"Aumento da oferta terá o melhor impacto possível a nível dos preços", diz CEO da TAP

PorAndre Amaral,10 mar 2022 19:09

Christine Ourmières-Widener, CEO da TAP, esteve hoje em Cabo Verde. Ao Expresso das Ilhas esta reponsável assegura que a empresa vai reforçar a oferta para Cabo Verde e que acredita que o "aumento da oferta terá o melhor impacto possível a nível dos preços"

A TAP voa para Cabo Verde há décadas, mas uma das principais queixas está relacionada com os preços das passagens dos voos para Lisboa. O que pode ser feito para mudar isso?

Em primeiro lugar tenho de concordar consigo. A TAP tem sido muito leal e comprometida com Cabo Verde mantendo a ligação do país com Lisboa e a Europa, mesmo durante períodos de crise. Agora estamos a reforçar a oferta, aumentado a frequência dos vôos e vamos reabrir a rota para a Boa Vista em Abril. Acredito que o aumento da oferta terá o melhor impacto possível a nível dos preços.

A TAP voa para quatro ilhas (com a retoma da operação para a Boa Vista) quais são os planos da TAP para um futuro próximo relativamente a Cabo Verde?
Actualmente os nossos planos passam pelo reforço das ligações a estes quatro destinos. Vamos retomar a ligação à Boa Vista em Abril que era o único destino, em Cabo Verde, que ainda nao tinhamos retomado. Não temos, para já, planos para além da época de verão. Estamos ainda na época de inverno e tivemos um encontro, hoje, com o governo para avaliarmos o plano de conectividade do país.

De que forma é que Cabo Verde é interessante e importante para a TAP?

Cabo Verde é importante não apenas pelo lado das receitas, mas porque há laços de negócios mas também entre as comunidades que residem em Portugal e em Cabo Verde. Quando vemos as pessoas que viajam para Cabo Verde vindas de Lisboa ou através de Lisboa vemos que há uma grande ligação histórica e económica entre os dois países. Mas a ligação vai mais além de Portugal, porque os passageiros vêm também de outros mercados como o norte-americano, Brasil, Europa. Vai muito além do hub que temos em Lisboa.

A TAP foi alvo de uma intervenção por parte do Estado português, que futuro prevê para a companhia aérea nos próximos anos?

Tivemos a aprovação do plano de reestruturação pouco antes do Natal do ano passado. Com o primeiro financiamento a ser entregue pelo governo também nessa altura. Foi um passo muito importante para a empresa. Antes já tinhamos começado a transformação da empresa e o objectivo é criar uma companhia que seja sustentável para o futuro e a aprovação do plano [de reestruturação] foi muito importante. Queremos que a empresa dê lucro, apresente um bom produto aos clientes e volte a chegar a uma posição que lhe permita voltar a crescer.

A concorrência das empresas low-cost afectou a TAP?

As low cost são uma realidade. São concorrência num segmento específico que é o de lazer. Portugal foi extremamente bem sucedido no desenvolvimento do turismo e as low cost foram muito importantes contribuindo para o crescimento da economia turistica no país. As low cost são competidores muito fortes mas nós não somos uma companhia de ponto a ponto e não voamos apenas entre cidades da Europa, promovemos a conectividade com a Europa, mas também com a América, África e o Atlântico Sul. Por isso, temos um posicionamento diferente. Competimos no ponto a ponto na Europa, mas fornecemos um serviço diferenciado no longo curso.

O governo de Cabo Verde anunciou que estão a negociar com empresas low cost para voarem para Cabo Verde. Teme essa concorrência?

Primeiro a competição é sempre boa por desafia aquilo que estamos a fazer e nos obriga a garantir que estamos a dar o nosso melhor. Mas o governo tem toda a liberdade para trazer novos operadores para o mercado cabo-verdiano. Nós continuaremos a fazer o nosso melhor e a assegurar que o nosso produto é muito competitivo.

A TAP é a unica companhia com voos regulares de e para Cabo Verde, a TACV está a retomar agora os vôos. De outros países não há ligações regulares. Porquê?

Eu diria que há regras simples que regem esta actividade. A geografia, a localização, é essencial e a distância é importante especialmente quando os preços dos combustíveis não param de aumentar. É por isso que Lisboa é um hub tão importante, por causa da distância. São regras muito simples que estão sempre ligadas aos custos e também ao tipo de aeronave que se pode operar por causa do tempo de viagem. Por exemplo, um cliente poderá não estar disposto a viajar num tipo de avião. Precisam de um conforto maior. A distância e os custos fixos são essenciais para que as rotas sejam lucrativas.

A dimensão do mercado também é importante?

Sim. Assim como a concorrência que lá existe, as taxas que são cobradas o investimento necessário para que a companhia seja visível no mercado. Há muitas coisas. Mas, no final, é a distância que define se um mercado é sustentável.

Com a situação de guerra na Ucrânia e a subida dos preços dos combustíveis qual é, na sua opinião, o futuro sector da aviação?

É uma boa pergunta. Ainda estamos a tentar perceber qual será a solução mais estável. Há quem diga que os preços vão aumentar, outros que vão estabilizar. O nosso trabalho é prepararmo-nos para o pior e aguardar pela melhor situação possível. Estamos a ver quais serão os potenciais impactos nos nossos custos e se os preços dos combustíveis ficam como estão ou se vao aumentar. Temos de encontrar uma solução.

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Autoria:Andre Amaral,10 mar 2022 19:09

Editado porAndre Amaral  em  11 mar 2022 12:17

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