A comemorar duas décadas, a CVTelecom lança agora uma campanha institucional para mostrar o rumo que a empresa quer trilhar e, ao mesmo tempo, reforçar o empenho social do grupo. Nesta entrevista ao Expresso das Ilhas, o administrador executivo Jorge Benchimol Duarte fala também das exigências actuais enfrentadas pelo sector das tecnologias da informação e comunicação.
Expresso das Ilhas — A CVTelecom está a lançar uma nova campanha institucional e a primeira questão é mesmo qual o motivo que está por trás?
Jorge Benchimol Duarte — Acho que estamos perante um momento em que o rumo para a CVTelecom tem de estar muito claro. Pertencemos ao sector tecnológico onde os desafios são grandes, tanto em termos de inovação como, sobretudo, de acompanhamento da evolução tecnológica. E temos de ter essa visão muito clara do que pretendemos e onde queremos estar num horizonte de médio prazo. Esta campanha enquadra-se nisto mesmo. É mostrarmos que a empresa tem uma visão muito clara do seu posicionamento na sociedade, quer ter essa proximidade com o mercado e com a sociedade cabo-verdiana e, sobretudo, fruto um pouco de todas as alterações tanto no sector como no Grupo CVT, é o momento que consideramos adequado para mostrar tudo o que o Grupo tem feito e também o que pretendemos fazer no futuro.
Quando fala em posicionamento actual e futuro, o que pretendem mostrar afinal?
Em primeiro lugar, penso que o sector está perante desafios muito grandes, que têm a ver com o acompanhamento das tendências das tecnologias de informação e comunicação e com a avaliação dessas tendências. E esse trabalho está feito. Mas, este é um sector altamente regulado e nós temos de seguir um quadro de actuação. Não há dúvidas que, até para garantir a sustentabilidade e o equilíbrio económico-financeiro dos operadores, o sector vai caminhar para uma maior concentração das actividades no sentido de se ganhar escala. A escala é fundamental tendo em conta o volume de investimentos que o sector exige, o volume e a frequência. Ou seja, somos um sector de investimentos avultados, que têm de ser feitos permanentemente. Parar de investir no sector é ditar um futuro muito cinzento. No que estamos engajados? Na convergência em termos de prestação de serviços. Do que estamos a falar? De poder actuar numa frente única, com um pacote global, em termos de produtos e serviços. O sector das tecnologias de informação e comunicação está a caminhar claramente num sentido, que se pode dividir em dois factores: dar mobilidade – quero ter acesso ao conhecimento em qualquer lugar e a todo o momento – por outro lado, quero ter acesso a tudo – quero poder fazer uma chamada, ou poder ver um vídeo, ou consultar as redes sociais e quero isso tudo num pacote.
Mas isso é vantajoso.
É vantajoso e não creio que tenhamos outra via, sobretudo num mercado pequeno como é o cabo-verdiano onde a convergência é mais necessária, porque se ganha escala. Actuar em várias frentes com empresas distintas tem um custo adicional que não creio que seja suportável. A nossa visão é esta, resolvidos os problemas regulatórios esse será o caminho a adoptar.
Voltando à campanha e a essa aproximação aos clientes, escolhem como slogan: Juntos somos a força de Cabo Verde. Porquê esta opção?
Juntos, e é importante realçar, juntos, somos a força de Cabo Verde. Porquê? Porque reconhecemos a importância dessa união. O todo é que nos dá essa força. O Grupo CVT tem tido uma actuação muito abrangente no que diz respeito à responsabilidade social. Muita coisa não é visível, mas nós temos dezenas e dezenas de parceiros, entidades e instituições que trabalham connosco no dia-a-dia. Entidades nos mais diversos sectores: educação, saúde, no combate à infoexclusão, na luta contra a pobreza, no desporto, na cultura, na democratização do conhecimento. Com esta campanha queremos mostrar um pouco de tudo o que temos feito, queremos mostrar que acreditamos no país, no talento das pessoas, que acreditamos no potencial que existe e a sua capitalização só pode ser feita com o esforço de todos. É nesse sentido que escolhemos este slogan para a campanha, porque queremos mostrar o potencial do país, das pessoas, do comum cidadão, das entidades, das associações e a colaboração que adicionamos é apenas uma obrigação nossa.
Falou da questão da responsabilidade social. Consideram fundamental esse, podemos quase dizer, trabalho na sombra?
A CVTelecom tem neste domínio um background extremamente rico. A CVTelecom faz parte do Pacto Global das Nações Unidas, tem com isso uma série de responsabilidades. Tem de ter uma postura de responsabilidade em relação ao ambiente, em relação à sociedade, em relação à ética, portanto, há um conjunto de valores que estão subjacentes a toda a actuação do Grupo, às vezes, de forma mais visível, na maior parte das vezes, menos visível, mas com impacto na vida das pessoas. Exactamente porque entendemos que além do que podemos proporcionar enquanto negócio, também podemos proporcionar enquanto empresa socialmente responsável.
Uma forma de retribuir o que a sociedade também dá à empresa?
É uma forma de retribuir, certamente. Mas, é essencialmente uma forma de estar. Uma empresa cidadã é uma empresa que se preocupa com o mercado, mas que não se preocupa apenas com os resultados.
Nota-se também uma vontade de mostrar que a CVTelecom é uma empresa cabo-verdiana, com recurso, inclusive, à imagem de artistas e atletas cabo-verdianos.
