Os dados apontam também para um aumento do emprego e da facturação empresarial, num sinal de consolidação da recuperação económica observada nos últimos anos, particularmente nos sectores ligados ao comércio, turismo, restauração, indústria transformadora e construção.
De acordo com o INE, as empresas activas empregavam 94.470 trabalhadores em 2024, o que representa um crescimento de 4,8% em relação a 2023. O número supera igualmente os níveis registados antes da pandemia, confirmando uma recuperação do mercado laboral empresarial depois da quebra observada em 2020 e 2021.
O volume de negócios das empresas atingiu cerca de 430 milhões de contos, traduzindo um aumento de 12% relativamente ao ano anterior. O sector do comércio destacou-se como o principal motor da facturação empresarial, sendo responsável por 44,3% do total do volume de negócios.
Turismo e comércio continuam a puxar pela economia
Segundo o comunicado do INE, o crescimento empresarial foi impulsionado sobretudo pelos ramos do comércio, alojamento e restauração, indústria transformadora e construção.
A evolução acompanha a dinâmica recente da economia cabo-verdiana, marcada pela recuperação do turismo internacional, pelo aumento da procura interna e pela retoma gradual do investimento privado. O sector do alojamento e restauração continua a beneficiar do crescimento do fluxo turístico, enquanto a construção tem sido estimulada por investimentos públicos e privados, sobretudo nas ilhas mais turísticas.
Os dados revelam ainda uma forte concentração territorial da actividade económica. A maioria das empresas está localizada nos concelhos da Praia, São Vicente, Sal, Santa Catarina e Boa Vista, que se mantêm como os principais polos empresariais do país.
A predominância destes municípios reflecte o peso das actividades urbanas, comerciais e turísticas, bem como a concentração de infra-estruturas, serviços financeiros e oportunidades de investimento.
Recuperação acima dos níveis pré-pandemia
A evolução apresentada pelo INE mostra também uma trajectória de crescimento consistente desde 2022. Em 2019, Cabo Verde tinha pouco mais de 11 mil empresas activas, número que sofreu oscilações durante o período da pandemia antes de saltar para mais de 18 mil empresas nos últimos três anos.
O emprego empresarial seguiu tendência semelhante. Depois da quebra provocada pela crise sanitária internacional, o número de trabalhadores nas empresas voltou a crescer, aproximando-se agora dos 95 mil empregados.
Para o INE, os resultados confirmam “a trajectória de crescimento da actividade empresarial em Cabo Verde” e evidenciam a necessidade de continuar a promover políticas públicas voltadas para a formalização, inovação, competitividade e sustentabilidade das empresas.
Desafios persistem apesar do crescimento
Apesar dos indicadores positivos, os números também evidenciam alguns desafios estruturais da economia cabo-verdiana. A elevada concentração empresarial em poucos concelhos mostra as assimetrias regionais existentes, enquanto a forte dependência do comércio e do turismo continua a expor o país a choques externos.
Além disso, o crescimento do número de empresas nem sempre significa aumento da produtividade ou fortalecimento do tecido empresarial. Grande parte das empresas cabo-verdianas continua a ser composta por micro e pequenas estruturas, muitas delas vulneráveis a oscilações económicas, dificuldades de financiamento e custos elevados de operação.
Outro ponto relevante é o desafio da formalização. Embora o aumento do número de empresas activas possa indicar uma maior integração no sector formal, persistem actividades económicas informais com peso significativo em vários sectores.
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