mulher direitos iguais aos recursos económicos, como terra e propriedade, são metas vitais para a realização desse objectivo assim como garantir o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva. 

Nesta altura, de acordo com Suely Neves, o projecto tem o objectivo de chegar nas comunidades menos favorecidas e incentivar mais participação destas comunidades em torneios, jogos e prática da modalidade, bem como incentivar mais participação de meninas no basquetebol através do projecto 3x3. 

“As mulheres hoje se mostram tão competitivas quanto os homens e capazes também de realizarem grandes feitos no mundo do desporto. A participação delas, no entanto, apresenta-se constituída de preconceito, principalmente na liderança desportiva, apesar de na actualidade o gênero feminino ter ultrapassado muitas barreiras. O desporto é uma das principais ferramentas no combate aos males sociais. Criar base para igualdade de género e fomentar o bem-estar através do desporto, é uma posta segura para recolha de bons frutos. Desestruturar a ideia que existem modalidades mais masculinas ou mais femininas e apostar na união, união de géneros para o desenvolvimento, segurança e bem-estar”, acrescentou.

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Implementação do projecto

A Federação Cabo-verdiana de Basquetebol deu início em Santiago Norte ao programa de implementação do Projecto de Desenvolvimento do Basquetebol 3×3. A cidade do Tarrafal, Chão Bom, Trásos- Montes, São Miguel, Santa Cruz e Assomada, na ilha de Santiago, e as ilhas Brava, Maio e São Nicolau são as beneficiadas com este arranque do projecto. 

Segundo Suely Neves, o projecto tem previsto organizar várias clínicas 3×3, torneios 3×3, e lançamento de uma Liga de Liceu 3×3, abrangendo algumas dessas comunidades. 

A 7 de Outubro, a FCBB organizou a primeira clínica 3×3 com os estudantes de 5ª e 6ª classes da escola primária de Trás-os-Montes no Tarrafal de Santiago, liderada pelos “coach” Jade Leitão e Aylin Pires, bem como uma clínica 3×3 para professores de educação física e treinadores no Tarrafal liderada pelo “coach” Mané Trovoada.

Esta clínica, segundo os promotores, contou com o apoio da Câmara Municipal do Tarrafal através da vereadora da Juventude, Cultura e Desporto, Teresa Correia, bem como do presidente da Associação Regional de Basquetebol Santiago Norte, Gil Tavares. 

“O Dia Internacional da Menina é assinalado a 11 de outubro e no âmbito do projecto da FIBA Her World, Her Rules, em parceria com a escola secundária de São Miguel e a Câmara Municipal de São Miguel, organizamos uma clínica liderada por Aylin Pires, embaixadora de Her World, Her Rules, contando com a participação de 32 alunas do 9º e 10º ano. 

A clínica também promoveu os ODS3 e ODS5”, avançou Suely Neves ao Expresso das Ilhas. 

O projecto ambiciona a expansão em todas as ilhas, não só pela prática da modalidade de basquetebol. Tem-se observado que as dificuldades educativas acompanham muitas vezes os obstáculos sociais, incluindo uma fraca participação em actividades físicas e desportivas. 

Suely Neves indica que o projecto tem sobretudo uma preocupação com os jovens com fraco desempenho escolar, quer seja derivado das suas origens, deficiências linguísticas, desvantagens socioeconómicas ou outras razões, e incentivar os jovens e participar voluntariamente nas actividades desportivas pode ser um caminho para resultados académicos mais positivos.

“O objetivo final é reduzir o abandono escolar, promovendo o crescimento pessoal destes indivíduos. Podemos incentivar os jovens que vivem uma realidade menos favorecida a seguir uma carreira no desporto através de formações profissionais. Temos jovens talentosos, com habilidades pouco exploradas. Se repararmos bem, a maioria dos atletas/ jogadores cabo-verdianos tem origem em comunidades menos favorecidas e hoje servem de incentivo para que outros jovens apostem no desporto para uma vida melhor.

Importância do desporto nas comunidades 

Carlos Tavares, um jovem da comunidade de Ponta d’Água, co-fundador e coordenador- geral da Associação Cultural e Desportiva Maracanã, fundada em 2014 com o propósito de suprimir algumas dificuldades a nível social e que tem vindo a “apostar forte na escola de futebol e nos trabalhos em áreas como educação, social e cultural” e transmitir valores sociais através do desporto. Tavares considera que a implementação de projectos desportivos em comunidades menos favorecidas é fundamental para o desenvolvimento de jovens e crianças.

Este responsável explica que em comunidades vulneráveis o desporto pode salvar vidas e criar mecanismos para driblar as dificuldades não só em termos financeiros. Possibilita às crianças e jovens sonhar e fazer planos que impedem os males sociais de dominarem o carácter destes jovens que têm muito a oferecer. 

“Desporto é a maior arma para combater a exclusão social e promove igualdade de oportunidades e uma vida sã na sociedade. Podemos usar o desporto para fomentar gostos e hábitos saudáveis como o gosto pelos estudos. Nas comunidades menos favorecidas podemos notar que a maior ocupação das crianças, adolescentes e jovens é o desporto. Estão sempre no campo, muitas vezes de terra batida, a praticar futebol ou dentro de uma placa jogando o basquete. Se reparamos bem, é necessário mandar e incentivar as crianças estudar, mas não é necessário insistir para que nenhuma criança vá jogar a bola ou o basquete, é algo que começa espontaneamente, só é preciso agarrarmos nesta ferramenta para formamos bons cidadãos”, analisou.

A campanha “HerWorldHerules” é uma das iniciativas mais reconhecidas da FIBA no basquete feminino. As Federações Nacionais receberam em 2021 a iniciativa de ajudar a aumentar a participação das meninas e aumentar o número de meninas jogando nos seus respectivos países. Como parte do compromisso da FIBA de desenvolver ainda mais o jogo do basquete, o Women in Basketball é o foco feminino das estratégias da FIBA para 2019- 2023. Após uma implementação bem-sucedida na Europa, o Her World, Her Rules está disponível a partir deste ano para todas as Federações Nacionais em todo o mundo como parte do apoio da FIBA ao desenvolvimento do basquete feminino. 

O principal objetivo do programa foi aumentar a participação das meninas no basquete recrutando mais jogadoras em idade escolar (6-17 anos) para as actividades do basquete. Entre os objetivos do Her World, Her Rules está aumentar a popularidade do basquete local e nacional, aumentar a atenção da mídia, destacar e promover modelos femininos e garantir que o basquete feminino seja cada vez mais competitivo. Esta iniciativa é apoiada por algumas das mais proeminentes jogadoras de basquetebol, tais como Alba Torrens, Emma Meesseman, Maria Vadeeva, Breanna Stewart, Sonja Vasic e Candice Dupree.

Texto publicado originalmente na edição nº1092 do Expresso das Ilhas de 02 de Novembro 

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Autoria:Edisângela Tavares (Estagiária),5 nov 2022 7:21

Editado porFretson Rocha  em  5 nov 2022 14:29

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