A nossa comunicação institucional, o marketing que a empresa desenvolve, tem sim essa vertente de aposta em endorsers [na linguagem do marketing, pessoas, geralmente conhecidas do público, que aparecem nas publicidades]. Sim, a empresa é detida maioritariamente por accionistas cabo-verdianos, mais de 800, que têm 55 por cento do capital. O que de bom e o que de mau acontecer ao Grupo CVT vai afectar os seus accionistas no seu todo. A cara desses endorsers, cantores, desportistas, agentes culturais, ajudam-nos a transmitir essa mensagem, que estamos no mercado cabo-verdiano.
Acha que ajudam a mostrar também que é possível a existência de grandes empresas cabo-verdianas?
Eu considero que é um desafio constituir grandes empresas em Cabo Verde. Dificilmente as nossas empresas ganham dimensão mundial. Mas, o mundo de hoje permite-nos ganhar dimensão. Estamos num mundo sem fronteiras, alguém diria há uns anos que o Alibaba [grupo de empresas com sede em Hangzhou, na China, fundado por Jack Ma, baseado em e-commerce na internet, incluindo sites online de business-to-business, serviços de comércio e pagamento online, um motor de busca para compras e serviços de computação na nuvem. Actualmente o site é um colosso mundial, maior que as potências americanas HP e eBay] seria o que é hoje? Dificilmente. Portanto, o mundo de hoje permite-nos ganhar dimensão e penso que esse é o desafio que as empresas cabo-verdianas têm de uma maneira geral. Mas, no sector das tecnologias de comunicação o potencial é grande e acho que o investimento que tem de ser feito é também no sentido de mostrar que esta é uma actividade empresarial lucrativa. Porque não se pode pensar em promover empresas no sector, fazer com que as pessoas invistam no sector, se não houver retorno. A escala pode dar esse retorno, mas as medidas políticas também têm de contribuir para que isso aconteça. Só as medidas de política para o sector, as clarificações das indefinições, podem levar a mais investimentos.
Quando falamos de políticas para o sector não estamos a falar só de políticas para as telecomunicações, mas no global do ambiente de negócios.
Naturalmente. Tanto mais que este é um sector indutor para muitos outros. O conhecimento, que eu creio que é o maior património que podemos construir, tem como suporte as tecnologias de informação e comunicação. Para um cabo-verdiano que vive na parte mais remota de Santiago, ou Santo Antão, ou São Nicolau, poder ter acesso ao conhecimento quase da mesma forma que alguém nos maiores centros urbanos do mundo tem, tem de ser feita uma infra-estrutura base. O investimento que se faz em tecnologia, na infra-estrutura básica, é algo que tem de ser capitalizado. Portanto, há muito negócio que se pode construir sobre as infra-estruturas de comunicações. Aliás, hoje o mundo é fértil nos grandes negócios que se podem construir sobre as infra-estruturas de telecomunicações, sem investir nas telecomunicações, o Facebook é um exemplo. Usa o quê? As infra-estruturas de telecomunicações. Investe em telecomunicações? Não. E os Estados precisam de políticas muito claras para fazer com que o investimento nas infra-estruturas continue a ser um bom investimento com retorno, porque isso é que move a iniciativa privada. Nos últimos dez anos somos a empresa que mais tem contribuído, em termos fiscais, para o Orçamento de Estado cabo-verdiano. O Estado accionista tem recebido dividendos avultados, além disso tem os impostos indirectos e directos, os impostos sobre os trabalhadores, os impostos sobre os lucros, tem a taxa de regulação, tem a taxa de utilização do espectro radioeléctrico, portanto, diria que há uma carga fiscal e parafiscal no sector das telecomunicações que é pesada. E isso também tem a ver com políticas. É um aspecto que, penso eu, terá de ser analisado nos próximos tempos, porque o que está em causa é garantir a sustentabilidade do sector, como é atribuição da própria regulação: proteger o equilíbrio económico e financeiro das reguladas. As reguladas não podem ser apenas a origem de fundos, têm também de ter políticas direccionadas para a expansão da sua actividade e para que os investidores tenham retorno e sejam capazes de continuar a investir. A inovação tecnológica, a inovação em termos de conhecimento, a colocação de novos produtos no mercado, tudo isso depende também de políticas.
Falando agora dos clientes. Qual é o compromisso da CVTelecom?
De forma muito clara, a nossa promessa é qualidade, inovação e, sobretudo, a construção de uma relação de confiança. Diariamente procuramos dar o melhor de nós mesmos para cumprir o prometido e este é o objetivo do Grupo: continuar a criar essa relação com os clientes e dando-lhes o que eles esperam, a experiência da utilização de tudo o que proporcionamos e que nenhum outro operador pode dar.
Usam como garantia o facto da CVTelecom ser a única empresa de telecomunicações certificada do país?
A certificação é o culminar de um processo. E somos uma operadora certificada graças a todo o trabalho desenvolvido. A CVT de hoje é uma empresa que tem de assumir a sua história na totalidade. O que se construiu no passado tem valor e serve de base para o futuro. Claro que o sector mudou. Claro que o sector tem outros desafios. Claro que o mercado cabo-verdiano tem outras exigências. Há um momento novo que estamos já a viver e esse momento novo é condicionado pela exigência do mercado. E esse caminho está a ser traçado.
Para já é também uma empresa que no seu passado tem vários prémios, com a subjectividade inerente aos mesmos, claro. Mas, considera que esse reconhecimento é importante?
As distinções têm a ver com uma avaliação feita pelo mercado. Há 5 anos consecutivos que somos distinguidos como a marca de confiança dos cabo-verdianos, o que nos orgulha mas acima de tudo nos motiva a prosseguir a caminhada. É bom, mas sobretudo é mais responsabilidade num mercado cada vez mais exigente. Cada vez que somos galardoados é mais uma exigência colocada, estamos cientes disso, mas queremos continuar no mercado como marca de confiança, com uma notoriedade inigualável e temos de continuar a caminhar neste sentido.
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